Direita brasileira: Introdução

Direita brasileira: Introdução

Depois de escrever meu último artigo intitulado Por que ler “1984”, de George Orwell? , Publicado pelo jornal Gazeta do Povo, decidi focar nas leituras sobre o conservadorismo e filosofia. Meu período sabático foi interrompido, todavia, quando um grupo de colegas interrogou-me a respeito deste último artigo e do modo como eu compreendo a esquerda no Brasil. Depois de um longo debate encarei uma pergunta que me fez hesitar por um tempo: Carlos, O que é a direita? Este termo, essa palavra guarda-chuva onde, normalmente, tanto popularmente como academicamente, movimentos como o libertário, o conservadorismo, o liberalismo econômico, anarco-capitalismo são enquadrados, necessita de um cuidado maior dada a confusão teórica que é propagada pelo jornalismo brasileiro e muitos “analistas políticos”. Os diferentes movimentos e grupos que compõe a direita possuem teorias próprias a respeito do estado e sociedade e surgiram em períodos históricos distintos. Convém destacar que graças ao trabalho de historiadores tendenciosos e uma mídia desonesta, há grupos que não poderiam ser enquadrados como de direita, contudo são amplamente postos como tal; refiro-me ao período militar brasileiro e o nazismo. Este artigo é uma introdução para escritos posteriores onde falarei sobre a direita brasileira.

 

Separando Joio do trigo:

O escritor, cientista político e agora deputado federal Príncipe Luiz de Orléans e Bragança, no seu livro Por que o Brasil é um país atrasado? fez a seguinte ponderação a respeito do regime militar:

Curiosamente, o regime militar que vigorou entre 1964 e 1985 não quebrou o ciclo intervencionista.

Pelo contrário; aquele foi um período de grande intervenção do Estado na economia e na sociedade. O protecionismo, o número de controles regulamentares sobre a propriedade, o controle de preços, a criação de novos monopólios e de empresas estatais se multiplicaram exponencialmente, mais do que em qualquer outro período da história do Brasil. A nova dimensão agigantada do Estado se fez visível na tributação, que passou a abocanhar 27% do PIB nacional. Ao final do regime militar, em 1985, o Brasil se apresentava ao mundo como uma economia atrasada, planejada centralmente, estatizada, protecionista, pouco competitiva e altamente regulada. Naquela época, muitos eram os paralelos entre nosso país e as nações do Leste Europeu, que viviam sob ditaduras comunistas. (grifo meu)

(…) os paralelos com os países do leste europeu eram fortes demais para que o Brasil pudesse sequer ser chamado de capitalista. Se fosse capitalista, seria o capitalismo mais regulamentado que já existiu. Mais até do que o sistema que vigorou na Itália fascista, mais estatizado e protecionista do que a Alemanha nazista.

O Brasil de 1985 era muito mais parecido com um típico país controlado por uma ditadura socialista do que com qualquer variedade de país capitalista. A narrativa da esquerda da época impregnou no consciente coletivo do brasileiro com a máxima de que os militares eram de direita e que eram capitalistas. E essa mesma narrativa é mantida até hoje. (Grifo meu)

 

O historiador Marco Antonio Villa no seu livro Ditadura À Brasileira: 1964 – 1985 – A democracia golpeada à esquerda e à direita pontua as peculiaridades do regime militar brasileiro e como caracterizá-lo de ditadura é incoerente. O autor afirma:

O regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural que havia no país. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições diretas para os governos estaduais em 1982. Que ditadura no mundo foi assim?

Nos últimos anos se consolidou a versão de que os militantes da luta armada combateram a ditadura em defesa da liberdade. E que os militares teriam voltado para os quartéis graças às suas heroicas ações. Em um país sem memória, é muito fácil reescrever a história.(Grifo meu) A luta armada não passou de ações isoladas de assaltos a bancos, sequestros, ataques a instalações militares e só. Apoio popular? Nenhum.

