Morte consentida

O brasileiro foi domesticado para se apegar a símbolos da razão. Alternam-se substitutos temporários que em alguma medida são capazes de funcionar, mas não são capazes de esclarecer todas as nuances das experiências. O sentimento de segurança e conforto resultante do apego ao símbolo esconde o possível incentivo para buscar desenvolver os meios para operar a razão.

Tudo se inicia nos primeiros anos – na escola. Os professores nada mais são que um exemplo de símbolo temporário que deveria servir de apoio para que o aluno desenvolvesse sua própria capacidade, mas tal raciocínio é ignorado e é posto em seu lugar o estimulo a dependência. O aluno, sentindo-se perpetuamente indefeso, oprimido, pobre e fraco, depende do Estado, do líder revolucionário, do pensamento crítico e do político educador para se sentir seguro.

Reféns da educação libertadora e impregnada de marxismo ralo, os alunos são expostos frequentemente a um cardápio de símbolos pelos quais, se bem escolhidos, poderão suprir qualquer responsabilidade intelectual ao logo de toda a vida. As receitas do menu podem até mudar, mas os ingredientes permanecem o mesmo. Pelas técnicas de manipulação psicológica (explicadas minunciosamente no livro Maquiavel Pedagogo) os estudantes se submetem à autoridade, ao conformismo e normas de grupo.

O objetivo é a modificação das atitudes (definidas de antemão). Um importante documento publicado em 1964 pela Unesco explicita a intenção de manipulação psicológica por uma “larga e profunda modificação das atitudes sociais em geral”. A missão da escola foi redefinida; o aspecto intelectual – incentivo a busca de liberdade e independência – foi substituído por ensino “ético, cultural, social, comportamental e até mesmo político e espiritual”.

“O professor deve estar aberto ao diálogo com os jovens e lhes falar das relações humana, da ética, dos valores, das atitudes e das modificações de atitudes, das ideologias, das minoridades éticas, das enfermidades, dos ideais e das visões do futuro […]”. Esse trecho já é suficientemente capaz de explicar ao menos uma parte do ensino brasileiro. O que chamam de educação hoje nada mais é do que um exercício para reforçar a mentalidade coletiva, que culminará em “agentes dóceis de políticas educativas cada vez mais revolucionárias”, e cidadãos adultos passivos; vítimas de políticas públicas cada vez mais autoritárias.

A mentalidade coletiva é incutida e juntamente com ela, o senso de submissão e constrangimento é aguçado. Quando o aluno discorda de algo que a autoridade (seja ela científica, política ou pseudo-intelectual) lhe propôs, força a si mesmo a esconder o sentimento para não ser visto como exótico, diferente ou desrespeitoso. A adequação no consenso de crendices (comportamentais, política, éticas ou culturais) se tornou atestado de inteligência. Todavia a subordinação não pode ser confundida com a humildade intelectual. A subordinação, nesse aspecto, é aceitação de autoritarismo.

Infelizmente o comportamento não se esvai pela idade, com a efetividade das técnicas de manipulação psicológica e engenharia social, é perceptível a busca por uma predestinação social que servirá a interesses políticos pré-definidos.

Através dos métodos aplicados, é possível condicionar os futuros serventes e propositalmente fazer as pessoas amarem o destino social do qual não podem escapar. A vigorosa distopia de Aldous Huxley evoca um futuro que a sociedade poderia criar. Admirável mundo novo é mais que uma possibilidade. É uma profecia que se efetiva na contemporaneidade. A problemática do condicionamento humano a uma escravidão satisfeita é uma tônica da obra escrita em 1931. A importância da profecia pede mais algumas linhas.

Vinte anos após haver escrito Admirável mundo novo, Huxley escreveu um prefácio justificando os motivos que o levaram a imaginar o futuro que descreveu. O autor mantém o tom profético no prefácio ao pontuar que se reescrevesse a obra, adicionaria nela uma outra comunidade composta de “exilados e refugiados que escolheram a sanidade”, cuja proposta de vida seria protagonizada tendo “a ciência e a tecnologia […] como se fossem destinadas ao homem e não (como no Admirável Mundo Novo) como se o homem se devesse adaptar e submeter a elas”. Talvez o autor tenho tardiamente pretendido adicionar a nossa comunidade que congregaria pessoas que preferiram a sanidade, se tivesse feito poderíamos imitá-la, mas ao invés disso, personificamos o admirável mundo novo.

