Aletheiafobia – o pavor da verdade

Advertência pacificadora para os desejosos em continuar a leitura do texto: tranquilize-se, leitor, pois para a leitura das próximas linhas não se faz necessário o uso máscara, álcool em gel, nem luvas. Este que vos escreve não terá a incisiva postura de William Bonner, nem a rancorosa eloquência de Renata Vasconcellos – e se isso incomoda o leitor, volte mais tarde, de preferência após os reclames do plim plim. Aqui o leitor encontrará duas coisas deixadas de lado pela pequena e autoritária mídia: a verdade e a esperança em tempos conturbados. Mas deixemos – provisoriamente – estes dois temas para depois, primeiro convém expor as máculas da chamada “grande mídia”.

O que é um jornalista? A pergunta, por mais que pareça obvia, é compensada por exigir uma resposta mais aprofundada. Definir o que é o jornalista de verdade é apartar-se das caricaturas que poluem a imprensa, bem como daqueles que se auto definem como tal. Considero a melhor definição aquela proveniente do professor Olavo de Carvalho: “o jornalista, quando o é de verdade, [é] uma espécie de historiador-mirim”. O jornalista verdadeiro é aquele cujo trabalho envolve exclusivamente “a pesquisa dos documentos, a crítica das fontes, a confrontação de testemunhos”, bem como a interpretação da ordem dos fatos.

Tente encontrar todos os atributos listados acima em qualquer “jornalista” brasileiro atuante na “grande mídia” e esteja preparado para se decepcionar; mas tenho minha parcela de bom-mocismo e, para que o leitor não fique ao todo chateado, compare este mesmo jornalista a um papagaio – um repetidor incansável, o rótulo coube melhor, não? Pois é… São nas gaiolas que todos os papagaios se juntam, e formam a “mídia”. A mídia conecta – ou assim deveria – todas as classes. Todavia o que realmente ocorre são papagaios vocalizando as mesmas coisas de uma gaiola para outra. É o diálogo interno que pretensiosamente diz expressar a voz da população toda.

A regra é clara: tudo que estiver diferindo do tom afinado da papagaiada deve imediatamente ser considerado um variante extraordinária, exotismo criminoso (leia-se olavista, bolsonarista, reacionário e – para não perder o costume – fascista).

A imprensa no Brasil pode ser compreendida à luz de duas teorias: “A espiral do silêncio” (teoria desenvolvida por Elisabeth Noelle-Newmann), e a “surpreendentemente” pouco conhecida “Teoria do agendamento” (formulada por Maxwell McCombs e Donald Shaw na década de 1970).

Em suma, a primeira teoria consiste em “inibir as opiniões contrárias, transmitindo a impressão de que elas são minoritárias, e que é um crime hediondo o mero intento de expressá-las em público”; na medida em que a segunda linha de pensamento expõe que há filtração de informação, decidindo o que deve ou não ser veiculado (quando, por exemplo, certo canal de televisão interessa-se mais em mostrar o Presidente da República tentando colocar a máscara de proteção, ao invés de aproveitar o momento e informar a população). “As pessoas têm tendência de incluir ou excluir de seus próprios conhecimentos aquilo que os mass media [grandes plataformas de mídia] incluem ou excluem do seu próprio conteúdo” – Diz Donald Shaw.

Um recente exemplo ocorreu quando o Presidente Jair Bolsonaro foi à padaria. No dia, aglomeraram-se apoiadores em volta dele, pessoas por todos os lados, e apenas uma (foco na palavra “uma”) idosa – espero que antes do feito tenha passado álcool em gel – foi heroicamente até a janela de seu apartamento e ressoou a orquestra sinfônica isolada de sua panela. Pergunto-lhe, caro leitor, sabe como a Folha de São Paulo noticiou o acontecimento? Deste modo: “Bolsonaro é alvo de gritos de apoio e panelaço e, sem cuidado, cumprimenta apoiadores em Brasília”. Sim, panelaço – só se for pelo tamanho da panela que a senhora empunhava. O que é isto se não canalhice? É um declarado estupro da verdade pela politização.

As redações brasileiras são como canis: não importa a sua raça, contanto que você aceite ser castrado. Gotthold Lessing é assertivo quando diz: “Em uma competição de coxos, o primeiro que chega ao final continua sendo coxo”. O que resulta de coxos fazendo jornalismo?  Um jornalismo aleijado.