 

Nos corredores das universidades ecoa que o Nazismo foi uma forma de governo de direita, contudo o artigo publicado pelo instituto Mises Brasil, Afinal, os nazistas eram capitalistas, socialistas ou “terceira via”?-Ludwig von Mises, à época, já havia explicado tudo, afirma:

Em suma: os nazistas praticaram controle de preços, controle de salários e arregimentaram toda a produção. A propriedade dos meios de produção continuou em mãos privadas, mas era o governo quem decidia o que deveria ser produzido, em qual quantidade, por quais métodos, e a quem tais produtos seriam distribuídos, bem como quais preços seriam cobrados, quais salários seriam pagos, e quais dividendos ou outras rendas seria permitido ao proprietário privado nominal receber.

Desnecessário ressaltar que determinar preços e salários, e estipular o que deve ser produzido, como e para quem, representam um claro ataque à propriedade privada, pois retiram dos produtores as opções que eles teriam no livre mercado para aplicar seus recursos. Trata-se de uma intervenção estatal que, na prática, proíbe os proprietários de investirem seus recursos onde e como bem quiserem.

 

O artigo segue evidenciando ainda mais essa fraudulenta narrativa:

(…) os nazistas ainda alegavam ser socialistas e, com efeito, agiam de maneira muito semelhante à teoria socialista, com suas abrangentes e autoritárias intervenções econômicas. Só que, como ainda havia desigualdade econômica entre os cidadãos da Alemanha nazista (assim como havia na União Soviética, mas isso não interessava à narrativa), e como os nazistas mantiveram alguns dos termos técnicos de uma sociedade capitalista — especificamente, ainda havia a existência superficial de propriedade privada, ainda que em termos meramente nominais —, isso já bastava para serem vistos como o exato oposto de seus congêneres comunistas.

E então, quando os nazistas invadiram a União Soviética, Josef Stálin e seus lacaios recorreram à nova narrativa comunista para redefinir o socialismo nazista — o qual, embora não fosse marxista, se baseava nas teorias dos socialistas alemães originais que influenciaram diretamente as ideias de Marx (grifo meu) — como “capitalista”.

De acordo com essa nova narrativa, os nazistas estavam na etapa suprema do capitalismo, a qual seria a pior de todas.

(…) Os nazistas, que apregoavam orgulhosamente seu socialismo e que implantaram políticas socialistas com grande consistência, (grifo meu) passaram a ser chamados de capitalistas pelo simples motivo de que eles não se encaixavam pristinamente na visão de mundo soviético-marxista.

Esta narrativa segue viva até hoje.

 

O escritor Flavio Morgenstern também tece o seguinte comentário:

Mesmo a linguagem nazista sobrevive hoje não no pensamento do retorno à tradição judaico-cristã da direita, mas na própria esquerda. As analogias, a retórica inflamada, a urgência artificial, o gosto pelo modernismo e por um progresso prometendo um futuro glorioso descrito por Victor Klemperer (um autor de esquerda) em LTI: A linguagem do Terceiro Reich, encontra pasto e circunstância hoje em Hugo Chávez ou Noam Chomsky, para não falar de pós-modernos como Slavoj Žižek (que afirma que o defeito de Hitler foi ser “pouco violento” contra o capitalismo) ou Judith Butler. Nem mesmo o histrionismo de Donald Trump encontra qualquer relação.

É ainda preciso lembrar que praticamente todos os conservadores tiveram de fugir do Terceiro Reich (grifo meu) (incluindo Ludwig von Mises e Eric Voegelin, os maiores nomes da direita mundial), e que os judeus tradicionais, como Viktor Frankl e Franz Rosenzweig, são todos a própria apoteose do conservadorismo, e não da esquerda?

