Conservador, intelectual e patriota: A vida de Joaquim Nabuco parte I

Poucos homens viveram e foram tão grandiosos como Joaquim Nabuco. Ler sua autobiografia foi um deleite, mais pelo conteúdo que pelo estilo. Um monarquista, um intelectual, poliglota, um verdadeiro homem de virtudes e de interessantes nuances. Decidimos usar este espaço nas próximas semanas para resgatar a memória deste brasileiro e pedimos, de antemão, a participação do leitor nesta aventura, sim aventura, pois, diante da contaminação ideológica, resgatar do obscurantismo nomes primorosos de nossa história, sempre é um desafio a ser bem acolhido. Pelas próximas segundas falaremos da vida, de uma boa polêmica entre este gigante e o grandioso José de Alencar, a questão abolicionista e sua razão de ter sido, talvez, um dos maiores monarquistas de nossa terra. Desfrutem!

Joaquim Aurélio Barreto Nabuco de Araújo, filho do futuro Senador José Tomás Nabuco de Araújo e de Ana Benigna de Sá Barreto, irmã de Francisco Paes Barreto, o Marquês de Recife. Nasceu no dia 19 de agosto de 1849, no sobrado da Rua do Aterro da Boa Vista (hoje Rua da Imperatriz Tereza Cristina), em Recife, Pernambuco, sendo o quarto filho do casal. Em sua distinta e brilhante árvore genealógica constam nomes como: Senador José Tomás Nabuco de Araújo (avô paterno) e de José Joaquim Nabuco de Araújo (tio-bisavô), Barão de Itapuã, magistrado e senador do Império entre os anos de 1826 até 1840. O sangue não lhe permitiria fugir da política, nem a mente negaria a inteligência nata que sempre habitou no seio de sua família.

Durante sua infância, seus pais seguiram para o Rio de Janeiro e ele foi morar com sua madrinha, dona Ana Rosa Falcão de Carvalho, no Engenho Massangana, localizado no município do Cabo, em Pernambuco. O menino Nabuco passou sua infância nesse engenho, onde teve seu primeiro contato com os escravos e onde permaneceu até a morte de sua madrinha, ocorrida em 1857, quando ele tinha apenas oito anos. Os pais o buscaram anos antes, mas a madrinha teria insistido que jovem rebento continuasse de baixo seu cuidado.  Essa fase foi importante, pois preparou a mente do menino para o plantio das “sementes morais” que cresceriam no jovem e que lhe dariam lembranças saudosas, já velho. O grande escritor e sociólogo brasileiro Gylberto Freire escreveu sobre esta época, no prefácio da edição de Minha Formação, distribuída pelo site do Senado Federal, o seguinte: “Trazia da infância de menino de engenho, criado pela madrinha pernambucana quase matriarcal, mais como filho do que como afilhado,  mais como neto do que como filho, mais como menina do que como menino – tanto que em Maçangana não aprendera a montar a cavalo – o interesse pelo escravo. Um interesse com alguma coisa de docemente feminino no seu modo humanitário, sentimental, terno, de ser interesse. O que, sendo certo, antes engrandece do que diminui a figura, na verdade, quase apostólica de abolicionista em que se extremou Joaquim Nabuco”.  O próprio Nabuco recorda este tempo com um doce saudosismo em Minha Formação: “Os primeiros oito anos da vida foram assim, em certo sentido, os de minha formação, instintiva ou moral, definitiva…”. Em outro trecho do mesmo capítulo, Massangana, afirma: “As impressões que conservo dessa idade mostram bem em que profundezas os nossos primeiros alicerces são lançados“. Ruskin escreveu esta variante do pensamento de Cristo sobre a infância: “A criança sustenta muitas vezes entre os seus fracos dedos uma verdade que a idade madura com toda sua fortaleza não poderia suspender e que só a velhice terá novamente o privilégio de carregar. Continua em outro momento a enfatizar a importância dessa fase para sua formação: “Meus moldes de ideias e de sentimentos datam quase todos dessa época.”

