Parabéns, Felipe!

Desde o início do ano, quando vi Felipe Moura Brasil (FMB) chamando Gustavo Bebianno para uma entrevista que mais serviu como bancada de defesa do advogado perante a opinião pública, eu percebi que havia “algo de podre no reino da dinamarca”. Não era normal a reação truculenta com que FMB tentava, ridiculamente, “provar” que sua versão estava certa. Há momentos em que a vaidade ultrapassa seus próprios limites e dá sinais de algo maior, mais profundo e mais perverso.

A mesma coisa com a burrice e os erros de interpretação. Ou será mesmo que toda essa narrativa de “blogueiros de crachá”, “gabinete do ódio” etc., foi causada por uma equivocada, porém honesta, interpretação dos fatos? Quando o professor Olavo publicou o vídeo dizendo da necessidade de se criar uma militância pró governo (e logo em seguida fez um outro vídeo didaticamente intitulado “desenhando a explicação”), houve ali alguma novidade? Eu não acompanho o professor a tanto tempo, mas já não é a primeira nem a centésima vez que o ouço dando esse conselho à direita brasileira. Desde os idos de True Outspeak, o vô (apelido que eu e meus irmãos usamos para nos referir a ele) fala disso, dando o mesmíssimo conselho. Quando o presidente venceu as eleições, de novo: “eleger um presidente conservador sem uma militância conservadora organizada, sem uma mídia conservadora etc., é jogar o cara aos leões”.

Então, sinceramente, qual foi o choque que fez o FMB começar a perseguição aos apoiadores do governo, ao Terça Livre, à galera da vaporwave, etc? Tudo bem, você pode discordar do cadastramento proposto pelo Allan dos Santos, como o próprio Olavo discordou. Mas, muito além da mera discordância, o que o diretor de jornalismo da Jovem Pan fez foi aproveitar a chance para iniciar uma verdadeira caça às bruxas. Desde então, só cresceu a narrativa de que havia um centro coordenado (e pago) de difamação, com o objetivo de assassinar reputações. O que antes eram os “robôs do bolsonaro”, agora são os MAV’s.

E não se trata apenas de uma chateação que uns adolescentes estão passando no Twitter. O que se reivindica é a exclusividade da informação. Quem são esses pirralhos para achar que podem chegar na internet e fazer um trabalho melhor que o meu, com mais alcance do que eu e ainda tirar uma onda com a minha cara com esses memes que eu não entendo? Essa é a primeira porrada de uma guerra que pelo monopólio da informação.

FMB agora não é mais aquele cara que fazia seus vídeos de forma caseira, com edição simples e textos bem escritos. Não é mais o cara que fez a (excelente, diga-se de passagem) paródia de águas de março com a chinchilla produções. Agora ele é a grande mídia. E não foi lá para “ser um dos nossos” lá dentro. Não por acaso, dias depois de fazer sua ode à Bebianno, ele ganhou o cargo de Diretor de Jornalismo da Jovem Pan.

O mais impressionante é a mentira na qual se opera toda essa campanha: todos os que reclamam da perseguição da militância organizada imaginária são – todos eles – funcionários de grandes veículos de mídia, gravando seus vídeos em estúdio próprio, com edição profissional e tudo mais. Mas eles são os anjos, os santos perseguidos. O capeta mesmo é o Loen e o Hiram, do Ninguém se Importa Podcast (quem não conhecer, conheça); é o Leitadas do Loen (segundo o FMB, o “fiel escudeiro” do Loen) que nem endereço tem (quem já morou numa favela do Rio entende)! É demoníaco.

Não lembro de quem ouvi essa frase, mas ela é totalmente verdadeira: você pode se reconfortar pensando “ah, mas esses caras pegam pesado mesmo”, como se a sua suposta temperança fosse uma proteção confiável. Não é. Hoje são os “malucos do Twitter”. Amanhã, o novo maluco é você, que discordou de um a qualquer que a grande mídia publicou, e teve a audácia de publicar sua discordância.

Agora me permitam um desabafo: eu fico muito triste, mas muito triste mesmo por ver um cara como o FMB fazendo esse papel de Judas Iscariotes. O cara é aluno do Olavo, aquele que disse que tinha vindo “pra foder com tudo”. O cara organizou os artigos que formaram O Mínimo que Você Precisa Saber para Não Ser um Idiota, um dos maiores best sellers do mercado editorial brasileiro. Muita gente sugere que ele não “virou a casaca”, que ele sempre foi assim, e só agora estamos sabendo. Eu não tenho capacidade de julgá-lo nessa profundidade. O que eu julgo são suas atitudes concretas.

Concretamente, agora está aberta a CPMI das Fake News, para a qual foi convocado Filipe G. Martins para depor. Convocação feita por ninguém menos que Rui Falcão, ex-presidente nacional do PT. Não é irônico? O cara que, na Veja, era praticamente uma voz solitária contra os absurdos petistas, serve de bandeja o fundamento para a convocação de seu colega de sala (Filipe Martins também é aluno do Olavo) para uma autoritária Comissão Parlamentar Inquérito.

E tomando por base os ensinamentos do próprio Olavo, pouco me importa as supostas boas intenções de ele, ou qualquer um possa ter. E nem vou apelar ao batido “de boa intenção o inferno está cheio”. Mas, nas palavras do professor, que boa intenção pode ter alguém que não está comprometido com a busca da verdade? Quem julga as intenções é Deus. Nesse mundo, em nosso tempo, o que vale são as ações concretas e seus concretos desdobramentos. E a consequência da fofoquinha travestida de reportagem do FMB foi essa: um petista convocando um assessor de assuntos internacionais para responder se é verdade que ele paga uma galerinha adolescente para falar mal dos outros e fazer memes no Twitter.

Parabéns, Felipe. Espero que faça bom proveito das trinta moedas de prata.

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Igor Moreira

Igor Moreira

Editor do Burke Instituto Conservador. Professor e palestrante.

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