A intenção de atrelar nazismo e caracterizar o período militar que tivemos como ditadura de direita é de colocar a esquerda como virtuosa e o grupo oposto no espectro político como detentor de uma moral duvidosa e podre. A esquerda rotula o outro daquilo que ela faz, uma paralaxe cognitiva como estuda e entende o filósofo Olavo de Carvalho; ela se desconecta da realidade, ela justifica atos injustificáveis pela lei ou moral já que seu dever é com o futuro que ela deseja implementar; a mente esquerdista apaga e distorce a historia , cerceia direitos individuais, anula o individuo em prol da mente coletiva, no fim a esquerda compreende que seu julgamento não cabe ao presente que odeia mas ao tribunal do futuro onde ela será enaltecida dentro da sociedade distópica que criou. Toda a construção histórica que surge através do filtro do binarismo marxista resulta na negação ou deturpação da realidade. Como diz o escritor e acadêmico Vladimir Tismăneanu, no livro Do ComunismoO destino de uma religião política:

O totalitarismo comunista, como organização social, política, cultural, econômica é caracterizado por três elementos. Em primeiro lugar, pela recusa à memória. A aversão, a hostilidade diante da memória o faz mnemófobo. Ele age, por todas as suas instituições, para a destruição da memória. Em segundo lugar, é uma organização que procura a destruição dos valores, e, neste sentido, é axiófobo. E, não em último lugar, detesta o espírito, portanto é uma organização de tipo noofóbica. Portanto, o comunismo é mnemofóbico, axiofóbico e noofóbico.

Frequentemente a imprensa erra por tomar características que servem para definir certos grupos e universaliza como se houvesse uma organicidade na direita e um modus operandi comum. O intuito é culpar todas as linhas (grupos) de erros e equívocos cometidos por alguns, de mostrar que o governo vigente desune sua base de apoiadores e de revelar que questões como aborto, por exemplo, são abraçadas por uma “nova direita” (“mais humanitária”) a fim de enfraquecer a influência de grupos mais perigosos à doutrinação marxista como o Conservadorismo. A análise política e social é bastante desonesta no Brasil, pois a mídia tradicional e boa parte dos influencers digitais usam na sua retórica termos como Extrema, Ultra, neo para “definir” de modo pejorativo certos grupos, maiormente de direita, o que adorna o discurso, mas não há nenhuma substância nem inteligência em análises que empregam tais vocábulos. Qual a diferença entre direita e extrema direita ? A diferença recai somente na verbalização, no modo de expressar certas ideias, todavia isso não basta para, sensatamente, considerar que há uma separação teórica clara entre uma e outra. Não existe extrema direita, extrema esquerda, neoliberal, ultraconservador e termos similares; tais palavras enfeitam mas nada dizem , nada possuem de conteúdo e sinalam a pobreza intelectual de quem as emprega; estes termos são pejorativos e servem apenas para atacar adversários. Como diz Olavo de Carvalho no livro imbecil coletivo: A noção mesma de “intelectual” no sentido moderno, é sobretudo a de um retórico — um agitador de ideias, que nada descobre ou cria por si mas faz um barulho imenso (grifo meu) e põe em movimento a máquina da História.”

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Direita? Não, direitas… Parte II

Há autores que não concordam em enquadrar certos grupos que compõem a direita como pertencentes a esta, Cláudio Júlio Tognolli é um jornalista e escritor brasileiro que no programa Pingo nos Is datado no dia (26-06-2017) dissociou o conservadorismo como sendo de direita, algo que foi refutado pelo professor de Ciência Política e escritor conservador Bruno Garschagen que atribui ser tal assertiva um erro. O escritor, professor universitário e intelectual de renome Arthur A. Ekirch, Jr. Afirma no prefácio do livro, Esquerda e Direita – de Murray N. Rothbard, que: “Os LIBERTÁRIOS, habituados à estimulante liderança intelectual de Murray Rothbard, talvez não se lembrem de que ele foi também um dos primeiros a desenvolver o pensamento libertário. Como fundador e editor-chefe da revista Left and Right, contribuiu para desvincular esse movimento de sua associação popular e acadêmica com a opinião de direita. (Grifo meu)”.

