Algumas considerações em torno de “O Fim da Realidade Quântica”

Meses atrás eu descobri por acaso que Wolfgang Smith estava para lançar um documentário. Desde então minha preocupação primária passou a ser a de encontrar pela internet algum link que desse acesso ao filme; e a secundária, a de assimilar o conteúdo parcialmente devido ao meu precário conhecimento da língua inglesa, já que provavelmente o link não teria legendas. Foi uma imensa surpresa quando há apenas alguns dias vi o anúncio da lumine.tv de que “O Fim da Realidade Quântica” estaria disponível na plataforma a partir do dia 19 e pude então assistir ao documentário sem nenhuma dificuldade ou barreira linguística que comprometesse a minha compreensão a não ser minha própria ignorância da questão científica.

É precisamente essa ignorância que me impede de vir aqui falar estritamente de um assunto que eu ouvir falar, literalmente, ontem. Por isso peço desculpas desde já por não fazer aqui um resumo do conteúdo do documentário em si, deixando entretanto o convite para que o leitor vá lá, assista e tenha contato com o conteúdo original, livre dos equívocos que minhas palavras lhe poderiam atribuir. Em vez disso, chamarei a atenção para aquilo que no documentário é um pouco mais familiar a mim. E julgo com isso não cometer necessariamente uma fuga do assunto, já que esse ponto é também familiar ao próprio Wolfgang Smith: o professor Olavo de Carvalho.

O argumento central do documentário é a questão de que a ciência moderna se apartou da realidade e passou a se desenvolver independente a ela, embora ainda assim com a pretensão de descrevê-la e explicá-la. O surgimento da realidade quântica é a conseqüência direta desse hiato entre realidade e análise, hiato que uma vez trazido à tona coloca em xeque o mundo quântico, como o título do documentário anuncia. Ora, esse abismo entre a realidade concreta e a construção teórica que se propõe a explicá-la é aquele fenômeno que o professor Olavo de Carvalho já identificou como o dado mais característico dos últimos séculos, a Paralaxe Cognitiva, que Wolfgang Smith não chega a apontar explicitamente como o nome do fenômeno que ele está analisando, mas cuja própria descrição desse fenômeno aponta para ela. Talvez a Paralaxe Cognitiva identificada pelo professor possa cooperar com o estudo de Wolfgang Smith.

Um outro dado também particularmente interessante em “O Fim da Realidade Quântica” é que a análise da argumentação científica propriamente dita se mistura a uma análise biográfica, uma anamnese mesmo, do próprio Wolfgang Smith. De tal forma que a rememoração da trajetória da vida e de estudos do filósofo ajuda a analisar a questão da realidade quântica a que o documentário se propõe. Imagino que isso seja uma demonstração daquela “busca da unidade do conhecimento na unidade da consciência e vice-versa” que o professor Olavo de Carvalho define como a própria atividade filosófica.

Longe de esgotar o assunto do documentário mas chamando a atenção para um último dado de interesse pessoal, é válido notar que enquanto no Brasil o trabalho pedagógico do professor Olavo de Carvalho é menosprezado pelos meios de comunicação, fora daqui ele parece receber o reconhecimento minimamente merecido.

Quando o apresentador do documentário, Rick DeLane, apresenta ao público o entrevistado da vez, o professor Olavo de Carvalho, ele trata inicialmente sobre o Seminário de Filosofia e sua importância na educação dos brasileiros, chamando logo a atenção para a obra mais importante do professor, em vez de desviar para picuinhas irrelevantes como é o modo de operação por aqui. Além do mais, o apresentador faz questão de chamar a atenção para o fato de que, desde que foi criado o site para o trabalho de Wolfgang Smith, o Philos-Sophia Initiative, percebeu que a maior parte das visitas e os comentários de maior qualidade vinham do Brasil. E percebeu de imediato que aquilo era claramente conseqüência do elo que o professor criou entre seus alunos brasileiros e Wolfgang Smith: “É o Olavo!”

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