Jornalismo brasileiro em (des) construção

Nesse quadro, a direita, como tal, não existe mais. Os ideais que a caracterizavam são cada vez mais criminalizados como extremismo, espalhando entre os políticos o medo de encarná-los em público por um instante sequer, para não serem tachados de golpistas, racistas, nazistas, o diabo. (grifo meu)

Olavo de Carvalho, filósofo e professor

A princípio, não era por credibilidade que muitos leitores buscavam novas fontes de informação, mas por valores que estavam escassos na imprensa e nas produções intelectuais do país. O antipetismo crescia dia após dia graças à indignação que as posturas, cada vez mais agressivas, de linhas de atuação social esquerdistas (feminismo, militâncias LGBTI+, movimento negro) causavam em grupos rotulados pela esquerda como privilegiados, portanto sem lugar de fala para debater assuntos de grande relevância nacional, somente por serem brancos, de família estruturada, cristãos e heterossexuais, que crime… A questão se tornou ainda mais perturbadora quando homossexuais e negros, como o vereador Fernando Silva Bispo, conhecido popularmente como Fernando Holiday vereador da cidade de São Paulo, começaram a ser vilipendiados nas mídias sociais com termos racistas e que atacavam suas identidades sexuais por esquerdistas, (não vou usar o termo gênero, questão de gênero, crime de gênero e afins, perdão amigo leitor, mas não é somente uma palavra, mas toda uma perversidade que ela encobre e que me causa ojeriza) deixando claro que não se tratava de garantir direitos de minorias representativas, mas sim, de amordaçar àqueles que discordavam e se recusavam a ver a realidade dividida entre opressores e oprimidos e se opunham a serem ensinados a sentir e ver a realidade através da percepção totalitarista e excludente própria de coletivos ideológicos. Não era sobre o direito do gay, do negro e da mulher, que tantos grupos gritavam palavras de ordem, mas sobre obrigar a sociedade a agir baixo a ditabranda (politicamente correto) e a paranoia que o marxismo cultural impõe. Jovens universitários em número cada vez mais expressivo buscavam uma literatura, um grupo intelectual, uma mídia que respondesse as suas indagações e inconformismos; as mídias sociais trouxeram youtubers conservadores e liberais, as portas do mercado editorial se abriam para publicações conservadoras e diante dessa nova realidade, ver tevê toda noite e esperar a sabedoria e honestidade de jornalistas da grande mídia não fazia mais sentido. A crise foi pela busca de uma mídia competente que apregoasse valores morais e éticos ignorados e jocosamente tratados pela grande imprensa, pela procura de filósofos, historiadores e análistas políticos que destrinchassem com argumentos sólidos as narrativas que dominavam as universidades. O antipetismo foi a derrocada da hegemonia esquerdista, pois possibilitou que o socialismo fosse analisado e visto sem adornos e maquiagem e abriu a porta de entrada para um florescimento do conservadorismo e liberalismo.

O jornalismo como máquina panfletária esquerdista:

A manipulação da verdade chegou a um ponto no Brasil em que os militantes da esquerda mais tóxica, alimentados pela mídia esquerdista, desde a mais branda até a mais extremista, acusam histericamente essa mesma mídia de formar o chamado Partido da Imprensa Golpista, o PIG, vocábulo tão presente nas discussões esquerdistas quanto a expressão “segura peão” num rodeio. A eles não basta que a imprensa seja majoritariamente esquerdista e que os espaços reservados aos jornalistas de direita sejam mínimos – eles querem a total aniquilação de toda ideia que seja contrária à revolução, e, por conseguinte, dos que propagam essas ideias (grifo meu). É por isso que não há imprensa livre em nenhum país comunista. (Mentiram e muito para mim – Flavio Quintela)

Há problema se um jornal ou revista adota uma postura ideológica no seu editorial? Não, a priori a liberdade de expressão permite que tal coisa ocorra e, na verdade, diferentes correntes de pensamento analisando um mesmo evento é algo importante dentro da democracia, quando tal trabalho não é desonesto intelectualmente. Um trabalho jornalístico sério deve ver a realidade e dela tirar suas conclusões, não distorcer a realidade em prol de uma narrativa. A questão é que a esquerda absorveu totalmente as ideias do filósofo Antonio Gramsci, onde este via com clareza que o domínio do palco cultural e educacional permitiria o controle das esferas políticas e sociais sem a necessidade de uma intervenção violenta. O jornalismo, como diz Flavio Gordon no seu livro A corrupção da inteligência sofre com: “A onda do politicamente correto (PC) — ou, se traduzido ao pé da letra, “correção política” (political correctness) — que corrompe a linguagem jornalística (grifo meu)” .O politicamente correto criou uma maquina panfletária covarde, parcial e com uma pobreza de análise que chega a ser pueril a interpretação realizada por articulistas e demais membros da imprensa. Questionar a presença de atletas homens ( transgêneros) em modalidades esportivas femininas é homofobia, a morte de um negro sempre é racismo, analisar as incoerências do movimento feminista, como faz a brilhante deputada estadual Ana Campagnolo, é machismo, sendo esta renomada conservadora a pobre vítima do mal do machismo estrutural que mácula a sociedade. As manifestações do dia 26 de maio foram rotuladas como antidemocráticas, antirrepublicanas e golpistas por grande parte da imprensa que se houvesse checado a fonte que originou tais rotulações veria não haver base de sustentabilidade para tais ideias. A mesmice e covardia dominam de tal forma a quase totalidade da imprensa que esta, frequentemente, somente copia , parafraseia e endossa a mesma interpretação já exposta em outros grupos de comunicação.