 Os que se acovardam e abdicam da sanidade, vivem condicionados a desintegração de ciências materiais capazes de “destruir a vida ou torna-la um processo e desconfortável até o impossível” rompendo com “todos os padrões existentes da vida humana”, e os consolidadores de um novo padrão – o símbolo da padronização racional serão os cientistas que prepararão “a cama em que a humanidade se deve deitar; e se a humanidade não se adaptar – bem, isso será péssimo para a humanidade”.  É pelo pretexto da estabilidade social que “homens e mulheres padronizados em turmas uniformizadas” são desenvolvidos. Quem destoa do padrão e não se prostra ante ao consenso e crendices será chamado de Selvagem incivilizado.

Finalmente, a predição de Aldous Huxley é visivelmente presente na idealização do consenso que pode ser sintetizada na máxima: “cada um pertence a todos”.  Pois então voltemos ao futuro, ou melhor, ao Brasil.

Visto que adequar-se ao consenso é um ato de covardia, de irresponsabilidade e que servidão política e intelectual é algo planejado, a conclusão que se obtém é que o medo de pensar por si é um dos maiores flagelos do Brasil. O consenso é uma ditadura fantasiada que apaga qualquer possibilidade de dúvida.

Na atual conjuntura protagonizada pelo vírus chinês, o (falso) consenso dos que se apregoam especialistas em ciência (ou até mesmo cientistas) é um coadjuvante que eleva o papel do ator principal quando entre em cena. O homem deve se submeter e se adaptar ao que é consensualmente decidido em relação ao tratamento para com o vírus. No eco do kantismo vulgar, as pessoas tornam-se dependentes do consenso científico como um pedágio (o preço do pedágio é a liberdade) entre o ser humano e a realidade, o símbolo de razão – mais uma vez – é incumbido da responsabilidade de fornecer o conhecimento adequado para a sociedade.

O cientificismo é o novo clero; o cientista é o novo sacerdote pela imposição de opiniões majoritárias. Mas é importante perceber que praticamente não há nenhuma certeza publicamente fundada na ciência que não tenha sido contestada dentro do próprio ambiente científico. A mudança da ciência clássica para a ciência moderna, resinifica seu objetivo e sentido, culminando no dito cientificismo que encontra seu significado na hegemonia cientifica moderna, que não considera um dos preceitos mais ortodoxos: a possiblidade de falseabilidade. Essa concepção criou um espantalho, uma simulação dos verdadeiros princípios científicos. A coalizão muitas vezes corrupta do cientificismo com entidades corporativas e governamentais por interesses econômicos é de fato venenosa.

As propostas para solucionar o problema do vírus chinês têm por um lado os que defendem a hidroxicloroquina e a ineficácia da quarentena e por outro aqueles que defendem outro medicamento e o lockdown eterno. Ignora-se tudo proposto pelo primeiro lado, e quando o assunto é colocado em qualquer discussão, trata-o com certa rebeldia. Quem ousar questionar a perspectiva hegemônica das propostas internacionais é imediatamente visto como “pró-morte”, irresponsável.

O conforto de estar em concordância com o consenso e com os “cientistas” é um empecilho para a verdade dos fatos. Nem as questões mais básicas são feitas, mas já que sou diariamente acusado de irresponsável e “anti-ciência” (mesmo não sabendo o significado disso) aproveito para fazê-las. A quarentena é eficaz? E se for, porque as pessoas não cessam de se contaminar? Não estaríamos pagando caro “comprando o consenso”? Há algum interesse em não usar a hidroxicloroquina? O remédio é eficaz? A imunidade passiva não seria uma alternativa? Com esforço para dar voz aos esquecidos e ignorados, tentarei responder estas questões.

A cientista e virologista norte-americana Judy Mikovits, coautora do livro Plague of Corruption, é atualmente a maior vítima da hegemonia político-cientifica. O atual ambiente cientifico é perigoso. A doutora cuja tese de revolucionou o tratamento do HIV, integrou um importantíssimo documentário que foi censurado nos principais meios de comunicação. Judy testemunha que foi perseguida e presa sem acusações por seus estudos que conflitavam com a narrativa acordada. Sua reputação foi destruída, assim como sua carreira e vida pessoal. Mas a tentativa de silenciá-la falhou. 

Referindo-se ao perigo das circunstâncias atuais ela diz que “se não pararmos isso agora, podemos não apenas esquecer nossa república e liberdade, mas podemos esquecer nossa humanidade, porque seremos mortos por essa agenda”. Ao acusar Anthony Fauci, o homem que lidera “a força-tarefa pandêmica” influenciando o mundo inteiro, Judy salienta que tudo o que ele diz é “absolutamente propaganda” e é o mesmo “tipo de propaganda que perpetraram para matar milhões de pessoas desde 1984” pelo atraso de confirmação do vírus HIV. Ainda expondo as máculas de Fauci, a cientista confirma “há um conflito de interesses” existente pelo fato de Fauci possuir a vacina como solução, reivindicando “propriedade intelectual por descobertas que o contribuinte pagou […] isto destruiu a ciência” permitindo o prejudicial conflito de interesses individuais e conclui: “este é o crime por trás, por deixar alguém como Bill Gates com bilhões de dólares, que não foi eleito por ninguém, não tem formação médica nem experiência, ter voz neste país [EUA]”.  

