Aqueles que queimam girafas

Russell Kirk, quando se deparou com o conservadorismo político de Edmund Burke, elegeu a prudência ― entre todas as virtudes consideradas pela tradição cristã ― como a mais basilar para a política e a mentalidade intelectual moderna. Dentre os mais variados benefícios da prudência, se destacam a independência, o cuidado e a assertividade elevada das análises construídas através dela. Os prudentes tendem a ser ponderados mesmo quando fazem críticas duríssimas ou elogios efusivos, afinal, ser prudente não significa ser dócil com o erro e nem diplomata de bandoleiros.

A militância da mídia contra Bolsonaro, nessa última semana se tornou algo estridente, ensurdecedor. A radicalização das redações está num nível absurdo e abjeto. Montados agora num palanque ecologista, a mídia descreve um pandemônio da situação florestal na Amazônia que, aos mais desavisados, passa a impressão de que a enorme mata amazônica está em vias de extinção. E a culpa disso é de quem… advinha…

Tudo começou com a contestação das diversas lacunas dos dados do INPE pelo governo federal; a demissão de Ricardo Galvão, diretor do INPE, após duras críticas ao presidente Bolsonaro, foi o passo seguinte; em seguida vieram as pressões internacionais contra o governo, a Alemanha cortou subsídios para a preservação da mata num valor de 155 milhões, em seguida a Noruega também cortou 133 milhões de reais. Tudo isso de maneira muito organizada e rápida; alguns diriam até mesmo “articulada”. Aqueles que destruíram as próprias matas na Europa toda, “queimam” os seus dinheiros com a nossa; o mundo inteiro defendendo a Amazônia, os índios, os animais silvestres… por pura bondade… por caridade? “Aham”, poupe-nos.

A histeria foi tanta que perolas indizíveis estão pululando na internet toda; desde imagens antigas sendo utilizadas como provas cabais de queimadas recentes, boatos e desinformações grotescas de que a escuridão que abateu o estado de São Paulo na última segunda-feita (19) fora causada pela fumaça da queimada da Amazônia brasileira, até pinturas corporais que dão conta de girafas em queimadas na Amazônia.

Sem nenhuma pressa para fazer um fact-checking adequado dos discursos evidentemente exagerados dos jornalistas e ideólogos diversos, a mídia ainda endossou vergonhosamente as narrativas totalmente despudoradas, quase dando a entender que foi Bolsonaro que, com seu próprio isqueiro, acendeu a pira na Amazônia. Especialistas, como Josélia Pegorim, meteorologista do Climatempo, em entrevista ao G1, afirmou que a escuridão é um conluio de queimadas da mata amazônica no Acre e Rondônia, e de pastos na Bolívia.

Ainda que meteorologista Caroline Vidal ― como bem pontuou Paulo Polzonoff Jr. para a Gazeta do Povo ― tenha dito categoricamente que as queimadas nada tiveram a ver com a escuridão em São Paulo. Ainda que a NASA tenha divulgado imagens de satélites que davam conta de que há sim queimadas na mata amazônica, mas que atualmente são as menores dos últimos 15 anos. Informação completamente esquecida pelos checadores de fatos das mídias brasileiras, tão serelepes em contestar as falas presidenciais e tão vagarosos em noticiar fatos.

Pelo bem do seu tempo e do cérebro dos sãos, descartaremos maiores considerações sobre as histerias lacradoras que colocaram ― por exemplo ― girafas na Amazônia. O sensacionalismo de postar fotos de animais queimados, como se há séculos isso já não ocorresse de maneira natural pela união de umidade relativa do ar baixa e matos secos, como se incendiadores tivessem começado suas atuações somente em 2019. Aliás, segundo os dados do INPE, de 1995 a 2005 foram os anos com maiores queimadas na Amazônia. Onde estavam os eco-lacradores? A consciência verde só vale quando o executivo ostenta uma ideologia que coaduna com a sua? Poupem-nos ― novamente ― dessa hipocrisia ecologista. ONG ecologista gosta mesmo é de dinheiro, se gostasse de florestas estariam exportando tal paisagem para a Europa industrializada.

Óbvio que simplesmente ignorar problemas ecológicos, como se fossem bobeiras descartáveis, não é a postura que esperamos de um governo consciente. E diga-se de passagem, podemos melhorar sim nesse trato. Mas até o momento, o que eu realmente vejo é uma grande e nova histeria em torno de algo que já é um problemão há décadas e mais décadas; no entanto, hoje os biomas e aquíferos se tornaram assuntos religiosos, e o desmatamento se tornou munição ideológica contra o governo vigente. Bolsonaro não é nenhum exemplo de trato ecológico, até porque em 8 meses não é possível salvar uma mata e nem recuperar espécies em risco de extinção, mas os que se diziam amantes da Amazônia nada fizeram de efetivo em favor dela, não é mesmo? Dê uma nova olhadinha na tabela do INPE que está acima.

Entre queimadas criminosas e naturais, entre paranoias ambientalistas e eco-terrismos, também há uma queima sistemática de reputação daqueles que não abraçam os ideais à esquerda, no qual, assim como um caminhão de areia desgovernado que desce uma ladeira, da mesma forma a mídia lacradora e a academia parasitária se afunda de maneira boçal e ridícula na sanha militante.

O tempo, meus caros, cobra os mentirosos, e se considerarmos tão somente esses 8 meses já vencidos, o débito me parece altíssimo demais para ser encoberto ou esquecido pelos sensatos; o que nos resta a perguntar, sem nenhuma pretensão de resposta das redações empoleiradas de socialistas regozijantes pelo fracasso, é o seguinte: quem são aqueles que dizem que nós queimamos girafas? Quem são os ideólogos e ONGs aos quais as mentiras superlativadas ― vomitadas nas mídias tradicionais ― tanto interessam? Por que tanto interesse internacional em gastar mares de dinheiro aqui? Por bondade? Epifania ecologista? Amor? Novamente, poupem-nos.

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Pedro Henrique Alves

Pedro Henrique Alves

Filósofo, colunista do Instituto Liberal, colaborador do Jornal Gazeta do Povo, ensaísta e editor chefe do acervo de artigos do Burke Instituto Conservador.

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