Imagem: Marcos Brindicci/Reuters

O tedioso ciclo vicioso

Um recado muito simples.

Vejamos alguns fatos. Podemos chamá-los de constantes:

  • Onde assume o poder, seja pelo voto, seja pelas armas, a esquerda faz uma sucessão de trapalhadas, mau-caratismos e estupidez, não privilegia a meritocracia, apenas o alinhamento ideológico, aparelha os Estados até a demência, alia-se a todos os grupos que governos decentes deveriam combater, comete sempre os mesmos erros (o que nos faz ver que não são erros, são objetivos) e faz estragos tão grandes que, quando possível, é despachada do poder – seja pelo voto, seja pelas armas;

 

  • Quanto mais chucra, mais se agarra ao poder pela maneira que melhor conhece e entende: a força. O que acontece em Cuba e na Venezuela não é coincidência nem azar: é método. No caso da social-democracia, esses são tão perniciosos quanto, mas são mais espertos (Angela Merkel e Emmanuel Macron são apenas os exemplos mais evidentes – poderíamos colocar aqui Hussein Obama, Hillary Clinton e Justin Trudeau, mas os dois primeiros bastam), agem no longo prazo e a destruição que promovem é mais cultural do que econômica;

 

  • Depois de despachada do poder, defende-se por meio de seus agentes infiltrados, uma vez que já previa reações, pois já sabia de antemão o que aconteceria quando estivesse no poder em qualquer lugar que fosse; suas cabeças pensantes sabiam que o discurso duplo (internamente é uma coisa, é objetivo, mas para a militância é outra: é a redenção messiânica e utópica) funciona e, evidentemente, como já plantou agentes, está enfiada na máquina administrativa, social, religiosa e de imprensa em todos os níveis até o DNA exatamente para isso, passa todo o mandato de seu sucessor trabalhando para derrubá-lo. Foi para isso que esses agentes foram colocados onde estão, ou alguém duvida que Toffoli, aquele que sozinho já deslegitima todo o STF, foi colocado ali exatamente para fazer o que está fazendo? E esse é apenas o mais evidente; quantos outros existem infiltrados, sem identificação partidária, que desconhecemos?

 

  • Dessa forma, desestabilizar o inimigo é seu único objetivo. Único. E invariavelmente usando de todo o rol de ações mais baixas, desde as acusações para fingir combater o mal que eles próprios criaram, impedindo seu sucessor de combate-lo com legitimidade até a infalível vitimização;

 

  • O pior: o faz armada das acusações contra a austeridade que o governo que a substituiu tem que adotar para resolver os problemas que essa mesma esquerda criou;

 

  • Aproveitando-se dos números da ascensão do idiota (grande Nelson!), da falta de memória e da ingenuidade das massas enquanto coletivos, impõem-se pelo sentimentalismo tóxico e as reconquistam;

 

  • Voltam ao poder e recomeça o ciclo vicioso, onde vão cometer os mesmos, os mesmíssimos crimes, erros e trapalhadas, só que mais fortalecidos, mais prevenidos. Questão de lógica. A boa notícia é que já há sinais de percepção dessa realidade, pelo menos no Velho Mundo: Áustria, Itália e Espanha – as duas primeiras, com conservadores em maior ou menor grau – esse grau não faz diferença agora –, no poder, e a última, no mínimo colocando conservadores no Parlamento, o que não ocorria há anos. Mas estamos no terceiro mundo.

Muito bem, e o que tem isso a ver conosco, hoje? Já chego lá.

Esse ciclo vicioso é precisamente o que está acontecendo na Argentina, a olhos vistos. Leio que Cristina Kirschner, a petista argentina, aquela que destruiu a economia do país, que aparelhou o Estado argentino, que corrompeu suas estruturas, que apoia os regimes assassinos que o pt apoia e que, aliás, era tão amiguinha do pt que recebeu US$ 8 bilhões do BNDES nas gestões petistas, dinheiro que praticamente não veremos de volta, lidera as pesquisas para as próximas eleições, mesmo com caminhões de processos nas costas[1]. Das duas, uma: ou é o ciclo vicioso em ação frenética ou tem DataFolha atuando por lá.

E aqui chegamos ao ponto: espero que o governo Bolsonaro esteja prestando atenção a esses fatores, pois é exatamente o que pt, psol, pcdob, a imprensa engajadinha, o Projaquistão e os padrecos da teologia da libertação estão fazendo: investindo no caos.

As coisas nunca vão melhorar de verdade, com solidez, enquanto não pararmos de combater os efeitos e não as causas.

 

Referência:

[1] São oito processos no total; por ser senadora, a criatura tem imunidade parlamentar e suas desculpas são as mesmas, as mesmíssimas de lula: trata-se de uma perseguição orquestrada pelo presidente Mauricio Macri. Eles são todos muito previsíveis. Ver https://www.efe.com/efe/brasil/mundo/juiz-argentino-abre-novo-processo-contra-cristina-kirchner-por-corrup-o/50000243-3928569.

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Márcio Scansani

Márcio Scansani

Nasceu em Santo André/SP, em 1960. É formado em Propaganda & Marketing pela Universidade Metodista de São Bernardo do Campo/SP, foi publicitário comercial por formação e é editor de livros por opção. Passou por Editora Globo, jornal O Estado de S. Paulo, revista IstoÉ, RBS – Rede Brasil Sul, Diário Popular e Gazeta Mercantil, antes de se dedicar aos livros, paixão de toda a vida. Depois de mudar os rumos de sua carreira, já como revisor, preparador de textos e editor, participou de mais de 100 livros. Atualmente é editor da Armada.

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