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Como deixar um revolucionário em apuros com uma pergunta

“(…) a primeira condição de uma revolução decidida é que tudo o que pudesse preveni-la não exista, e que nada corra bem para os que desejam impedi-la” De Maistre

“Nós não precisamos de justiça a esse ponto. Estamos engajados hoje, de mãos dadas para combater até a morte! Até o fim! Eu proponho, eu demando, a organização de uma revolução aniquiladora contra todos os contrarrevolucionários” Felix Dzerzhinsky, 1918

Já mostrei que é da natureza do socialismo ser sanguinário (e aqui); não se trata de acidente ou curso desagradável e imprevisível dos fatos: é a coisa posta em prática na sua pura essência. Também é de sua essência que seja totalitário: por querer concentrar poder político e poder econômico e não por resultado do acaso que se formam Leviatãs que passarão por cima de quem for preciso, conforme atesta clara e limpidamente a história dos experimentos revolucionários.

Defender publicamente algo assim é extremamente problemático, diante da plateia de convertidos ou no corrompido meio universitário pode até passar despercebido ou soar normal; contudo, caso você esteja conversando com um revolucionário num ambiente saudável, há uma maneira possível de deixá-lo com as calças nas mãos, caso o público seja neutro (ainda que até mesmo ignorante) e você consiga forçá-lo a responder a seguinte questão:

O que você pretende fazer com aqueles que não aderirem à revolução [i.e., com os reacionários]?

A pergunta é simples, objetiva e de fácil resposta. Já tive a oportunidade de encurralar um anarquista e um socialista num debate público com essa pergunta. Force a resposta o quanto for necessário (como diz Ben Shapiro, fazer o esquerdista defender sua posição é uma etapa essencial do debate). Nesse momento, você fará o revolucionário ter a árdua tarefa de justificar um morticínio.

Lembrando, a pergunta é para deixa-lo embaraçado diante da eventual plateia honesta a ser abordada, ele próprio não verá maiores problemas em matar alguém aqui ou acolá (ou milhões de pessoas). Internamente, o revolucionário já “resolveu” esse problema com sua psicologia pervertida: ele justifica as mortes atuais com vistas ao futuro perfeito (vide Hobsbawm e os 30 milhões de mortos) – característica essencial da mentalidade revolucionária; ou crê em algo ainda mais ingênuo: que por meio de alguma manobra convencerá a todos de sua causa, não precisando matar ninguém (ainda assim, mesmo que ele convença TODOS os proletários, ele terá de exterminar a burguesia, pelo exemplo da mitologia marxista).

A possibilidade de um genocídio, mesmo ao ouvido político destreinado, sempre soará absurda ou no mínimo moralmente dúbia – qualquer empreendimento que dependa disso coisa boa não deve ser e qualquer um pode chegar a essa conclusão. Com a experiência histórica (pois é, os caras tão propondo o mesmo método para resolver os problemas há cem anos e nós que somos os reacionários…) e o senso moral inerente a qualquer ser humano normal, a probabilidade de rejeição à proposta revolucionária é enorme.

Como afirma Thomas Sowell, provavelmente o maior economista vivo, há três perguntas pelas quais praticamente nenhuma doutrina esquerdista é capaz de sobreviver:

1ª – Comparam [suas políticas] com o quê?

2ª – A qual custo? [processo revolucionário fascista e sanguinário. A qual custo? Milhares de vidas].

3ª – Que prova concreta tem [que suas políticas funcionaram/funcionam]? [notem que a argumentação esquerdista quase sempre se volta para o futuro, pois seu passado é tenebroso e justificá-lo requer diversas torções argumentativas. A promessa pela omelete segue; mas até hoje, apenas ovos quebrados].

Para quem duvida que a opção revolucionária sempre é pelo genocídio, seguem dois exemplos, um low profile e outro high profile. Primeiro da nossa expert em humor involuntário, a intrépida “Socialista Morena” (aka, Cynara Menezes):

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Percebam que Cynara fez a afirmação sem maiores recatos (a primeira, momentos depois de questionada por mim, ela alegou que se tratava de “humor”), provavelmente porque, consciente ou inconscientemente, sabia que entre seus seguidores o desejo de morte dos reacionários não causaria surpresa, horror ou despertaria qualquer sentimento de desaprovação; caso se tratasse de uma discussão pública, Cynara teria de defender sua posição com argumentos, teria de dar conta do problema moral da justificativa um genocídio.

Ainda, a referência aos opositores da revolução e de regimes comunistas/socialistas sempre é feita em termos como “traidores” (“Os traidores permanecem muito ativos; muito poucos dentre eles foram executados”); aqueles que traíram a nobre causa revolucionária, seja lá por razões reacionárias ou não. O texto “Os reacionários devem ser castigados” de Mao Tse-Tung é permeado por esse imaginário e vocabulário e pode ser lido no link: http://www.marxists.org/portugues/mao/1939/08/01.htm

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André Assi Barreto

André Assi Barreto

Bacharel, licenciado e mestre em filosofia pela Universidade de São Paulo. Licenciado em História. Professor de Filosofia e História das redes pública e privada da cidade de São Paulo. Pesquisador da área de Filosofia (Filosofia Moderna - Dercartes, Hume e Kant - e Filosofia Contemporânea - Eric Voegelin e Hannah Arendt) e aluno do professor Olavo de Carvalho. Trabalha, ainda, com a revisão de textos, assessoria editorial, tradução e palestras. Coautor de “Saul Alinsky e a anatomia do mal” (ed. Armada, 2018).

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