Após a morte da madrinha, mudou-se para a residência de seus pais, no Rio de Janeiro, onde realizou os estudos de nível primário e, posteriormente, na cidade de Nova Friburgo, os de nível secundário, estes feitos em colégio dirigido pelo Barão de Tautphoeus. Platão teve Sócrates e Nabuco teve Tautphoeus. O modo como a memória deste senhor permaneceu viva e tão bem querida para Nabuco rivaliza com o modo como este via o próprio pai. O Barão de Tautphoeus foi não somente um norte intelectual como um exemplo de vida e devoção a terra brasileira.  Em 1869, transferiu-se para a Faculdade de Direito, no Recife, dando continuidade ao curso, iniciado na Faculdade de São Paulo em 1866. Na faculdade de direito de São Paulo, conheceu personalidades que teriam grande importância dentro do palco nacional tanto das letras como da política, a saber, os futuros presidentes Rodrigues Alves e Afonso Pena, o poeta Castro Alves e o jurista Ruy Barbosa com quem manteria uma amizade por muitos anos. Em 1870, diplomou-se em Ciências Sociais e Jurídicas. Depois da formatura, regressa ao Rio de Janeiro, onde tentou advogar. Em 1872, tendo vendido o Engenho Serraria, herança de sua madrinha, viajou para a Europa em 1873 onde passou um ano. Nesse período, fez contatos com intelectuais e políticos.

Entre os muitos intelectuais que conheceu, convém escrever de modo mais prolongado sobre a figura do escritor, filósofo, teólogo, filólogo e historiador francês Joseph Ernest Renan. A influência de Renan é evidenciada nas páginas de Minha Formação e, inclusive, em sua viagem a França. Segundo o próprio Nabuco escreveu em sua autobiografia: “Dentro de minutos me aparecia Renan. Na minha vida tenho conversado com muito homem de espírito e muito homem ilustre; ainda não se repetiu, entretanto, para mim, a impressão dessa primeira conversa de Renan. Foi uma impressão de encantamento; imagine-se um espetáculo incomparável de que eu fosse espectador único, eis aí a impressão. Eu me sentia na pequena biblioteca, diante dos deslumbramentos daquele espírito sem rival, prodigalizando-se diante de mim, literalmente como Luís II da Baviera na escuridão do camarote real, no teatro vazio, vendo representar os Niebelungen em uma cena iluminada para ele só.”

“Dessa entrevista não saí só fascinado, saí reconhecido. Renan deu-me cartas para os homens de letras que eu desejava conhecer: para Taine, Scherer, Littré, Laboulaye, Charles Edmond, que devia apresentar-me a George Sand, Barthélemy Saint-Hilaire, por intermédio de quem eu conheceria monsieur Thiers. As nossas relações tornaram-se desde o primeiro dia afetuosas, e, naturalmente, quando imprimi o meu Amour et Dieu, mandei-lhe um dos primeiros exemplares.

No capitulo referente a Ernest Renan, Nabuco coloca o perigo de desejar admiração e elogios de alguém que desperta em nós admiração. Nabuco de fato recebeu muitos elogios por parte de Renan, através de uma carta, depois deste haver lido Amour et Dieu. As exatas palavras de Renan foram: Oui, vous êtes vraiment poète. Vous avez l’harmonie, le sentiment profond, lá facilité pleine de grâce (Sim, você é realmente um poeta. Você tem harmonia, um profundo sentimento, a naturalidade cheia de graça.) Quem não se sentiria cheio de euforia ao ler tal carta que ainda convidava para uma conversa? Contudo, nem sempre o sorriso e o afago representam a verdade, às vezes, a educação e o respeito pela dedicação e esmero do outro norteiam, ou maculam, a crítica. No livro SOUVENIRS D’ENFANCE ET DE JEUNESSE (lembranças da infância e juventude), o qual recomendo a leitura, Renan coloca, inspirado certamente nos tantos espíritos novos que lhe pediram leitura e crítica de seus trabalhos, que, segundo a tradução feita por Nabuco em Minha Formação: “Desde 1851 acredito não ter praticado uma só mentira, exceto, naturalmente, as mentiras alegres de pura eutrapelia, as mentiras oficiosas e de polidez. (…)Um poeta, por exemplo, nos apresenta os seus versos. É preciso dizer que são admiráveis, porque sem isso seria dizer que eles não têm valor e fazer uma injúria mortal a um homem que teve a intenção de nos fazer uma civilidade.” Tal fato deve ter propiciado o espirito elevado e cheio de certezas que deu o tom dos embates com José de Alencar nas páginas do jornal o Globo. Há muito perigo em se dizer uma verdade, claramente, porém, há muito mais perigo em se tecer elogios distantes desta. Já o político, teólogo e critico Edmond Henri Adolphe Schérer mostrou através de um silencio e olhar polidos, porém bastante significativos, o desejo de não delinear em palavras o que havia lido das mãos do jovem Nabuco. Este último fato, mereceria mais acolhimento e reflexão por parte do jovem poeta, todavia, a juventude prefere os embates e suas explosões a ponderação e análise. Receber elogios é maravilhoso, porém, a crítica garante a evolução e crescimento e uma mente inteligente sabe abraçar o que ouve e lê com sabedoria, separando meros ataques frutos de ódio e inveja da ajuda necessária, da crítica verdadeira e do conselho amigo. O desejo de manter a ilusão de possuir uma grandiosidade que na realidade está longe de ser alcançada ou somente levemente delineada, pode ser a morte do êxito e sucesso como escritor A. D. Sertillanges em sua obra A vida Intelectual afirmou: “… venham à vida intelectual com propósitos desinteressados, não por ambição ou tola vaidade…”. Nabuco de modo semelhante oferece este conselho: “O escritor juvenil que não se resignar ao sacrifício da sua honra literária não fará progresso em literatura.”

