De Folha a panfleto

De Folha a panfleto

A Folha de São Paulo goza de um prestígio adquirido durante décadas de competência jornalística, entregou durante muito tempo textos e análises premiadas dentro e fora do país; simplesmente minorar o jornal por causa de desavenças políticas não nos parece uma postura sensata. Reconhecer que há competências no corner contrário do campo político é uma grandeza de caráter que só se revela em almas que transcendem os partidarismos.

No entanto, não nos furtamos em afirmar categoricamente que, sobreviver através de ecumenismos cegos, aqueles que fogem das críticas necessárias a fim de manter tapinhas nas costas e sorrisinhos gourmet, apenas forjam atitudes de falsas diplomacias; e o jornalismo não serve para fazer diplomacias, apagar incêndios e aplaudir ideologias. Na defesa do fato enquanto fato, a espinha invergável e o caráter pulsante do bom jornalista é uma pré-condição.

Redações que colocam panos quentes no enfrentamento da realidade crua ou maximizam crises criadas em laboratórios jornalísticos, não passam de um tipo de jornalismo vadio que mais escurece as vistas públicas do que as iluminam. Assim sendo, ainda que o prestígio enfeite murais e estantes nos escritórios da Folha de São Paulo, somente os louros não sustentarão uma avaliação acurada de suas escolhas, posições e traições jornalísticas. Afinal, ainda que a crítica pela crítica não seja o ideal numa análise política, se abster de encontrar as feridas e explorá-las, para melhor entendê-las, também não é negociável. Por mais pecaminoso que possa parecer, até mesmo o jornalismo está à mercê do julgamento do tribunal da democracia. O jornalismo é criticável sim senhores e, pasmem, nem todos que o critica são fascistas. Se acostumem à real democracia, na qual potestades não montam tendas em instituições político-sociais; afinal, jornalismo não é religião e os jornalistas não são deuses.

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Há tempos foi percebido pelos mais atentos que o jornal de maior credibilidade do país, a Folha de São Paulo, decaiu no puro fanatismo ideológico. A técnica jornalística foi recoberta por uma camada densa de tensionamentos políticos; os dedos dos profissionais da informação, sem nenhum decoro, forçaram a verdade até que, quebrada em mil pedaços, coubesse em suas caixas partidárias e enunciados enviesados. Hoje já não é mais possível se esconder atrás das posições individuais dos empregados, há muito tempo que seus atos políticos são verdadeiramente institucionais. Não há sequer disfarces.

Assim como um aríete que derruba as portas de um castelo, a imprudência ideológica no jornalismo da Folha derruba muitos balizamentos que resguardam a simples notícia ― o Simples mais precioso do jornalismo. Pensam estar derrubando tabus, paradigmas e ditaduras, quando no fim estão erigindo seus próprios regimes autoritários construídos em teclados mecânicos.

Mais do que apresentar fatos, as redações passaram a construir suas próprias versões da realidade; homens e mulheres que, julgando estar ajudando a verdade, acabam envenenando-a. Desde omissões de notícias, enunciados tendenciosos e condução das conclusões dos fatos noticiados, tais vergonhas viraram o status quo de um jornalismo que não mais busca a validade na imparcialidade, mas sim na militância pura e simples. A Folha de São Paulo se tornou o panfleto da esquerda identitária, o aquecedor emocional da causa…

Se alguém ainda tinha alguma dúvida sobre a tendência à esquerda da Folha, a maneira monocrática com que a empresa abraçou os famigerados “diálogos” vazados pelo The Intercept abonou qualquer suspeita pairante. A Folha de São Paulo está deliberadamente enterrando a sua reputação grandiosa a fim de defender uma tese tão chucra, pífia e ilegal, que resta saber agora se não há também alguma participação dela nessa trama de hackers e pseudojornalistas. Ou vão falar que o único interesse do jornal é a “verdade”? Poupe-nos. A Polícia Federal está indo longe, e não deve demorar para encontrar o topo da pirâmide, o habitat natural daqueles que não devem ser citados.

Triste fim de um jornalismo que até há pouco era ―não por conjuntura e nem estrutura, mas por conteúdo e seriedade ― considerado o maior jornal do país. Hoje podemos apenas afirmar que é o maior jornal partidário do país. Nada a comemorar, nada a aplaudir, quem perde é o país, a democracia e liberdade de imprensa; um jornal que vende notícias e entrega ideologia não pode tornar a imprensa mais livre, mas tão somente mais cativa e servil.

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

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