Não é coincidência

Li um pouco de Rousseau, Kant, Gramsci, Lukács e alguns outros desses que fizeram as cabeças das esquerdas há muitos anos. Li também alguma coisa de Sartre e até de Foucault. E li o Manifesto Comunista porque é pequeno; O capital, larguei com menos de ¼ porque aquilo é uma maçaroca.

Li depois os humanitários da Escola de Frankfurt. Benjamin, Marcuse, Horkheimer, Habermas, Adorno, Fromm; porque eu achava que os caras do DA, que falavam muito deles, entendiam das coisas e eu não entendia nada. Nessa época conheci Saul Alinsky; era uma cópia vagabunda de Rules for radicals, uma xerox de terceira ou quarta geração, já meio manuseada. De tudo isso, não me lembro de grande coisa e poucos livros cheguei a terminar, com muito custo, mas as únicas coisas que ficaram na minha cabeça, impressas, foram: 1) claro que, lendo porque estava me forçando a ler, nem poderia entender grande coisa na hora, mas para mim aquilo representava uma ruptura geral e aquele negócio não podia dar certo e 2) aquilo era chato pra chuchu. Ô literatura chata.

Por pura preguiça (Deus me livre de ter que buscar nos originais), fui procurar em um vídeo do Carlos Reis[1] um resumo dos objetivos desse pessoal cheio de amor pela Humanidade (os itálicos são meus). Vejam:

  • Criação de ofensas raciais – hoje qualquer coisa é uma ofensa racial ou pode ser manipulado para que o seja;
  • Mudança contínua e criação de confusão – estimulação contraditória gera cérebros de ketchup e condicionados a seguir as ordens dos portadores da “verdade” (que invariavelmente são autodenominados);
  • Ensino de sexo e homossexualidade às crianças – foram muito além disso: incluíram feminazismo, abortismo e todo horror da ideologia queer[2];
  • Minar a autoridade das escolas e dos professores – idem, ibidem: incluíram todo o rol de “direitos” e praticamente eliminaram os deveres. Deu no que deu;
  • Promover bebedeiras: bebida em excesso – drogas evidentemente estão incluídas no pacote;
  • Esvaziamento das igrejas – no plural mesmo: particularmente das cristãs, começando pela Igreja Católica, mas sem esquecer de ridicularizar as protestantes também. Afinal, esses cristãos desagradáveis atrapalham suas lindas intenções imanentes com aquela conversa de soteriologia transcendente;
  • Criar sistemas legais inconfiáveis – com viés de proteção ao bandido e não às vítimas – muitíssimo bem explicado no fundamental Bandidolatria e democído[3];
  • Dependência do Estado e de seus benefícios – nem é preciso dizer que, por um lado, a tara pela criação de regras, normas, fiscalizações e punições e, pelo outro lado, obviamente oferecer todo tipo de pacotes de bondades, compõe o quadro ideal para uma minoria de “eleitos” exercer o controle e, para a imensa maioria, o cabresto que precisam, que lhes oferecerá algum alívio, visto que a essas alturas já estarão totalmente confusos;
  • Controle e emburrecimento da mídia – sem palavras: aguardem 9 e ½ semanas de Falha[4], de Rodrigo Jungmann;
  • Encorajamento da ruptura dos laços familiares – essa é praticamente a pedra fundamental desse edifício. Foi experimentada com bastante sucesso na “Revolução Cultural” de Mao Zedong e no Camboja de Pol Pot.