Embora seja inegável que existam claras distinções entre os diferentes grupos que compõem o espectro político designado como direita, não se pode, obviamente, negar que há algo que permita que estas definições ainda sigam em voga sendo usadas por intelectuais de ambos os espectros políticos. Como deixa claro o autor Norberto Bobbio no seu livro direita e esquerda:

Não obstante ser a díade seguidamente contestada por muitas partes e com vários argumentos — e de modo mais intenso, mas sempre com os mesmos argumentos, nestes tempos recentes de confusão geral —, as expressões “direita” e “esquerda” continuam a ter pleno curso na linguagem política. (grifo meu) Todos os que as empregam não dão nenhuma impressão de usar palavras irrefletidas, pois se entendem muito bem entre si.

Convém salientar, também, que a esquerda não depende da direita, politicamente e/ou culturalmente, sendo perfeitamente possível um país possuir somente partidos de esquerda, e o inverso também é uma possibilidade real (embora historicamente nunca aconteceu), a direita (não a reacionária que se retroalimenta de “mitadas) não precisa daquela. O leitor leigo acredita que quando um partido faz oposição a outro notoriamente de esquerda, como o PT, este deve ser de direita, como é caso do PSDB o ser segundo a mente de muitos eleitores leigos, um erro crasso comum que serve ao teatro das tesouras. A esquerda se repaginou , se adaptou , recebeu influência de nomes como Antonio Gramsci, por exemplo, embora sua base teórica siga a mesma, o modo de conseguir a hegemonia narrativa na sociedade se modificou; hoje o politicamente correto, o aparelhamento do estado, da mídia , a ideologia de gênero, a censura que se impõe nas universidades e meio artístico , destacam-se como os meios pelos quais a esquerda se perpetua no poder mesmo não estando governando o país , deste modo se perpetua no poder e busca manter e ampliar seu controle social implantando ainda mais suas ideias em espaços de importância fundamental para o desenvolvimento intelectual da nação. Ela não tem o governo mas tem o estado nas mãos em grande parte.

De modo similar, a direita também se adaptou aos novos anseios da sociedade, novas linhas de entendimento politico surgiram dentro desse espectro, mas a essência que confere certa similitude entre as diferentes linhas de direita é a análise objetiva da realidade, o individuo possui protagonismo e não o coletivo, são contrarias a ideia de obter controle social, fazem oposição ao marxismo e não são totalitaristas.

O papel do estado é um fator importante para se entender o que é ser de direita. Segundo o economista e doutor em finanças Alan Ghani:

O pilar central para distinguir a direita da esquerda é o papel que o Estado deve exercer sobre a sociedade. Enquanto a esquerda acredita que a redução da pobreza e a representatividade dos direitos de cada um ocorrem pela maior participação do Estado na vida social, a direita, ao contrário, defende a redução estatal como forma de tirar pessoas da pobreza, respeitando a liberdade individual dentro das regras estabelecidas pela sociedade. (Grifo meu)

Para a esquerda o “mal” se encontra no sistema político, social e econômico e não no homem. O ser humano nasce bom, mas é corrompido pelo sistema sendo a solução um estado agigantado, com poder de interferir em instituições autônomas como a família e a religião (especialmente a cristã). Já na direita como segue argumentando Ghani:

(…) acredita na natureza egoísta do ser humano e entende que a concentração de poderes na mão do Estado aumentaria ainda mais a pobreza e as injustiças dado que o homem utilizaria o poder estatal em busca da resolução dos seus próprios interesses. O livro a “Revolução dos Bichos” retrata isso muito bem, mostrando que aqueles que antes lutavam contra a exploração dos mais ricos, ao tomarem o poder, utilizam a máquina estatal ao seu favor e se distanciam dos mais pobres (qualquer semelhança com a realidade atual do Brasil é mera coincidência…). Já na vida real, Cuba é um ótimo exemplo: enquanto Fidel Castro desfruta de um patrimônio bilionário, a sociedade civil vive na pobreza e sem liberdade para acessar a internet, viajar para fora do país ou criticar o governo.

