Entre cabulosos e criminosos

Na última sexta-feira (09/08) a internet pululou notícias, memes e matérias que davam conta do possível envolvimento do PCC com o PT. Em matéria da Folha de São Paulo ― assinada por Katna Baran e Rogério Pagnan ― o jornal repercute a notícia da TV Record de que interceptações telefônicas realizadas pela PF, na dita “Operação Cravada”, mostram uma relação próxima do PT com a facção criminosa do PCC. Segundo o criminoso, Alexsandro Roberto Pereira ― tesoureiro do Primeiro Comando da Capital ―, “o PT tinha uma linha de diálogo cabulosa com ‘nóis’”.

Vejam, independentemente da ideologia que você professe, se você é um indivíduo cujo caráter não é de R$ 1,99, e a moralidade não tão maleável quanto os direitos humanos da ONU, tal diálogo revelado não é algo que podemos simplesmente ignorar e seguir adiante. Ora, fomos governados por mais de uma década pelos expoentes do Partido dos Trabalhadores. Se o PT manteve quaisquer conchavos e burlas com a facção criminosa, a sociedade precisa saber com urgência pelo bem das próprias instituições republicanas; a situação tem que ser investigada com o devido furor da lei, a fim de desvendar todos os quartos escuros que ai possam existir.

Tal informação deveria colocar toda a mídia em atenção máxima, gelar a espinha daqueles que têm coisas a esconder e pessoas a subornar, assim como excitar a Polícia Federal numa investigação mais aprofundada com foco mais ajustado. Até onde iria os tentáculos da facção na coisa pública? Que tipo de diálogos eram esses? O que tratavam os interlocutores e quais eram os interesses comuns que moviam os diálogos? Existem várias questões sérias que merecem o devido esclarecimento, seja para inocentar o PT, seja para desenterrar aquilo que pode se tornar o maior escândalo político-criminal da história brasileira. Maior até mesmo que a própria lava-jato; afinal, estaremos falando da negociação de um partido que governou o país em conluio com traficantes e assassinos sanguinários.

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É verdade que o promotor Gaeco Lincoln Gakiya, promotor de larga experiência na investigação do PCC, afirmou em reportagem a UOL que não há indícios de que os governos petistas tenham negociado com a facção. Mas “a ausência de provas não é o mesmo que ‘prova da ausência’”. Tal adágio jurídico tem a intenção de mostrar que não é porque até ontem não existiam pontas soltas nesse conto, que o conto em si não seja verdadeiro, que o fedor da carniça não esteja começando a subir para a superfície nesse exato momento.

Ora, temos uma frase clara do tesoureiro da facção afirmando que o PCC tinha sim senhor “um diálogo cabuloso com o PT”; afirmando posteriormente que não poderia dar mais detalhes por telefone, demonstrando que alguma recomendação de silêncio sobre o assunto já era ponto pacífico entre os integrantes do grupo criminoso. A imprudência de Alexsandro pode ser a ponta solta que nos levará a palacetes de crimes ainda ocultos; aliás, não seria a primeira investigação de sucesso que inicia a partir das “línguas soltas” dos investigados.

Para piorar a PF disse em alto e bom som, a quem quisesse ouvir, que “foram encontrados indicativos de vínculos da organização criminosa PCC com partidos políticos”; quem tem ouvidos, ouça.

Ou existe outra interpretação razoável para “o PT tinha uma linha de diálogo cabulosa com ‘nóis’”, ou temos aqui um indicativo agudo que merece atenção das autoridades. Vou parando por aqui, mas indico o ótimo texto de Catarina Rochamonte sobre o assunto, sua competência é reluzente e sua perspicácia, esclarecedora.

Como filho desta terra, espero sinceramente que seja instaurada uma investigação sobre o que fora revelado, que seja conduzido uma força especial para a missão de puxar a linha até desmanchar todo o novelo. Se o que hoje é tese, se mostrar como fato amanhã, estaremos diante de um dos casos mais sérios e vergonhosos para a nação brasileira. Isso não é ignorável, muito menos piada!

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Pedro Henrique Alves

Pedro Henrique Alves

Filósofo, colunista do Instituto Liberal, colaborador do Jornal Gazeta do Povo, ensaísta e editor chefe do acervo de artigos do Burke Instituto Conservador.

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