Entre vidros e diamantes

A.-D. Sertillanges em sua obra A vida Intelectual afirmou: “… venham à vida intelectual com propósitos desinteressados, não por ambição ou tola vaidade…” (pg.23). Vaidade cega, a ambição vicia e ambos os elementos tornam refém a mente sóbria e ponderada. Jornalistas, escritores, filósofos sempre tiveram um grande poder de influência e o século XXI, com o advento da internet e suas redes sociais, expandiu muito o alcance dessas vozes. Há claro, como afirmou Umberto Eco, um nítido malefício já que as redes sociais foram responsáveis por dar direito a palavra a uma “legião de imbecis” que antes apregoavam suas ideias sem ter uma plateia que os escutasse , “sem prejudicar a coletividade” , diferente de hoje. Agora como diferenciar quem de fato possui algo a dizer de um simples tolo vaidoso? Embora a Arte Poética de Horácio, epistula ad pisones, não tenha sido escrita para versar sobre a vida intelectual, esse escrito possui trechos que muito tem a dialogar tanto para com verdadeiros intelectuais como para com tolos arrogantes e, certamente muito tem a dizer, ao ávido leitor.

Vocês que escrevem, tomem um tema adequado a suas forças… a quem domina o assunto escolhido não faltará eloquência. Argumentos lógicos, claros e precisos, somados a dados vindos de fontes confiáveis, são elementos que denotam um bom jornalista, escritor e filósofo. Desconfiar de quem fala com toda sapiência e retorica sobre certos temas, sem mostrar algo concreto que respalda suas conclusões é o mínimo que se deve esperar do bom leitor. Fujam dos pensadores parnasianos que falam bem, que se gabam da boa gramatica que usam e da beleza de suas palavras, mas nada tem de conteúdo. Fujam de quem só deseja likes e engrandecimento de sua soberba.

Principio e fonte da arte de escrever é o bom senso. O You Tube se tornou algo que nem grandes dramaturgos como Aguinaldo Silva poderiam ter imaginado: um festival de paranoia, boatos (Fake News) e disputa hilária e fútil por seguidores. Claro, seria leviano dizer que não existam canais de informação sérios, pessoas instruídas que já possuíam carreiras consolidadas, como jornalistas, escritores, analistas políticos, antes de adentrar essa mídia. Bom senso é necessário para buscar examinar fatos diretos das fontes primarias ter ponderação ao transmiti-los e genialidade para que as suas conclusões fujam do superficial, comum e do tendencioso.

Onde deve o leitor buscar a informação que tanto deseja? Quem deve ler ou assistir? Esse artigo buscou tornar mais claro o caminho, mas muito deve ser discutido e considerado. Creio que a leitura constante, o ouvido atento, o ceticismo (não ter nenhum argumento como verdadeiro e definitivo, sem antes analisar perspectivas diferentes) e a mente livre de preconceitos, tornam mais fácil distinguir o joio do trigo.

As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

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