A execrável “moral” da esquerda

Poucas vezes na contemporaneidade tivemos a chance de olhar e analisar tão de perto a “moral” socialista em seu pleno funcionamento. Falo, em especial, no caso da ditadura venezuelana comandada por Nicolás Maduro. Para aqueles que não se deixaram seduzir pelo canto da sereia vermelha, não há novidade alguma na ética de “boca de fumo” com a qual a esquerda se norteia. Todavia, para muitos ainda é um grande escândalo que justamente aqueles que tanto falam sobre direitos humanos e em “luta pelos menos favorecidos”, apoiem tantos massacres de políticos de homens e mulheres que não concordam com eles. Nada de novo sob o sol…

Desde quando Nicolás Maduro resolveu impedir que os miseráveis venezuelanos recebessem as ajudas humanitárias estrangeiras ― que iam de cobertores a remédios para hospitais ―, queimando-as ainda nos caminhões que as transportavam. Desse dia em diante todos aqueles que possuem funções cerebrais sadias e cognições mais capazes que a de um chimpanzé, se depararam com o panorama cru e ominoso da moralidade socialista.

“Sim”, dizíamos internamente: “o humanitarismo deles é uma mentira; lutam apenas pelos humanos que endossam as suas causas. As suas ajudas aos mais necessitados? Apenas um embuste; se os necessitados não apoiam as suas lutas ideológicas, têm que morrer de fome mesmo. Preocupação com os desafortunados? Puro engodo de um discurso que, de tantas vezes repetido, já fede azedo”.

Enquanto aqueles caminhões com remédios, alimentos e demais suprimentos básicos ardiam em chamas; doentes em hospitais inumanos e crianças com inanição esperavam caixas de morfina e alguns cereais para sobreviverem. Mas a sede corrupta e genocida de um ditador tinha as suas prioridades; a primeira delas era não se deixar ajudar por forças estrangeiras e nem convalescer as estratégias da oposição.

Quarta-feira(29), Juan Guaidó conseguiu apoio de uma parte dos militares, uma pequena fratura então se abriu na ― até então ― intocada coesão militar pró-Maduro. O que era unanime e até inquebrantável em prol da ditadura, na última quarta se mostrou cambaleante e não mais “tão” fiel assim, No entanto, a fração de apoio aos opositores ainda era muito pequena, e, agora, Guaidó se encontra em vias de ser preso pela ditadura. A revolução esperada pelo oposicionista não fez mais do que causar uma grande manifestação, cenas lamentáveis, mortes, feridos e presos políticos; nada que balançasse muito o tirano de seu trono de cadáveres.

E, assim, novamente a esquerda abriu o seu “vão amoral”, o lugar das suas defesas e justificativas impossíveis. O PT, através de seu baluarte de incoerência e burrice, Gleisi Hoffmann, soltou uma nota abjeta de apoio ao ditador venezuelano, condenando a insurreição opositora contra a tirania de Maduro como sendo um “golpe de direita”. Como dizia Alain Besançon: “Não se pode permanecer inteligente sob a ideologia” (BESANÇON, 2007, p. 37).

O vão, ah… o vão… Quantas coisas e histórias não cabem nesse vão amoral esquerdista…? Se um dia sondássemos esse hiato de incoerência comunistas, quantas posições exóticas ao “progressismo humanitário” não encontraríamos? Quantos aplausos silenciosos a morticínios? Quantos punhos cerrados não encontraríamos erguidos em segredo após mais um ditador vermelho colher a sua cota de genocídio em prol da revolucion? Quantos “Stálin matou pouco”? Quantas incoerências encontraríamos entre as fissuras dos seus discursos, entre as sangrias das suas retóricas, quão grande seria o ossário lá contido?

Disso poderíamos intuir muitas coisas óbvias, coisas que até uma criança entenderia sem dificuldade alguma, coisas que a própria lógica não nos deixaria distorcer. Por exemplo: se a esquerda apoia ditaduras, logo ela não é favorável à democracia ― é o óbvio. Se a esquerda apoia a morte de opositores e tem genocidas como heróis, logo não pode ser defensora dos direitos humanos ― mais uma obviedade.