Podemos acrescentar outros:

  • Infiltrar-se em todos os ambientes possíveis para sabotar desde dentro qualquer tentativa de resistência futura, que eles sabiam muito bem que viria – a triste figura do atual STF, o pior de nossa história, também não é uma coincidência;
  • Elevar ao status de “arte” qualquer manifestação popular e, paralelamente, ridicularizar a verdadeira cultura, aquela que forma gerações, eliminando as diferenças entre cultura popular e alta cultura e principalmente entre o vulgo e o Belo. Também elevar a esse status qualquer aberração sexual. Não estou falando de homossexuais, falo de aberrações. Homossexuais sempre fizeram parte das sociedades normais, mas aberrações, só de sociedades doentes;
  • Desmoralizar as polícias militares via imprensa e emasculá-las via pressão política;
  • Alterar por todas as formas o próprio idioma, adulterar o sentido das palavras e criar neologismos. “Homofobia”, “islamofobia” ou outras fobias, que não passam de frankensteins linguísticos, “gênero” em lugar de “sexo”, ou a criação de expressões-gatilho simplesmente estúpidas, como “lugar de fala”. Isso já estava preconizado pelo menos desde 1984, de George Orwell, mas foi potencializado até a demência. Apropriar-se de símbolos está nesse pacote. P. ex., o arco-íris como símbolo do movimento gay. Aliás, a própria palavra “gay”, que foi esvaziada de seu significado, “alegre”, é parte da agenda;
  • Revisitar e reescrever toda a historiografia: tudo deveria ser visto sob a perspectiva da mudança social;
  • Criar milícias de patrulheiros (a entidade mais chata da história da criação divina) para vigiar tudo isso e quem tenta escapar do cercadinho[5];
  • Incentivar toda e qualquer ruptura social: a luta de classes rediviva. A lista não tem fim, melhor parar por aqui.

Resultado: indivíduos esvaziados de seus valores e dependentes do Estado-paizão ou de seus esbirros, como p. ex. a classe artística, com suas honrosas exceções, tornam-se presas fáceis. Ao menor sinal de descontrole, quase que do nada, surge um patrulheiro e devolve a ovelha fujona à sua nova religião, já que se trata de uma religião política.

A mim custou um pouco (mentira: custou muito), mas percebi que os caras do DA é que não entendiam nada e eu, que começava a riscar a casca do imbróglio todo, me sentia cada vez mais confuso, mas não queria um cabresto, só queria me desintoxicar.

A essas alturas, creio que todos perceberam que os revolucionários profissionais conseguiram atingir – pelo menos até certo ponto – seus objetivos. O Brasil tornou-se uma nação em estado galopante de emburrecimento, de torpeza e de covardia. Mas isso aqui nem sempre foi assim, e aqui voltamos ao título: não é coincidência.

É contra isso que lutamos. A guerra em si não tem fim, mas como e porque pelo menos a batalha presente será vencida é material para outro ensaio.

 

Referências:

[1] https://www.youtube.com/watch?v=OLj-C9Gx25k

[2] LAJE, Agustín e MARQUEZ, Nicolás. O livro negro da nova esquerda. Curitiba: Danúbio, 2018.

[3] SOUZA, Leonardo Giardin de e PESSI, Diego. Bandidolatria e democídio – Ensaios sobre garantismo pela e a criminalidade no Brasil. Santo André: Armada, 2017, 2ª edição.

[4] JUNGMANN, Rodrigo. 9 e ½ semanas de Falha – Resenhas urgentes a serviço do Brasil. Santo André: Armada, 2019 (no prelo).

[5] A imagem que ilustra esse brevíssimo ensaio é a da contracapa de LIBARDI, Rafael C. Sorria, você está sendo enganado –Santo André: Armada, 2018.

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Márcio Scansani

Márcio Scansani

Nasceu em Santo André/SP, em 1960. É formado em Propaganda & Marketing pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo/SP, foi publicitário comercial por formação e é editor de livros por opção. Passou por Editora Globo, jornal O Estado de S. Paulo, revista IstoÉ, RBS – Rede Brasil Sul, Diário Popular e Gazeta Mercantil, antes de se dedicar aos livros, paixão de toda a vida. Depois de mudar os rumos de sua carreira, já como revisor, preparador de textos e editor, participou de mais de 100 livros. Atualmente é editor da Armada.

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