Bebê na palma das mãos

As Escrituras e o Aborto – O que a Bíblia tem a dizer

Uma das perguntas que intrigam a sociedade e que geram milhões de respostas ao longo dos tempos é: Quem é o homem? Muitos já tentaram responder essa questão, porém ainda não há um consenso comum sobre quem é o homem. Ainda há uma outra dúvida que divide pensamentos na sociedade, esta indaga em qual momento o homem se torna homem – soa estranho a pergunta, mas é real. Muitas pessoas têm discutido o assunto e suas concepções sobre o tema trazem implicações sérias para a sociedade. Aqueles que não enxergam que o ser humano é gerado na concepção, acabam adotando alguns termos para descrever aquela vida em desenvolvimento orgânico: “amontoado de células”, “tecido”, “apenas um feto”. Essas são expressões comuns usadas pelas pessoas favoráveis ao aborto para descrever o bebê, a fim de diminuir a humanidade dessa nova vida. O professor da faculdade da USP, Vladimir Safatle, em seu artigo “Claramente a favor do aborto”, publicado no site www.cartacapital.com.br, disse: “Uma vida em potencial não pode, em hipótese alguma, ser equiparada juridicamente a uma vida em ato. Um embrião do tamanho de um grão de feijão, sem autonomia alguma, parasita das funções vitais do corpo que o hospeda e sem a menor atividade cerebral não pode ser equiparado a um indivíduo dotado de autonomia das suas funções vitais e atividade cerebral”. Realmente há uma dúvida na sociedade sobre em que momento o homem se torna homem, isso ocorre na concepção ou acontece no momento em que ele tem autonomia e controle? A resposta a está pergunta é fundamental para uma posição sobre a questão do aborto.

As Escrituras ao discorrerem sobre a formação do homem afirmam que Deus criou o homem à sua “imagem e semelhança” e lhe deu uma companheira. O Criador também lhes designou uma tarefa: “Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteje pela terra” (Gn 1.28). O que se pode extrair do relato de Gênesis é que o homem foi criado por Deus e recebeu a tarefa de se unir com sua mulher, multiplicar e dominar sobre o restante da criação. Sendo assim, fica claro que o primeiro homem foi criado por Deus, enquanto os demais homens são a multiplicação do primeiro casal.

As Escrituras, ao falarem sobre a concepção da vida, apresentam um relacionamento intenso de Deus com o ser humano ainda no ventre materno: “Graças te dou, visto que o meu interior tu me teceste no seio de minha mãe. Graças te dou, visto que por modo maravilhoso me formaste; as tuas obras são admiráveis, e minha alma sabe muito bem; os meus ossos não te foram encobertos, quando no oculto fui formado e entretecido como nas profundezas da terra” (Sl 139: 13-15). Esta passagem revela um relacionamento do Criador com um ser ainda não dotado de intelecto e autonomia, embora não se possa negar que Deus o enxerga como um ser total, e não simplesmente como uma vida em potencial. Quando o profeta Jeremias é chamado pelo Senhor, mais uma vez as Escrituras deixam claro que Deus já se relacionava com ele antes mesmo da sua formação: “Antes que eu te formasse no materno, eu te conheci, e antes que saísses da madre, te consagrei, e te constituí profeta entre as nações” (Jr 1.5).

No Antigo Testamento a lei mosaica tratava o bebê no ventre da mulher como um ser humano, pois se alguém fizesse mal a uma gestante seria castigado: “Vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé, queimadura por queimadura, ferimento por ferimento, golpe por golpe” (Ex 21.22-25). As Escrituras afirmam que a vida humana começa na concepção, logo não se pode requerer o direito de tirar a vida de um bebê no ventre de sua mãe, mesmo que a própria deseje. Na história de Abraão, Deus lhe promete um filho, e, antes mesmo de seu filho nascer, Deus já estabelece uma aliança com aquela criança (cf. Gn 17.15-22). Sendo assim, é inescusável que Deus, mesmo antes que Isaque estivesse em processo de crescimento orgânico e com capacidade intelectual, já havia sido traçado dentro da eternidade um relacionamento com ele. Embora o Antigo Testamento não forneça uma discussão teórica quanto ao feto ser ou não uma pessoa, encontramos vários textos em que Deus já contemplava seu relacionamento com homens que ainda não estavam formação ou já estavam (bebês) e que já tinha amor e cuidado por eles, como no chamado de Jeremias, na promessa de um filho a Abraão… Logo, conclui-se que o aborto é contrário à vontade de Deus.