Em 1876 obteve seu primeiro cargo público: o de adido de legação, por meio do qual passa cerca de um ano nos Estados Unidos. Em março de 1878 morre seu pai que, antes de falecer, assegurou sua vitória na eleição como deputado geral pela província de Pernambuco junto ao Barão de Vila Bela, Francisco de Paula Magessi Tavares de Carvalho, até então chefe político de Pernambuco. Deixa claro na sua autobiografia, Minha Formação, que assim cumpria a ambição do pai de vê-lo seguir a carreira política e tendo sua mãe sendo grande defensora do desejo do falecido marido. Era assim Nabuco a quarta geração a adentrar a vida política brasileira e o fez com honra e boa consciência, defendendo os ideais da abolição algo que marcaria sua vida e figura, pois mesmo tanto tempo depois da sua morte ainda a causa da libertação dos escravos marca o modo como vemos Nabuco. Talvez esta seja a razão de sua não reeleição.

Nabuco era um pensador que desafiou a mente de muitos, inclusive de vários abolicionistas, refiro-me àqueles que viam a libertação dos escravos como algo necessário do ponto de vista econômico, somente um passo útil, pois Nabuco via a libertação dos escravos como um dever moral e de extirpar as consequências deste vilipendio para com a humanidade, uma urgência; era ainda a criança de Massangana, pura e doce, que gritava dentro do jovem abolicionista. Nabuco, contudo, em seus embates com Alencar, tinha uma visão bastante restrita sobre o uso do negro nas produções teatrais o que parece ser até irônico visto o modo como entendia a abolição fora da ficção. Talvez isso revele que por mais futurista que seja a alma em seus desejos e sonhos, a mente ainda é filha do presente com suas limitações e conceitos. Um homem que conviveu com as figuras dos irmãos Rebouças e de José do Patrocínio, ainda teria na mente um olhar por momentos restrito sobre o papel do negro, mas, obviamente, essas nuances não retiram seu valor como grande abolicionista, ao contrário, enriquecem a sua personalidade. Julgar Nabuco por um viés ideológico é realizar um estudo pobre e panfletário, algo que aqui, buscamos evitar.

Em 1882, derrotado nas eleições para a Câmara dos Deputados, vai rumo a Europa. No dia 10 de fevereiro de 1888 conseguiu uma audiência particular com o Papa Leão XIII com quem conversou e pediu que se pronunciasse contra a escravidão existente no Brasil e na África. O Santo Padre e sucessor de Pedro havia canonizado Pedro Claver (Verdú, Espanha, 26 de junho de 1580 – Cartagena, Colômbia, 8 de setembro de 1654) um padre jesuíta e missionário espanhol, tendo recebido entre tantos títulos o de libertador dos escravos e padroeiro destes. Nabuco acreditava ser o Papa Leão XIII uma figura eclesiástica convergente com os ideais da libertação dos escravos indo para além dos seus santos predecessores que combateram mais fortemente o tráfico. Quando foi anunciado, o Papa o recebe sentado numa cadeira, com um livro de versos latinos na mão e de forma bem acolhedora o pede que sente na cadeira ao lado da sua, logo em seguida pede que Nabuco decida em qual língua prefere que este dialogue com ele. Um ponto interessante é que a conversa foi pedida pelo grande abolicionista para ser realizada em francês.