No exato ponto de fusão daquilo que expos Elisabeth, e do que desenvolveram McCombs e Shaw, está a mídia brasileira. Isto é o que chamam de jornalismo. Mas não para por ai… Arrogando-se os “imparciais”, “isentos de ideologia” e “comprometidos com a verdade”, muitos dos canalhas ainda tem a atenção do povo – certamente uma honra indevida. Atentemo-nos por um instante ao adjetivo “imparcial” (repare que até mesmo a imparcialidade foi escolhida pela esquerda, existe algo mais parcial e canalha que isto?). O jornalismo é imparcial? Não! Vejo frequentemente pessoas condenando o que chamam de parcialidade jornalística, mas não entendem que estão mirando no alvo errado. O problema não é a parcialidade, é a hegemonia. O jornalismo é parcial, e se não for, é tudo, menos jornalismo. A hegemonização é o âmago do problema; pois a única parcialidade aceita pela imprensa hoje é entre o “Sim” e o “Com certeza”. Papagaios não são jornalistas. Hegemonia vigarista não é jornalismo, é safadeza. Na mídia atual não há parcialidade, parcialidade exige escolha. Na mídia não há está opção. Fácil é se intitular imparcial quando só um há lado existente, se nada tem para contraste, há apenas conformidade – tal é o grande problema da pequena imprensa, tida como “grande”.

Não há problema nenhum em reconhecer a prostituição midiática (falo, por exemplo, da quantia de 10,2 bilhões que o Grupo Globo recebeu entre os anos de 2003 e 201, via publicidade estatal), a problemática se encontra no fato de externar a ideia acusativa de que todos que divergem das opiniões soberanas da mídia são corruptos, e vendidos à “seita olavista”. Transmitindo assim a ideia de que tudo fora da hegemonia é um grande bordel e que a tábua de salvação, os únicos puros e capazes são os grandes veículos de imprensa. Como dizem os antigos, quando Paulo fala de Pedro, sei mais de Paulo do que sei de Pedro. Quanto mais insistem em apontar o cisco inexistente no olho de seus “adversários” – assim que eles não veem – mais realçada fica a trave presente em seus olhos.

Repito: não há problema em ser uma prostituta, apenas não haja como se fosse a última virgem da zona.

A “grande mídia” arroga-se imparcial, pois sabe que o que está do outro lado – o seu oposto – é a verdade. Na imparcialidade a verdade se dilui, na parcialidade é exposta – assim como a mentira. Assim, quando veem que o coro das gaiolas não faz mais barulho solitário, desesperam-se. A ração da papagaiada esfarela no chão, e assim deixa o rastro para asseverarmos duas coisas: os papagaios estavam sendo bem alimentados pelo dinheiro público, e agora estão famintos. A voz daqueles que se alimentam somente da verdade começa a ser ouvida, o ambiente midiático teme morrer de fome, tornam-se vingativos panfletários, e a briga está travada: mentira contra verdade. Assumamos a nossa parcialidade: A Verdade.

Eis o grande problema da mídia: aletheiafobia – o pavor da verdade. Assim como Fobos na mitologia grega, quando era vista por combatentes, assustava-os passando a impressão de que era um fantasma, o “jornalismo” tupiniquim atua da mesma forma: assombrando-se com a verdade.

Num tempo cujo principal alimento populacional é o relativismo, materialismo e niilismo juntamente com o caos difundido pelo “vírus chinês”, através dos maiores órgãos de mídia, a população se alimenta apenas de migalhas de esperança caídas da mesa do Jornal Nacional, ou até mesmo alimentam-se de puro desespero quando o novo xodó – Átila Iamarino (o que só não pode ser chamado de Drauzio Varela, porque ainda não sujou suas mãos no presídio) – escreve que ficaremos em isolamento até 2024.

As notícias falsas propagadas iniciadas pelo sistema russo-chinês sobre o vírus atravessaram o Oceano Pacífico, tropicalizando-se na cana-de-açúcar, transformando a vodka russa na boa cachaça verde e amarela, e deixando o “jornalismo” como o conhecemos hoje: bêbado. Temo que seja melhor parar de falar sobre isso, pois não tenho em mãos o aparelho necessário para analisa-lo: o bafômetro.

Uma boa lição que podemos extrair do contexto atual é: devemos saber em quem confiamos, pois isto pode nos custar a vida. Fique a critério do leitor, ou acredite na promiscuidade da “grande mídia” – que ultimamente não acerta nem previsão do tempo -, ou acredite naqueles que não são covardes e estão comprometidos com a verdade somente. 

Deixo-vos aqui um espasmo de esperança de nosso contexto que não foi divulgado nos canais puros e virtuosos da TV aberta: 55% das pessoas diagnosticadas com coronavírus já estão recuperadas. E mais: o Ministério da Saúde não é mais comandado por um ortopedista.

Não tenhamos medo de enfrentar a mídia. Respeitá-la é concedê-la uma honra imerecida, não podemos ter medo do ridículo: a palavra “cão” não morde, e pele de leão não lhe arrancará pedaço. A verdade agoniza, mas não morre! “Moderação em defesa da verdade é um serviço prestado à mentira” – como diz Olavo. Deixemos a elegância com os professores de etiqueta. P.S. – peço desculpas pelas comparações feitas envolvendo a prostituição e o “jornalismo”. Certamente há mais ética na prostituição do que na atual mídia brasileira.

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Yuri Ruiz

Yuri Ruiz

Um jovem conservador, antifeminista, antimarxista e cristão.

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