No Novo Testamento, quando o apóstolo Paulo escreve à igreja que estava em Roma, diz: “Porquanto aos que de antemão conheceu, também os predestinou para serem conforme a imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8.29). Claro que o Paulo está comunicando àquela igreja sobre o relacionamento que Deus já vislumbrava na eternidade com eles, mas para que esse relacionamento pudesse acontecer de forma visível, foi preciso que pessoas viessem a existir, e a única maneira disso acontecer seria pelo relacionamento do homem com a mulher (matrimônio), o que já havia sido estabelecido por Deus no jardim do Éden. Na história de Zacarias, o anjo aparece e lhe diz que sua mulher Isabel daria à luz um filho, mesmo sendo ela estéril, e explica qual seria o propósito da vinda desse menino ao mundo (cf. Mt 1.8-17). No decorrer dessa história, Maria vai visitar sua parente Isabel e a saudou, e a criança dentro de seu ventre estremece de alegria (cf. Lc 1.39-45); como não considerar que aquela criança ao ouvir a voz de Maria e se mover no ventre de sua mãe não é uma pessoa? Como não considerar que aquele a quem Deus escolheu para ser uma testemunha da pessoa de Jesus Cristo à casa de Israel não era uma pessoa no ventre de sua mãe? O Novo Testamento, assim como o Antigo Testamento, não fornece uma discussão teórica quanto ao feto ser ou não uma pessoa. Entretanto, revela em suas passagens que Deus conhecia João o Batista antes mesmo de sua formação, e que já havia designado seus passos. Revela ainda que Deus conhece aqueles que já predestinou para uma relação de amor e cuidado, de onde se conclui que Deus enxerga a criança no ventre da mãe como um ser humano, uma vida que surge no momento da concepção e isso faz com que o aborto seja contrário a sua vontade.

Enfim, é fato que a sociedade pensa de muitas formas e discute sobre em que momento o homem se torna homem. Mas, apesar de as Escrituras não discutirem o assunto aborto diretamente como é apresentado nos debates dos dias atuais, deixam bem claro que Deus não é a favor da morte de crianças no ventre materno, visto que a vida é formada ainda na concepção. Por isso, a resposta do cristianismo, independentemente da visão da sociedade sobre a questão do aborto, deve ser um sonoro não! Não há base bíblica para ver o feto como um simples “tecido, amontoado de células ou uma vida em potencial”, como o professor Vladimir Safatle sugere. Por outro lado, há passagens nas Escrituras que claramente revelam que Deus trata igualmente o ser humano adulto e uma criança no ventre da mãe. Deus enxerga a criança no ventre como uma pessoa com quem estabeleceu um relacionamento, assim como estabeleceu com Isaque, Jeremias e João Batista, mesmo quando estes ainda não estavam nem em processo de crescimento orgânico. Deus, de uma forma que está fora da compressão do pensamento humano, conhece e se relaciona com cada ser, seja ele homem ou mulher, bebê ou adulto.

As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Wesley Felipe

Wesley Felipe

Wesley Felipe dos Santos, é um dos fundadores do Burke Instituto Conservador. Casado com Larissa Marazzio. É bacharel em teologia pelo Cetevap (Centro Estudos Teológicos Vale Paraíba) e covalidado pela Faterj, coordenador de cursos do Ministério Ler, membro do Templo Batista Bíblico de São José dos Campos –SP.

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