Persuasivo e carismático, consegue do Papa a promessa de que ele se pronunciaria na encíclica em favor dos escravos, porém, esta somente seria publicada após a assinatura da Lei Áurea. Nabuco tinha, como já dito anteriormente, muito da sua infância em Massangana, o que havia visto e vivido, refletido em sua ação contra a escravidão, tendo deixado claro ainda ao relatar sua infância neste engenho que: “Estive envolvido na campanha da Abolição e durante dez anos procurei extrair de tudo, da história, da ciência, da religião, da vida, um filtro que seduzisse a dinastia; vi os escravos em todas as condições imagináveis; mil vezes li a Cabana do Pai Tomás, no original da dor vivida e sangrandono entanto a escravidão para mim cabe toda em um quadro inesquecível da infância, em uma primeira impressão, que decidiu, estou certo, do emprego ulterior de minha vida. Eu estava uma tarde sentado no patamar da escada exterior da casa, quando vejo precipitar-se para mim um jovem negro desconhecido, de cerca de dezoito anos, o qual se abraça aos meus pés suplicando-me pelo amor de Deus que o fizesse comprar por minha madrinha para me servir. Ele vinha das vizinhanças, procurando mudar de senhor, porque o dele, dizia-me, o castigava, e ele tinha fugido com risco de vida… Foi este o traço inesperado que me descobriu a natureza da instituição com a qual eu vivera até então familiarmente, sem suspeitar a dor que ela ocultava.”

“Nada mostra melhor do que a própria escravidão o poder das primeiras vibrações do sentimento… Ele é tal, que a vontade e a reflexão não poderiam mais tarde subtrair-se à sua ação e não encontram verdadeiro prazer senão em se conformar… Assim eu Joaquim Nabuco combati a escravidão com todas as minhas forças, repeli-a com toda a minha consciência, como a deformação utilitária da criatura, e na hora em que a vi acabar, pensei poder pedir também minha alforria, dizer o meu nunc dimitis, por ter ouvido a mais bela nova que em meus dias Deus pudesse mandar ao mundo; e, no entanto, hoje que ela está extinta, experimento uma singular nostalgia, que muito espantaria um Garrison ou um John Brown: a saudade do escravo.”

No dia 28 de abril de 1889, Nabuco contraiu matrimonio com a dona Evelina Torres Soares Ribeiro, filha do Barão de Inhoã. No dia 21 de agosto do mesmo ano, logra ser eleito deputado por Pernambuco, para a última legislatura do Império. Em 1892 viajou para a Inglaterra com a família, aí permanecendo por alguns anos. O casamento e as demais experiências na política e sua proximidade com grandes intelectuais tanto brasileiros, como Machado de Assis, e fora do Brasil, já citados aqui, certamente contribuíram para que a inteligência fora somada a uma sabedoria.

O site da Fundação Joaquim Nabuco oferece uma cronologia da vida deste autor, escrita por Manuel Correia de Andrade, e aqui encerramos essa abordagem biográfica, sem deixar de pontuar nossas observações, com esta cronologia. Decidimos apresentar aqui os pontos mais relevantes da biografia apresentada no site.

1893/1899 – “Período de intensa atividade intelectual de Nabuco. Não aceitando os cargos nem encargos da República, Nabuco dedicou-se às letras, escrevendo livros e artigos para jornais e revistas. Também deste período é um estadista do Império (1896), seu principal livro, em que analisa a vida do senador Nabuco de Araújo e a vida política, econômica e social do País durante a atuação do mesmo. Ainda desta época é o seu livro de memórias, intitulado Minha formação, publicado parcialmente na imprensa e reunido em um livro em 1900”. Nabuco no capitulo de Minha Formação, Os últimos dez anos, declara:

“A queda do Império pusera fim à minha carreira… A causa monárquica devia ser o meu último contato com a política… De 1889 a 1890 estou todo sob a impressão do 15 de novembro seguindo-se ao 13 de maio; escrevo então os meus solilóquios em uma Tebaida onde podia andar centenas de milhas sem deparar com o refúgio de outro praticante… Em 1891 minha maior impressão é a morte do Imperador. De 1892 a 1893 há um intervalo: a religião afasta tudo mais, é o período da volta misteriosa, indefinível da fé (…)”

A partida de D. Pedro II foi um golpe liderado pelo movimento republicano e que poucos benefícios trouxeram ao Brasil. Nabuco que tanto admirava a monarquia, seu engajamento para com a causa abolicionista, e a figura de D. Pedro II e da Princesa Isabel, não a via como ato legitimo. Como afirma o jornalista Murilo Melo Filho:

“Durante quase cinco décadas, e das ambicionadas paixões políticas, ele manteve sempre um distanciamento, que não estimulava intimidades ou camaradagens. Foi muito criticado pelo excesso de liberdade que garantia aos jornalistas, sustentando que se combate a imprensa com ela própria e com mais ninguém. Era um sedento de afeição, solitário e introvertido, que se escondia atrás do cetro e das pompas imperiais, abominando as solenidades, honrarias, etiquetas e ostentações. Adorava doces, canja de galinha e falava fino, segundo ressaltou o Acadêmico Candido Mendes. Recebeu lições dos idiomas alemão, árabe, francês, grego, inglês, italiano, latim, tupi-guarani, hebraico, sânscrito e provençal, aulas de dança, esgrima, ópera e música. “

Tinha o Brasil um grande intelectual, ávido pelos estudos, um humanista que acreditava na liberdade e no diálogo. Em tempos onde o antissemitismo sempre pairava no ar, as vezes camuflado como um deboche, ter um imperador desejoso de saber e ler no idioma da Torah foi fato já na época visto segundo vários matizes, desde aqueles que acreditavam ter os Bragança ascendência judaica, até aqueles que criam ser isso sinal de eximia dedicação e inteligência. O professor Reuven Faingold afirma que:

“D. Pedro II era disciplinado nos estudos. Seus Diários registram horários rígidos, mestres qualificados e uma obstinada dedicação à aprendizagem. Apreciava e era versado nos idiomas sânscrito, grego, hebraico, árabe, mandarim e tupi-guarani. O poeta luso Ramalho Ortigão (1836-1915), em As Farpas, rasga elogios cheios de ironia à importância atribuída à língua dos hebreus: Apeteceu-lhe o hebraico. Vossa Majestade provou o severo idioma bíblico dos Patriarcas, e sentiu-se refrigerado e satisfeito”.

Desde jovem D. Pedro II acalentava o desejo de conhecer a língua bíblica. Naquela época, o hebraico não passava de idioma de liturgia e culto. Não fora renovado pelo escritor Eliezer Ben Yehuda, o que só ocorreria na Era Moderna. Na introdução às “Poesias hebraico-provençais do Rito Israelita Comtadin”, escritas em 1890, D. Pedro registra o motivo pelo qual se dedicara a aprender hebraico: “Quanto ao histórico de meus estudos hebraicos empreendidos com o fito de melhor conhecer a história e literatura dos judeus, principalmente a poesia e os Prophetas” (sic). “

Quando se fala sobre os monarquistas e no valor dado ao império, poucos defensores da república e suas mazelas ousam e são honestos o bastante para falar a razão de grandes figuras terem visto como ato mesquinho e odioso o golpe que tirou do poder a família imperial já na época como hoje. Murilo Melo filho pontua:

“Já no exílio, proscrito e enxotado do território nacional, como se fosse um bandido; diabético, pleurítico, sonolento e meio desmemoriado – hóspede do modesto Hotel Bedford de Paris e dormindo sobre um travesseiro recheado com areia levada do Brasil – Dom Pedro II rejeitou a ajuda de 5 mil contos dados pelo remorso da República, preferindo fazer, para custear-lhe a doença, um empréstimo pessoal de dinheiro, que foi pago logo depois de sua morte. (…)

(…) como disse o Acadêmico Cícero Sandroni – muito orgulhosos por termos entre nós o Acadêmico José Murilo de Carvalho, um correto e competente historiador sobre a vida de D. Pedro II, o inesquecível Rei, que traduziu o Prometeu Acorrentado, de Ésquilo, além de poemas de Dante e de Lamartine, e um amigo de Gobineau, Wagner, Longfellow, Renan, Pasteur, Agassiz, Graham Bell, Alexandre Herculano, Theodore Roosevelt, Joaquim Nabuco e Victor Hugo, que o saudou com as seguintes palavras: – Sois um grande cidadão e um neto de Marco Aurélio. Ele foi igualmente um republicano que, segundo José Murilo de Carvalho, até mesmo sem querer, nasceu Imperador. Segundo Gladstone, foi um governante modelo do mundo. E segundo o New York Times, ele tornou o Brasil tão livre quanto uma Monarquia podia ser, tendo sido também o mais ilustrado monarca do século.”

continua…

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Carlos Alberto Chaves P. Junior

Carlos Alberto Chaves P. Junior

Graduado pela Universidade Federal de Pernambuco ( UFPE) em letras desde o ano de 2008.

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