No entanto, eu sei: essas são verdades que não merecem ser ditas abertamente… “shiiiiiiu”… As redações “imparciais” de nossos jornais não podem denunciá-las tão grotescamente assim. Veja, é melhor ignorar tais fatos como fazem Miriam Leitão, Mônica Bergamo e Ricardo Noblat. E a consciência? Deixa de ser um moralista, depois basta fazer uma autojustificação da sua cumplicidade citando os erros da direita; basta citar as pechas de “discurso de ódio”, alguma “seilaoquefobia” da vida, basta lacrar e atiçar a manada no twitter e pronto, vida que segue. No silêncio do quarto com um copo de Wisky, estará tudo bem.

Essa autojustificação da consciência moral é bem conhecida, era o que Trotsky racionalizava num livro denominado: A moral deles e a nossa. Ou seja, o ato de colocar um Band-Aid a lacuna que se abre entre o choro público pelo pobre, pelo órfão e pelo velho, e o emudecimento cadavérico ante sanguinários ditadores socialistas que mantam pobres, órfãos e velhos que não lhes servem.

Tal distorção moral é consequência de uma vida entregue às ideologias; é a consequência de se entregar ao sacrifício mental do altar religioso do partido, grupo, agremiação ou seita. A mentalidade ideológica oferece aos indivíduos um monte de óculos retóricos que disfarçam as realidades cruentas das ações criminosas; tornam a ditadura em algo necessário e até mesmo indispensável para um bem futuro que ninguém sabe ao certo o que é. “O desajustamento moral da consciência natural e comum só pode existir se a concepção do mundo, a relação com a realidade, forem previamente perturbadas” (BESANÇON, 2007, p. 39).

Eles veem as barbaridades indefensáveis assim como todos os demais, todavia sublimam em suas almas e mentes o asco, engolem o refluxo natural que irrompe quando vemos uma injustiça em pleno ato. Qualquer desculpa passa a servir para justificar o injustificável, “a culpa é dos Yankes”, “Bolsonaro e Trump são fascistas que estão de olho no petróleo venezuelano”, “os carregamentos de ajudas humanitárias estavam envenenados”, “não deveriam ficar na frente dos blindados”, etc., etc…

O “vão” amoral, por fim, faz muito sentido na história comunista. São justamente vários “vãos” que abrigam opositores assassinados pelas forças pró-Maduro; os vãos também se assemelham muito às valas comuns onde Mao Tsé Tung, Stálin, Che Guevara, Fidel Castro e Pol Pot semeavam os corpos recém desvitalizados de seus desafetos, sementes essas que não brotariam em flores, mas evidenciaram um panorama histórico bizarro sobre a verdadeira face do socialismo.

Antes de me despedir, quero lembrar aquilo que o psiquiatra canadense Jordan Peterson sempre faz questão de rememorar aos seus leitores e admiradores:

“Desumanizar um companheiro humano, reduzi-lo ao status de parasita, torturar e abater sem nenhuma consideração pela inocência ou culpa individual, transformar a dor em uma forma de arte ― isso é errado”. (PETERSON, 2018, p. 206)

É errado matar em nome da sua visão política, religiosa, futebolística e filosófica. E não, não há desculpa ou lacuna retórica na qual você poderá enterrar esses atos, justificativas ou cumplicidades.

 

Referência:

BESANÇON, Alain. A infelicidade do século: sobre o comunismo, o nazismo e a unicidade da shoah. Bertrand Brasil: Rio de Janeiro, 2000.

PETERSON. Jordan. B. 12 regras para a vida: um antídoto para o caos, Alta Books: Rio de Janeiro, 2018

As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Pedro Henrique Alves

Pedro Henrique Alves

Filósofo, colunista do Instituto Liberal, colaborador do Jornal Gazeta do Povo, ensaísta e editor chefe do acervo de artigos do Burke Instituto Conservador.

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