Imagem: Reprodução

Carta aberta aos monarquistas brasileiros

É inegável o crescimento do movimento monárquico no Brasil. As causas são relativamente conhecidas dos brasileiros mais atentos, a saber:

I – O compromisso inabalável dos Príncipes da Casa Imperial do Brasil com as tradições nacionais, fazendo dessa instituição veneranda um repositório das legítimas aspirações do povo brasileiro;

II – A ausência quase que completa de quadros políticos de categoria gerados pela chamada Nova República, situação parcialmente atenuada com a atuação recente de outros quadros, senão abertamente aderidos à Causa Monárquica, pelo menos sensíveis ao que de positivo representaria ao país a restauração da monarquia parlamentar.

Os veteranos monarquistas que secundam a Casa Imperial do Brasil – gloriosamente chefiada por S. A. I. R., o Príncipe Dom Luiz de Orleans e Bragança – veem, pois, com grande alegria o surgimento dos diversos círculos monárquicos e grupos de estudos destinados ao combate, sempre dentro da lei, pela restauração da monarquia e à análise pormenorizada das grandes questões nacionais e de nossa rica história.

Parece-me, contudo, para a preservação da necessária alteridade, seja da Casa Imperial do Brasil, seja dos numerosos centros de difusão do ideário monárquico, que as iniciativas destes diretamente relacionadas com a imagem e a atuação da Casa Imperial devam, sempre, ser submetidas previamente aos nossos Príncipes, que saberão precisar a oportunidade, ou não, de cada uma delas.

Ainda no último domingo, dia 17 do corrente mês, algumas páginas de orientação monárquica começaram a difundir a Ideia Legislativa no sentido de “Incluir a Família Imperial Brasileira (Ramo de Vassouras) nos protocolos de Estado, incluindo-os nas visitas de Chefes de Estado e outras formalidades estatais. Dar-lhes o direito à representatividade política, histórica e diplomática.” [1]

Entretanto, consideramos que conviria deixar-se claro que tal louvável iniciativa foi de seus autores, em benefício dos ideais monárquicos, e não da Casa Imperial, pois poderia dar a impressão de que esta estaria procurando aproveitar-se da esperançosa atual conjuntura em benefício próprio, sem levar em conta a delicada situação política de nosso querido e sofrido Brasil.

Seria de todo oportuno que os nossos Príncipes dispusessem de funções diplomáticas ou representativas? Pode ser que sim. A Ideia Legislativa não representaria, em realidade, uma cessão de direitos à Casa Imperial por parte de quem jamais possuiria autoridade para tal, justamente a República que, com o golpe de 15 de novembro de 1889, assumiu funções para as quais não foi chamada a exercer nem pela história nem pelo povo? Pode ser que represente sob certo aspecto. O reconhecimento institucional da Casa Imperial pela República não constituiria um retraimento, pela acomodação que qualquer reconhecimento estatal inevitavelmente proporciona, do hoje pujante e robusto movimento pela restauração da monarquia parlamentar? É possível que sim, mas não necessariamente provável.

Seja como for, somente os Príncipes da Casa Imperial do Brasil, auxiliados pela admirável gama de monarquistas que lutam por esse ideal maior, podem considerar a questão de maneira correta e precisa.

É o que – na condição de monarquista convicto e plenamente consciente de que, se a monarquia, por um lado, não salvará o Brasil, por outro o Brasil não se salvará sem a monarquia – parece-me oportuno declarar neste momento.

Referência:

[1] Ver aqui: www12.senado.leg.br/ecidadania/visualizacaoideia?id=118257

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José Lorêdo Filho

José Lorêdo Filho

Livreiro e editor da Livraria Resistência Cultural Editora, cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo (IHGSP) e chanceler do Círculo Monárquico de São Luís.

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