Enobrecimento sem causa

Intermináveis são os exemplos da toxidade do progressismo e da “idopatia” vigente na sociedade brasileira. O marxismo cultural apropriou-se de uma agenda e, enobrecendo-se medíocre e falsamente, passou a “defender os direitos das minorias” através do movimento feminista, movimento negro, ecologismo, indigenismo e tutti quanti.

Para o dito progressismo, não há maior virtude do que a de aderir à sua “causa”. Cultivar uma “causa” é a maneira mais ordinária e oportuna para medíocres e incapazes militarem em determinado partido. Isto não passa – nas palavras do professor Olavo de Carvalho – de um “egoísmo grupal embelezado”; o embelezamento é proveniente de palavras que ecoam em nossos ouvidos como palavras nobres e puras como “direitos humanos”, “minorias”, “liberdade” ou “inclusão”. Talvez um dos motivos pelos quais o marxismo cultural se efetivou foi justamente a capacidade convencer os homens de que podem enobrecer-se quando se identificarem com uma pauta específica. Atualmente, as “causas” infundem virtudes automaticamente.

Cito aqui apenas dois exemplos – para fins ilustrativos – separados apenas pelo desenrolar dos séculos.

O primeiro exemplo se trata da ocasião na qual Karl Marx instaurou – em sua própria casa – a mais rígida discriminação de classe, apartando da mesa familiar o filho ilegítimo que tivera com a empregada.

O segundo exemplo é mais recente. Trata-se da ocasião onde o ator Zé de Abreu disse em uma rede social, referindo-se à atriz Regina Duarte: “Uma vagina não transforma fascista em ser humano!”.

Estes dois exemplos são ótimos para ilustrar o que até aqui tenho posto: o progressismo que prefere priorizar movimentos políticos (as “causas”) em detrimento de pessoas. Para a mentalidade progressista, pouco importa estas ações repugnantes já que os autores de tais atos harmonizam-se a eles no tange ao aspecto político. O fato é que quem endossa ações e discursos como estes, difere dos autores apenas em tamanho, mas não em qualidade. Poderiam considerar o que disse acima como fajuto argumentum ad hominem. O que faz com que esta consideração caia por terra é o fato de que conduta dessas pessoas – no caso Karl Marx e Zé de Abreu – são apenas uma interpretação de suas ideias.

O marxismo cultural é uma forma de monopolização das virtudes – para aqueles que agarram-se na causa e distribuição arbitrária de maculas para aqueles que ousam discordar. É simplesmente mais um meio que mantém a essência do movimento comunista: a hegemonia.

No ringue do progressismo – onde o que é exigido do lutador é tão somente a “causa” como objeto de alienação idolátrica – o que é “bom” é o que coage com a mentalidade esquerdista, “mau” é quem está realmente disposto a lutar.

Os chavões como “liberdade e inclusão”, “direitos humanos para as minorias” e as “causas” não são inúteis; atrevo-me a considerá-los de algum modo um “mal necessário”, pois através de discursos que se baseiam nos chavões ou que aderem a uma causa, nós podemos ponderar e distinguir a hipocrisia – e demagogia – do discurso do conhecimento.

Nem os liberais e conservadores estão fora da ameaça da estratégia esquerdista que se apega aos chavões e ousa até a falar em “democracia”. A estratégia foi eficaz e fez com que a direita comprasse esta “esquerda idealizada”, ou seja, a esquerda humanitária, anticomunista, democrática. O erro dos conservadores e liberais foi fatal, paralisante e incapacitante. a esquerda moderada sempre foi um artifício do movimento comunista que age como um anestésico na mente de todos.

Essa esquerda não existe como movimento político independente. Através da propagação do marxismo cultural ela consegue se “enobrecer” perante a sociedade e subir nos palanques como uma concorrente leal dos conservadores, disposta a estabelecer um rodízio democrático. Qual seria então a diferença entre a esquerda moderada e a esquerda inconsequente? A resposta é simples: a primeira existe no plano de ação estratégico do movimento comunista e na imaginação residual dos tolos e ingênuos; a segunda existe em um lugar muito pior: a realidade.

Parafraseando Winston S. Churchill, o marxismo cultural abre a bica fingindo que está sorrindo para depois de devorar você.

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Yuri Ruiz

Yuri Ruiz

Um jovem conservador, antifeminista, antimarxista e cristão.

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