Seria apenas mera coincidência a preferência de uma vacina responsável por encher o bolso de pessoas interessadas com centenas de bilhões de dólares, em detrimento de um medicamento que custa menos de dez dólares – como é o caso da hidroxicloroquina?

 Qualquer um que ouse buscar outros meios e se informar por fontes primárias e confiáveis (considerando a existência de 50 estudos que comprovam, desde 2003, eficácia do medicamento em contra a Covid-19) entende que a hidroxicloroquina juntamente com o zinco “estão trabalhando muito bem para os pacientes”. Numa pesquisa envolvendo quase 2.300 médicos em cerca de 30 países, o medicamento foi classificado como medicamento mais eficaz para tratar o vírus chinês. Judy Mikovits ainda saliente que “é um medicamento essencial e eles mantém isso longe das pessoas […] o jogo é impedir as terapias até que todos estejam infectados e forçar suas vacinas”.

Na Itália, o pico foi atingido dia 21 de março com 919 mortes. No mesmo dia o país adotou o protocolo com hidroxicloroquina e o número de mortes começou a reduzir drasticamente. Seria uma mera coincidência? 

Mesmo com toda a gama de estudos sobre o medicamento, alguns “especialistas” e a mídia reforçam a ineficácia do medicamento e quem quer que ouse falar sobre, é imediatamente silenciado. Afinal de contas, é inaceitável que Bolsonaro esteja certo em sua recomendação. Nise Yamaguchi, médica brasileira doutora em imunologia – ao defender a hidroxicloroquina –, afirma categoricamente que “estamos, sim, tendo mortes diariamente desnecessárias”.

Em relação a quarentena e as medidas de lockdown tomadas por muitos prefeitos e governadores no país é ineficaz. Nós desenvolvemos respostas de imunidade diariamente pelo contato direto ou indireto com outras pessoas. E quando somos tirados dessa realidade, é óbvio o sistema de imunidade reduz, ao ficar preso em um lugar o sistema imunológico se enfraquece. Um outro médico norte-americano com propriedade questiona contundentemente: “Quando todos nós sairmos dos abrigos, com um sistema imunológico bem baixo começando a trocar vírus e bactérias, o que vai acontecer? ”. E garante que “quando reabrimos, haverá uma quantidade realmente enormes de doenças”. Nós estamos fazendo exatamente o oposto do que deveríamos para conter e imunizar-se contra o vírus. Michael Levitt, vencedor do prêmio Nobel de Química, ao ser entrevistado pelo jornal americano 21st Century Wire, criticou as políticas de lockdown e controle social adotados no Ocidente, e segundo o professor, a melhor atitude a ser adotada diante da propagação do vírus chinês é “a política de imunidade do rebanho”.   

São necessárias mais quantas evidencias de servidão? As vozes dissidentes não são mais permitidas. A adequação a um consenso que simboliza a racionalidade nos cega e atrofia nossa inteligência. Tornamo-nos escravos de um medo histérico, estupidificante. Sentir-se confortável com a realidade cientifica presente é uma prece para ser enganado. Inteligência é exclusão e muitas vezes divergência. Constantemente se apegando aos símbolos da razão, só sairemos de casa quando sacerdotes modernos como Átila Iamarino, Drauzio Varela – ou qualquer outro “cientista” metido à besta que anseia por uma aparição em rede nacional para a mamãe ver – baterem à porta de todas as casas, caridosamente dizendo: “Saia. Eu permito”. É ou não uma morte consentida? As liberdades estão sendo tiradas pelo falso consenso não pelo fato de sua veracidade, mas por possuir alto-falantes que são suficientes para abafar os outros sons. Isto é uma insanidade. Quem se apega ao simbolismo racional e lhe outorga autoridade é como um fugitivo. Pensa estar livre, mas o que realmente faz são trocas constantes de cadeias. Lembremo-nos que a ciência é um conjunto de hipóteses em contraste, qualquer coisa que fuja disso é qualquer coisa, menos ciência.

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Yuri Ruiz

Yuri Ruiz

Um jovem conservador, antifeminista, antimarxista e cristão.

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