O problema da educação é a ideologia, sim senhor

O problema educacional no Brasil é tão antigo quanto os ancestrais dos índios que hoje a FUNAI coloca em cercados de terra no meio de matas isoladas, dizendo ser um ato humanista[1]. Isto é: a aporia da educação brasileira vem dos resquícios do pombalismo português; da contaminação positivista da patota fardada de Deodoro da Fonseca; das seduções românticas da teoria marxista de meados das décadas de 1950-70; depois novamente com o tecnocentrismo positivista dos generais durante o Regime Militar; e, por fim, do comunismo sistêmico e histérico alastrado nas universidades brasileiras dos dias atuais.

As ideologias governamentais sempre impuseram suas visões políticas às estratégias educacionais do país; nenhum susto até aqui, ao contrário, se trata até de um ato esperado e “normal” numa sociedade na qual visões políticas se digladiam e buscam espaços estatais numa ferocidade bestial. Bem sabem os governantes que a educação é uma das principais fontes culturais de uma sociedade, e, se for conduzida de maneira eficiente e certeira, em 20 anos tal fonte desembocará num mar grandioso, expansivo e culturalmente hegemônico. Absolutamente, tudo que uma ideologia quer para se tornar gigante e soberana num país.

Quem ensina, quem decide o que ensinar, e como ensinar, a longo prazo determina os rumos culturais e científicos do país ― nem que tais rumos desemboquem numa cultura decaída e politizada, em uma ciência acéfala e sem perspectivas.

Obviamente que a educação não nasceu para o cabresto governamental, que a verdade ― objeto que deveria ser o primeiro e único desejo das mentes estudiosas ― não assume cores ideológicas. Mas agora, descendo do “bonde do ideal”, bem sabemos que na realidade os governos buscam, com maior ou menor tirania, conduzir a educação para um terreno mais ideologizado e romântico, a fim de que ela tencione o pêndulo social para os lados políticos que os beneficiem.

O que quero dizer é que as visões políticas dos governos sempre determinaram como a educação brasileira deveria ser conduzida; a ideologia do partido governante determina os rumos conceituais, administrativos e políticos desta pasta há tempos. E veja, nem precisamos de conspirações para chegarmos a tal conclusão óbvia.

O PT geriu a educação nos moldes pedagógicos socialista durante 14 anos. Desta maneira, atos administrativos relegados ao MEC seguiam esta prévia condição de uma educação de moldes vermelhos; falta de recursos, escolas sucateadas, professores com salários baixos, são sintomas tardios de uma administração débil, economia fraca e ingerência pública que, de uma forma ou de outra, também é baseada na ideologia oficial do governo. Uma economia socialista tende sempre ao fracasso, o fracasso econômico de um país, por sua vez, reflete nas áreas administradas pelo Estado, inclusive na educação. Ou seja, no começo da decadência escolar ― seja ela em níveis teóricos ou estruturais ― está uma visão político-econômica falha, visão essa baseada numa ideologia oficializada pelo governo atuante. Dessa maneira, o problema educacional no Brasil parece antes vir das ideologias fracassadas masturbatoriamente colocadas em prática, e não dos demais sintomas erroneamente apontados como causa, isto é: ingerência, falta de recursos e maus salários.

A conclusão natural é que a ideologia, unida ao mau caratismo ― que naturalmente vem mais ou menos atrelado às visões ideológicas ―, são a causa mesma da ingerência e da insuficiência educacional do país. Se nosso sistema educacional é debilitado, se nossos alunos são mal preparados e mais ainda mal estimulados, não se trata somente da falta de investimentos e escolas sucateadas ― ainda que, obviamente, tudo isso também influencie ―, mas se trata antes de uma cultura na qual o erudito é tachado como coisa de burguês; na qual a educação está atrelada a ativismos e militâncias; na qual o ser político é mais importante do que ser estudante; na qual o professor assume a missão de formar cabeças de gados, e não cidadãos inteligentes e capazes de escolher por si próprios as tendências políticas que defenderão.

Se a nossa educação é pífia e irrelevante, deveríamos ter observado com maior esmero ― por exemplo ― o positivismo da era militar, assim como o socialismo da era PSDB-PT, ideologias que nortearam os respectivos governos e que, sem nenhuma dúvida, ajudou no castramento educacional e na frondosa relva de estudantes que militam mais vezes ao ano do que abrem livros. Não paramos nesse limbo estéril, em que não conseguimos formar majoritariamente sequer 2/3 de nossos jovens com capacidades ralés de interpretação textual, à toa. Não estacionamos aqui pela força de um acaso desgraçado ou pela simples inaptidão técnica de maus administradores.

Essencialmente dizendo, não é por falta de cadeiras boas e lousas interativas que não nos habituamos a ler Machado de Assis e Gilberto Freyre; não é pela escola sem pintura que podemos justificar as nossas inépcias na matemática. Escolas boas e bem estruturadas, com mentes desinteressadas e sem nenhum estímulo cultural para a vida intelectual, são apenas salões principescos sem nenhuma fonte de luz para iluminá-los.

A ideologia e a doutrinação são sim os cânceres primordiais a serem combatidos na restauração da educação do país. Mentes enclausuradas por chiqueiros político-partidários não produzirão prêmios e ciências verdadeiras; combater a infecção ideológica do marxismo, que leva professores e alunos a se fecharem num bunker de totalitarismos e catequizações em massa, é com certeza algo a ser encarado com seriedade e responsabilidade. A dita alta cultura não se faz com apequenadas ideologias políticas.

O problema educacional no Brasil é nevrálgico e primordialmente político. No cerne do entrave está: a catequização partidária da educação e a nossa invejável incapacidade de criar um campo adequado para que o intelecto infantil e juvenil se forme sem ser encharcado por ativismos e militâncias ideológicas.

 

Referência:

[1] Não tem absolutamente nada a ver com o assunto que iremos abordar no artigo, apenas quis atacar gratuitamente a política ridícula de demarcação de terras indígenas da FUNAI.

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Pedro Henrique Alves

Pedro Henrique Alves

Filósofo, colunista do Instituto Liberal, colaborador do Jornal Gazeta do Povo, ensaísta e editor chefe do acervo de artigos do Burke Instituto Conservador.

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