O jornalismo brasileiro em geral se dobra diante do politicamente correto e seu moralismo regado a lagostas e vinhos e que busca o auto asilo em Nova York. Rodrigo Gurgel, critico literário, na introdução do livro de Flavio Gordon coloca:

No que se refere ao jornalismo, Gordon repete análise perfeita, salientando como sua linguagem tornou-se “enviesada e hesitante; nada pode ser dito sem medo de ofender ou violar alguma norma do moralismo progressista, (Grifo meu) com toda a sua seletividade e duplo padrão de julgamento”.

A espiral do Silêncio: dinheiro, fama e boçalidade na mídia.

Durante a década de 1960 a escritora e pesquisadora alemã Elisabeth Noelle-Neumann, começou a estudar o que seria conhecido um pouco mais tardiamente como a teoria da espiral do silêncio; esta teoria versa sobre o papel da opinião pública como agente de controle das decisões de indivíduos. Neumann partia de uma obviedade para desenvolver uma teoria sobre a relação dos meios de comunicação e o controle social que deve ser estudada com muita atenção: os agentes sociais percebendo que determinada opinião não é compartilhada pela maioria dos indivíduos busca manter tais ideias no âmbito privado e emitindo opiniões que convirjam com o meio onde está a fim de obter aceitação e não sofrer retaliação. Tal fenômeno é natural, mas, graças ao papel da mídia, passa a ser usado para controlar o comportamento do publico em busca de um determinado resultado na esfera politica e social, como sempre diz Olavo de carvalho e Bruno Garschagen , a cultura possui um papel primordial pois através dela é possível prever , controlar e / ou direcionar o modo como a sociedade se inclina ( reage) diante de certos temas, por isso, a cultura dominada, quase hegemonicamente, por uma ideologia é algo extremamente perigoso para a democracia.

Quantas vezes você não preferiu o silencio a emitir uma opinião sobre racismo, feminismo, movimento negro, movimento LGBTI+, somente porque compreendia que não seria aceita e, ademais, poderia prejudicar sua carreira acadêmica ou ascensão no emprego? Quantas vezes você ouviu jornalistas, radialistas e demais membros da imprensa sempre enfatizando e repetindo as mesmas conclusões e entendimentos sobre os temas recorrentes? Quantas vezes alguém buscou silenciar você usando termos como homofobia, mansplaining, cultura do estupro, lugar de fala e tantas outras palavras similares?

A mídia superexpõe certos temas baixo as mesmas interpretações e conclusões o que transmite a impressão que há um quase consenso e que,se há divergência , ela parte da ignorância e fanatismo de certos grupos. Armar a população criará um caos urbano, um faroeste no Brasil, o Brasil é o pais que mais mata homossexuais, mulher ganha menos que homem nesta nação e a lista segue… Claro que afirmar que tudo faz parte de um grande complô seria cair em teoria da conspiração, mas o fato é que grande parte da imprensa acredita de fato no que apregoa mesmo quando não a nada sólido que sustente tais crenças. Pensar fora da caixa e avaliar a lógica de seus argumentos através de pesquisa bibliográfica séria seria tirar a frágil peça que sustenta um castelo de cartas e entre a realidade complexa e um visão ideológica simplista, superficial, reducionista e confortante, os influenciadores da grande mídia ficam sempre com a segunda opção. Vemos análises cheias de adjetivos, pobre em referências bibliográficas, sem dados da realidade, que soa a cada dia menos plausível ao público, e que nada mais é que pura boçalidade.

Ousar é difícil, ser a voz do contraditório algo penoso e pouco lucrativo. Os brilhantes analistas do jornalismo brasileiro, não todos, buscam a fama, o prestigio e a segurança financeira, elementos incompatíveis e dificilmente obtidos por quem deseja lutar contra o establishment. Como já disse Olavo de Carvalho no seu artigo Maquiadores do crime: “trata-se de extinguir, na alma do inimigo, não só sua disposição guerreira, mas até sua vontade de argumentar em defesa própria, seu mero impulso de dizer umas tímidas palavrinhas contra o agressor”.

Bem, alegro-me em ver que não estou sozinho nessa batalha por um jornalismo sem obscuridades e vãs adjetivações. Como conservador só vejo um modo de seguir escrevendo artigos como este:

Por décadas os conservadores têm sido atacados por intimidadores. E só há uma maneira de lidar com intimidadores. Nas palavras da Casa Branca, revide com o dobro da força.

(Como Debater com Esquerdistas e Destruí-los 11 regras para vencer o debate – Ben Shapiro)

As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Carlos Alberto Chaves P. Junior

Carlos Alberto Chaves P. Junior

Graduado pela Universidade Federal de Pernambuco ( UFPE) em letras desde o ano de 2008.

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