Diante disso, a direita defende a minimização do poder estatal sobre o cidadão e o livre mercado como forma de redução da pobreza, diminuição da corrupção e garantia dos direitos individuais (liberdade). Para a direita, a meritocracia é essencial (grifo meu) para tirar pessoas da miséria, uma vez que a premiação do mérito incentiva o ser humano a produzir riquezas para si, mas que consequentemente geram benefícios para toda a sociedade.

Concepção teológica judaico-cristã, direito romano e filosofia grega ( base da civilização ocidental) é o tripé que as múltiplas linhas direitistas respeitam mesmo que algumas apresentem ressalvas a um ou outro elemento deste. Ser de direita é ser um homem do presente cujas ações serão julgadas pela lei e ética da sociedade atual (tribunal do presente). É buscar mudanças possíveis de ser efetuadas sem a necessidade de um viés revolucionário. É procurar aprender com o passado histórico a fim de possuir soluções para as demandas da sociedade vigente. O sujeito é autônomo para dialogar com sua linha direitista já que não é doutrinado, mas educado por esta. O conhecimento para a direita é fruto da tradição e da construção histórica, do acúmulo de informação advinda de passadas gerações, sendo este necessário para realizar mudanças práticas, necessárias e possíveis no presente. Os nomes da literatura direitista, como Eric Voegelin, Ludwig Von Mises e Milton Friedman são passíveis de criticas tanto quanto as figuras politicas do passado e da atualidade pois elas não são divinizadas para além do bem e do mal, não são novos deuses que devem guiar as massas; não temos um Stalin, Mao, Lenin ou Lula. Todo o individuo relevante por seu trabalho intelectual e politico é tratado como um nome a ser lido, analisado, criticado e racionalizado. A direita age na razão.

A direita reacionária Parte III

A direita reacionária, pobre intelectualmente, que busca responder a questionamentos por “mitadas” merece ser tratada brevemente aqui. “Mitada” é uma frase destituída de qualquer substantividade ou inteligência, onde quem a usa busca humilhar o adversário através de palavras que apelam ao emocional do público, mas nada agregam argumentativamente; é a morte da inteligência e não difere da chamada “lacração”. O antipetismo abriu as portas para a compreensão do que marxismo, da mesma forma que a censura e perseguição no meio acadêmico e artístico contra pessoas que não aceitam a imposição e doutrinação marxista, resultou num grupo de novos intelectuais na sua maioria conservadores.

Infelizmente surgiu também um grupo de pessoas que apreciam negativamente o papel do socialismo na sociedade brasileira, mas que não possui conhecimento teórico algum e por tal fato age por emoção e revanchismo. As fake News (boataria) que se espalham em grupos de Whatsapp e Face com intenção de exaltar a figura do chefe de estado vigente e atacar opositores mostram como o perfil de atuação deste grupo é semelhante ao que a esquerda desenvolve. Para esta direita suicida (termo alcunhado pelo filósofo Olavo de Carvalho) a esfera mais importante para a geração de mudanças é a política e não a educacional e cultural. Da mesma forma que a esquerda endeusa seus ícones, os reacionários divinizam a figura do atual presidente e, graças a isto, quem critica o governo é automaticamente posto como inimigo (esquerdista).

A direita reacionária não busca estudar e compreender o que é marxismo, socialismo, por exemplo, pois para estes basta o entendimento superficial e caricato. Os reacionários na são capazes de ajudar a criar um movimento cultural, uma nova intelectualidade, sendo no muito capazes de gerar contendas e perseguição àqueles que de fato buscam mudar o palco nacional.

Como nos mostra o escritor Rodrigo Constantino:

O clima dos “debates” políticos no Brasil anda muito tóxico, poluído principalmente pelas redes sociais, as praças públicas da era moderna onde qualquer idiota tem voz – e em bandos fazem muito barulho.

Nesse ambiente polarizado, alguns acham que, para derrotar os comunistas, é necessário aderir ao nacional-populismo autoritário. Ou seja, a alt-right entende que é preciso utilizar as mesmas armas do inimigo nessa guerra.

