O governo Bolsonaro vai se desenhando em linhas mais robustas após algumas semanas da sua eleição; a metade dos ministérios já estão definidos, e os ministros já nomeados são:

  • Economia – Paulo Guedes
  • Defesa – Fernando Azevedo e Silva
  • Ciência e Tecnologia – Marcos Pontes
  • Casa Civil – Onyx Lorenzoni
  • Justiça e Segurança Pública – Sergio Moro
  • Gabinete de Segurança Institucional – Augusto Heleno
  • Relações Exteriores – Ernesto Araújo
  • Agricultura – Tereza Cristina

Podemos discordar dos nomes indicados, julgar que existem melhores para cada uma das funções designadas, no entanto, não podemos dizer que tais indicações aconteceram por escambos partidários, indicações meramente políticas, busca de maioria parlamentar, endossos a grupos, ou quaisquer outros joguetes que não a própria competência dos envolvidos. Ou seja, aquilo que parece ter norteado as escolhas dos nomes para os ministérios, pelo Presidente e sua equipe, foram as capacidades técnicas, diplomáticas, políticas e intelectuais dos designados.

A verdade é que nem sabíamos mais o que era isto, ou seja: construir um governo através dos capacitados e não dos politicamente indicados; tal cenário foi algo que ficou suplantado à mera ilusão utópica de um povo desiludido, que não raro se acostumou com as permutas devassas da política nacional. Após tantos anos com governos constituídos para serem serventes de partidos, com tantos líderes erigindo diplomacias de bordéis como os motores de suas administrações, mal sabíamos o que era ter um governo dos capazes.

A equipe do governo eleito vem resgatando o sentido de coerência governamental, algo que só acontece quando os indicados aos cargos do executivo, são exatamente aqueles que precisam ser indicados segundo as suas competências frente trabalhos que exercerão.

Uma clara demonstração de alienação, e da inaptidão em nos acostumarmos a um governo de capazes e não de capachos, é a falsa polêmica que julgam existir no fato de o Ministério da Defesa ser gerido por um militar. Como se os antigos ministros da defesa, civis, efetivamente gerenciassem com maior ou melhor destreza as suas funções ministeriais, somente pelo fato de serem civis. Existe algo chamado: “irmandade de farda” e a equipe de Bolsonaro bem entendeu isso; a jogada estratégica desse governo foi justamente fazer com que os militares sejam conectados àqueles que diretamente entendem de suas funções, necessidades e verdades. Um militar (general Fernando Azevedo e Silva), como ministro da defesa, é justamente o que poderá fazer desse ministério o mais próspero em suas funções, isto porque há uma real aproximação das realidades dos subordinados ao de seu chefe em exercício.

Todos os 11 ministros indicados, até agora, parecem estar conectados à trilha que o governo delineia para os próximos 4 anos. São pessoas que acreditam — em linhas gerais — nas mesmas pautas que o presidente eleito acredita; numa constituição governamental de ministérios, tal concordância é quase sinônimo de sucesso.

Não há indicações de cabides — até o momento — para as funções ministeriais, todos aqueles que ocuparão os cargos surgem como pessoas capazes para as suas funções; obviamente que há nomes que levantam suspeitas e que podem se tornar os primeiros tropeços do governo Bolsonaro: Onyx Lorenzoni e Tereza Cristina, por exemplo, são nomes que não despertam a confiança necessária nesse instante.

Onyx já foi citado em delações por recebimento de propinas, é bem verdade que ele reconheceu o erro e devolveu boa parte dos endossos criminosos; todavia, ainda há novas delações que estão o colocando novamente sob suspeita. Tereza Cristina, por sua vez, também figura sob constantes suspeitas, com o nome regularmente veiculado a JBS — inclusive com incentivos fiscais —, ela se torna uma pessoa a ser avaliada com olhares mais acurados; cabe à equipe de Bolsonaro nutrir o máximo de prudência e calma antes de derramar rios de confianças em suas costas.

O governo Bolsonaro se construiu sobre uma forte crítica a corruptos e corruptores, além de nutrir a promessa de combate incessante a quaisquer indícios de corrupção sistêmica. Ter em sua equipe um(a) corrupto(a) condenado(a), seria um desastre daqueles que poderíamos chamar de “grave”; seria uma contradição que poderia macular a sua imagem frente àqueles que o apoiam, mas não são militantes.

As palavras que se fazem vigorosas nesse instante político brasileiro, são: coerência e competência. Após vermos tantas administrações baseadas em burlas e escambos políticos, talvez não tenhamos parâmetros para julgar o que seja um governo realmente gerido pelos capazes. Platão, quando pensou sobre o governo dos melhores, ele não sonhou com utopias sociais, ou com uma espécie de positivismo político que vê nas ciências humanas, reais fórmulas ajustáveis à perfeição; Platão racionalizou um governo que conseguisse construir, e subtrair das possibilidades comunitárias, o máximo de êxito social realizável. Se tratava da construção de um governo a partir de homens falhos, todavia, com os melhores entre os homens falhos; a política do possível, como posteriormente determinou, Aristóteles.

Bolsonaro, até o momento, está usando o crivo da técnica, da capacidade intelectual e da lisura de caráter para as escolhas de seus ministros. Necroses morais e burlas políticas poderão surgir? Obviamente. Não há perfeições em governos humanos, mas, pela primeira vez em muito tempo, os cargos anexos ao executivo estão sendo ocupados por aqueles que realmente podem saber qual o caminho correto a se seguir.