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Do pé de Sicômoro ao pé da Goiabeira: os encontros que incomodam a esquerda

Uma das narrativas mais famosas das Escrituras é a história de Zaqueu, essa narrativa encontra-se no evangelho de Lucas 19.1-10. Nessa história um publicano[1] rico chamado Zaqueu, sobe em pé de Sicômoro, pois sabia que Jesus atravessava a cidade de Jericó, tinha ele interesse em ver a Jesus. Algo intrigante nessa história é o fato que Zaqueu subiu em uma árvore para ver Jesus, porém quem vê a Zaqueu é o próprio senhor Jesus “Zaqueu desce depressa, pois convém ficar hoje em tua casa” (Lc 19.5). Ao longo da narrativa observamos que muitos murmuravam, afinal, Jesus se hospedara na casa de um pecador, entretanto, não podiam compreender o propósito daquela visita de Jesus, por acharem-se superiores ao publicano.

Uma outra narrativa muito comentada nesses últimos dias não se encontra nas Escrituras, porém, há algumas semelhanças com a narrativa de Zaqueu, não estamos falando mais de um publicano, mas de uma ministra do governo, não era um pé de Sicômoro, mas um pé de Goiaba, não havia uma multidão acompanhando Jesus, mas existe uma multidão acompanhando as falas da ministra, Jesus não enxerga de baixo para cima, mas de cima para baixo, muitas pessoas murmuram, não por Jesus se hospedar na casa de um pecador, mas por salvar a vida de uma pecadora.

O que é notório nas duas histórias mesmo com a abismo de tempo em que ambas acontecem, é o fato de que existe uma multidão murmuradora. Tal multidão enxerga-se acima de todas as coisas, são pessoas que acreditam em justiça própria, que desejam determinar o que convém e não convém, o certo e o errado, o ético e antiético. O que incomoda essas multidões são os encontros salvíficos que ambos tiveram (Zaqueu e Ministra), não serem encontros com algum tipo de ideologia materialista ou alguma filosofia antropocêntrica, mas serem encontros com o Verbo Encarnado, o Deus que se fez homem, a transcendência que rompeu a história para tocar a imanência e trazer redenção ao homem perdido.

As murmurações e piadas feitas hoje pela esquerda brasileira não são nenhuma novidade, a fé cristã sempre foi motivo de deboche para os pagãos, exemplo: zombaram dos apóstolos no dia pentecostes [2], os epicureus e estóicos chamaram o apóstolo Paulo de tagarela[3], o mesmo apóstolo é chamado de louco por Festo[4], o próprio Jesus foi motivo de zombaria para os soldados romanos[5]. É notório a todos que os cristãos sempre foram e sempre serão motivo de piada e zombaria para os pagãos.

Quanto a primeira história pode-se autenticar sua veracidade de forma literal, Zaqueu realmente encontrou Jesus, interpretando de forma mais fidedigna o texto, Jesus realmente encontrou Zaqueu. Já a segunda história, o encontro da ministra Damares com Jesus[6], não se pode afirmar sua literalidade, afinal é uma experiência pessoal, entretanto, sendo literal ou não esse encontro que a ministra afirma ter acontecido, o resultado preservou sua vida.

O que incomoda a esquerda brasileira na história da ministra, não é a história em si, mas o lado onde essa história encontra-se, ela não está sendo relatada por uma feminista ou sindicalista, a salvação não veio por meio de uma ONG, programa de assistência do governo ou através da narrativa da esquerda, a salvação veio através do maior opositor do pensamento esquerdista – o Cristo. Sendo assim, não importa se uma vida foi salva ou se uma mulher ocupa o lugar de ministra, para a esquerda só há louvor quando as situações promovem a causa, fora disso tudo deve ser zombado, denegrido e destruído.

Referências:

[1] Coletor de impostos ou de alfândega em favor dos romanos.

[2] Em Atos 2.13. Lucas diz que zombaram dos apóstolos, os chamando de embriagados, não compreendiam a descida do Espírito Santo sobre eles.

[3] Em Atos 17.18. Quando o apóstolo Paulo, esteve na cidade de Atenas anunciando o evangelho, judeus e gentios piedosos dissertavam a seu respeito

[4] Em Atos 26.24. Festo, então governador da Judeia, interrompe o discurso do apóstolo Paulo, afirmado que as letras faziam o apóstolo delirar.

[5] No evangelho de Mateus 27.27-31, é possível ver as atitudes de zombaria com o senhor Jesus, o despojo de suas vestes, a coroa de espinhos, o caniço em suas mãos, eram pobres substitutos do apanágio de um rei. Além de toda zombaria, Jesus ainda foi cuspido e agredido pelos soldados.

[6] O autor do texto não acredita que a ministra realmente teve um encontro com Jesus de forma literal, nesse texto simplesmente atenta para o fato do resultado da narrativa relatada pela ministra.

As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Wesley Felipe

Wesley Felipe

Wesley Felipe dos Santos, é um dos fundadores do Burke Instituto Conservador. Casado com Larissa Marazzio. É bacharel em teologia pelo Cetevap (Centro Estudos Teológicos Vale Paraíba) e covalidado pela Faterj, coordenador de cursos do Ministério Ler, membro do Templo Batista Bíblico de São José dos Campos –SP.

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