Com base nessa mentalidade, quem não sucumbe totalmente a esse modus operandi é tratado como inimigo. Por ser uma visão tribal de mundo, binária e maniqueísta, existe somente os aliados fiéis ou os adversários, tidos como inimigos mortais. Não há meio-termo possível. (Grifo meu)

Mente binária, endeusamento de figuras políticas, superficialidade argumentativa e índole persecutória são características da direita reacionária que não pensa além do conforto que sua ignorância gera. Não conseguem separar uma análise política escrita com bons argumentos e sustentada numa ampla bibliográfica de uma repleta de adjetivos, neologismos e futurologia, esta, que de fato, não passa de expressão da boçalidade de seu emissor.

Espero ter dado ferramentas para que o leitor escape das falácias implementadas pelo péssimo jornalismo brasileiro e por uma classe intelectual lacaia da ideologia marxista. Claro que ainda falta falar de um grupo que está ligado diretamente à figura do filósofo e escritor Olavo de Carvalho e que é considerado como conservador por boa parte da imprensa; Os chamados pejorativamente por adversários desonestos de “Olavetes” e que possuem grande importância dentro e fora do governo. Ainda fico com a dívida de explicar a importância da religião cristã católica, maiormente, e protestante, instituições autônomas, para a manutenção de uma consciência antimarxista.

 

Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir…

São Tomás de Aquino

 

Bibliografia:

BRAGANÇA, Luiz Philippe de Orleans e. Por que o Brasil é um país atrasado?. Ribeirão Preto, SP: Novo Conceito Editora, 2017.

VILLA, Marco Antonio. Ditadura à brasileira – 1964-1985: A democracia golpeada à esquerda e à direita. São Paulo: LeYa, 2014.

CALTON, Chris. Afinal, os nazistas eram capitalistas, socialistas ou “terceira via”?-Ludwig Von Mises, à época, já havia explicado tudo. Disponível em: https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=2797. Acesso em: 20 de julho de 2019.

MORGENSTERN, Flavio. Se o nazismo é “de direita”, por que é a esquerda que odeia Israel?. Disponível em: https://sensoincomum.org/2017/08/15/nazismo-direita-esquerda-odeia-israel/. Acesso em: 20 de julho de 2019.

TISMANEANU, Vladimir. Do comunismo- O destino de uma religião política. Vide Editorial, 2015.

DE CARVALHO, Olavo. O imbecil Coletivo. Faculdade da Cidade Editora, 1997, 7 ed.

GARSCHAGEN, Bruno. Conservadorismo não é de direita, Tognolli?. (10m 19s). Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=nXjfKV0u7lE&t=84s. Acesso em: 20 de julho de 2019.

Os Pingos nos Is. (23m 20s). Disponivel em: https://www.youtube.com/watch?v=LBNaDws-Ulo. Acesso: 21 de julho de 2019.

ROTHBARD, Murray N. Esquerda e Direita: Perspectivas para a Liberdade. São Paulo : Instituto Ludwig Von Mises Brasil, 2010.

GHANI, Alan. Afinal, o que é ser de direita?. Disponível em: https://www.infomoney.com.br/blogs/economia-e-politica/economia-e-politica-direto-ao-ponto/post/4065990/afinal-que-ser-direita. Acesso em: 20 de julho de 2019.

CONSTANTINO, Rodrigo. ALTERNATIVA AO COMUNISMO NÃO PRECISA SER DIREITA REACIONÁRIA. OU: CASTELLO BRANCO ERA UM “ISENTÃO”?. Disponível em: https://www.gazetadopovo.com.br/rodrigo-constantino/artigos/alternativa-ao-comunismo-nao-precisa-ser-direita-reacionaria-ou-castello-branco-era-um-isentao/. Acesso em : 21 de julho de 2019

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Carlos Alberto Chaves P. Junior

Carlos Alberto Chaves P. Junior

Graduado pela Universidade Federal de Pernambuco ( UFPE) em letras desde o ano de 2008.

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