A Tríade do demônio: isentões, bolsonaristas e inteligentinhos

Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, sentindo coceira nos ouvidos, segundo os seus próprios desejos juntarão mestres para si mesmos.

Eles se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos. (grifo meu)

Comecemos com o termo bolsonarista e toda imbecilidade que se esconde por trás dele. A mídia progressista (esquerdista, marxista) deseja fazer o público acreditar que o presidente Jair Messias Bolsonaro criou ou tornou-se líder de uma horda de apoiadores, devotados à figura deste e cegos para os erros políticos e estratégicos que o governo comete (ter articulado Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre para presidente da câmara do dos deputados e senadores, respectivamente, por exemplo,). Primeiro, massificar os apoiadores do governo baixo o termo “Bolsonaristas”, é não compreender questões óbvias:

  1. Há dentro da palavra guarda-chuva, “direita”, diferentes linhas como o anarco-capitalismo, conservadorismo e liberalismo econômico. há diferenças claras entre elas. Surgiram em períodos históricos diferentes, possuem fundadores próprios e propõe soluções distintas para diferentes pautas sociais. Embora haja uma espinha dorsal comum que permita colocá-las dentro do mesmo espectro político, Como o economista e doutor em finanças Ghani, compreende:

Diante disso, a direita defende a minimização do poder estatal sobre o cidadão e o livre mercado como forma de redução da pobreza, diminuição da corrupção e garantia dos direitos individuais (liberdade). Para a direita, a meritocracia é essencial (…) (grifo meu)

Os apoiadores do governo podem ser divididos em dois grupos para fins didáticos, porém recomendo o estudo mais afundo deste assunto:

 Os intelectuais ou pensadores– são representantes das mais diversas linhas de direita. A razão para apoiar o atual governo varia desde a convergência com os valores econômicos e éticos defendidos por este, como há àqueles que o percebem como um passo importante na quebra de hegemonia narrativa progressista, todavia, estes ainda o têm como longe do ideal. Este grupo não defende cegamente o governo, somente tecem criticas respaldadas em fatos e o fazem oferecendo a devida proporção e apropriada solução.

  1. A “direita” reacionária: No meu artigo publicado por Instituto Conservador Burke- Direita brasileira: Introdução– assim defini este grupo:

A direita reacionária, pobre intelectualmente, que busca responder a questionamentos por “mitadas” merece ser tratada brevemente aqui.  “Mitada” é uma frase destituída de qualquer substantividade ou inteligência, onde quem a usa busca humilhar o adversário através de palavras que apelam ao emocional do público, mas nada agregam argumentativamente; é a morte da inteligência e não difere da chamada “lacração”.

(…)

A direita reacionária não busca estudar e compreender o que é marxismo, socialismo, por exemplo, pois para estes basta o entendimento superficial e caricato. Os reacionários na são capazes de ajudar a criar um movimento cultural, uma nova intelectualidade, sendo no muito, capazes de gerar contendas e perseguição àqueles que de fato buscam mudar o palco nacional.

Mente binária, endeusamento de figuras políticas, superficialidade argumentativa e índole persecutória são características da direita reacionária que não pensa além do conforto que sua ignorância gera. Não conseguem separar uma análise política escrita com bons argumentos e sustentada numa ampla bibliográfica de uma repleta de adjetivos, neologismos e futurologia, esta, que de fato, não passa de expressão da boçalidade de seu emissor. (grifo meu)

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Este último grupo não dialoga com a figura real, o presidente Jair Messias Bolsonaro, politico que está limitado no seu agir por conta da burocracia e limitação que o poder executivo o impõe, mas com a imagem que possuem deste: alguém que do alto do seu poderio, com sua caneta Bic, digo, compacto, tem meios de alterar toda a realidade sociocultural brasileira. Os reacionários mudam de lado rápidos, pois são imediatistas e toda mudança por vias democráticas é demorada.

Chamar de bolsonarista, bolsoolavete a massa de apoiadores do governo é um atestado de incompetência ou desonestidade.

O termo isentão é usado para definir, geralmente, quem critica o governo ou que se associa com aqueles que o fazem. Muitos críticos do governo são grandes oportunistas que buscam obter notoriedade e fama, alguns estão na grande mídia, outros são políticos, velhas e novas raposas. Este termo é mais frequente na direita e mostra como este lado do espectro politico consegue se autopatrulhar, questionando , criticando e denunciando reacionários e intelectuais. Não vejo como negativo, e sim, como algo positivo e importante para que as máscaras dos oportunistas caiam, as incoerências discursivas fiquem claras e a busca cega pelo poder fique evidente. Alguns são definidos como isentões por não falarem somente para os que estão dentro da sua bolha ideológica, por serem apoiadores de ideias e valores e não de figuras políticas. Estes, geralmente, conseguem adentrar as esferas onde a esquerda é quase hegemônica e obter resultados sólidos e práticos. Este termo eu não o observo como relevante em qualquer discussão sóbria. Cabe aqui, também, algo dito por Rodrigo Constantino, jornalista e escritor:

Tem um tipo que costuma ser pior do que o esquerdista. É o “isentão”, aquele que finge ser neutro, pairar acima dessa disputa “boba” entre esquerda e direita, que até faz críticas aos socialistas, mas que no fundo só quer mesmo atacar liberais e conservadores. (grifo meu)

Os inteligentinhos? Como diz o filósofo e escritor Luiz Filipe Pondé : “O inteligentinho de direita se acha a pessoa mais esperta do mundo” leram pouco e mal, não possuem método de análise ou o mínimo de inteligência em suas observações. Parafraseiam o dito por  doutos e sábios e o fazem sem pudor ou medo de perder credibilidade. Por possuir muitos títulos se julgam senhores da verdade, contudo são vazios e meros espantalhos sem cérebro e leões sem coragem.

O debate nacional é realizado de maneira superficial e tendenciosa. Bolsonaro não lidera nem pensadores nem reacionários, não é pai de inteligentinhos ou isentões, contudo é alguém que precisa de massivo apoio já que os ataques que a imprensa, lançando mentiras e boataria, o STF, minando o combate a corrupção que foi uma das bandeiras da campanha do então candidato Jair Messias Bolsonaro, e o legislativo, retaliando o governo por este, ainda, não ter cedido à velha política, constam como adversários por demais poderosos. O governo de Bolsonaro está tendo mais ganhos dentro do campo econômico, primeiro, porque a esquerda e cleptocratas sabem que as mudanças são necessárias, mas não querem ser responsáveis por elas pois temem perder apoiadores e desejam continuar com suas narrativas falaciosas. A casa tem que estar limpa para os que de fato governam este país possam voltar triunfantes, porém graças a vergonha que é a lei de abuso de autoridade e as decisões do STF que atacaram a Lava-jato, eles estarão blindados e capazes de absurdos ainda maiores. Pautas como a facilitação de posse e porte de armas, demanda antiga da população e dos CACs (colecionadores, atiradores desportivos e caçadores) estão travadas e sendo retaliadas pelo legislativo que, inclusive, derrubou o decreto de armas o julgando , inapropriadamente, como inconstitucional. A ideologia de gênero segue forte, tomando espaço em estados como São Paulo e outros. Estamos perdendo a guerra mais importante que é a cultural, a hegemonia da esquerda só cresce.

O jornalismo brasileiro é, fora algumas exceções, presentes nos dois lados do espectro politico , uma mera batalha de narrativas onde os fatos pouco importam. Fala de Ágatha Félix, mas esquece do menino Ruan. Usa corpos de meninas e meninos como palco para vomitar suas narrativas. Defende com selvageria o humor que critica acidamente o cristianismo e faz burla deste, porém chora como se fosse bebê e grita a palavra preconceito, misoginia e imbecilidades como estas diante do humor que não converge com seu ideal totalitarista de mundo.

A crítica literária e cinematográfica é uma vergonha. Livros e filmes são bons de acordo com a convergência que possuem com alguma linha ideológica ou interpretação de mundo. As artes modernas, filhas do dadaísmo em sua maioria, não representam nada mais que a mediocridade intelectual e a falta de habilidade de quem as desenvolvem. O artista moderno lança no observador a responsabilidade de agregar valor a algo que esteticamente não possui.

Neste cenário a tríade dantesca retratada aqui surge com ares de seriedade no debate público, com toques de humor sofisticado nas bocas de estúpidos e boçais formadores de opinião e acadêmicos presunçosos.

Vivemos no mundo líquido, como diz Bauman, onde valores morais e éticos se tornam meros acessórios a ser usados de acordo com o momento e não mais um norte sólido.  O nível de inteligência e credibilidade de alguém é medido por likes e compartilhamento. A verdade cientifica está abaixo da autoafirmação doentia e paranoica.

“Sou só eu ou o mundo esta ficando mais louco?”

Coringa, filme de 2019

 

Referência bibliográfica:

GHANI, Alan. Afinal, o que é ser de direita?. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/blogs/economia-e-politica/economia-e-politica-direto-ao-ponto/post/4065990/afinal-que-ser-direita. Acesso em: 06 de outubro de 2019

PONDÉ, Luis Felipe. Inteligentinho de direita. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/luizfelipeponde/2018/11/inteligentinho-de-direita.shtml. Acesso em: 06-10-2019

CONSTANTINO, Rodrigo. Esprema um “isentão” que logo sai um esquerdista do outro lado. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/esprema-um-isentao-que-logo-sai-um-esquerdista-outro-lado/. Acesso em: 06-10-2019

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Carlos Alberto Chaves P. Junior

Carlos Alberto Chaves P. Junior

Graduado pela Universidade Federal de Pernambuco ( UFPE) em letras desde o ano de 2008.

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