O governo que não pode dar certo

“Um governo que não tem como dar certo”, é assim que podemos identificar e resumir a opinião religiosamente crítica a Bolsonaro e sua equipe na maioria dos grandes veículos de informação do país. Não importa o que ele fará, e nem os reais méritos que ele possa ter num projeto e em sua aprovação; o que importa é que no final, num editorial fielmente anti-Bolsonaro, a conclusão seja invariavelmente que o governo falhou. Na alegria e na tristeza; na saúde e na doença; na riqueza e na pobreza: critiquem o “Bonoro”. Eis a agenda “independente” de grande parte do jornalismo nacional.

A aprovação do MP 871 é mérito do congresso, a possível aprovação da reforma previdenciária e tributária, mérito do centrão; aliás, o “centrão salvará o Brasil”, disse Maia. O fato é que já se tornou terreno comum ao mainstream brasileiro: quando um projeto do governo é aprovado, o mérito é do congresso; quando algum é recusado, é culpa do governo. Eu disse: um governo que não tem como dar certo.

Longe de considerar o governo Bolsonaro sacrossanto, puro ou até mesmo satisfatório em tudo que faz. Muito menos ainda penso que a mídia deva ficar “passando pano” em chefes de Estado; pelo contrário, a crítica justa sempre deve existir e, se for identificado sujeira no palácio, que afoguem o presidente e seus apoiadores em mares de justas oposições e denúncias. No entanto, e agora falando como analista político, a verdade deve ser sempre o fator de equilíbrio e de respaldo em nossa profissão. Não ter “rabo preso” para criticar, e nem receio em elogiar, é a real liberdade que um analista político sincero deve buscar em suas atuações; se já tiver tal liberdade, resguarde-a como ouro.

Bolsonaro erra muito quando a questão é o necessário diálogo com os demais poderes e com a oposição em si mesma. “Diálogo” que, nesse caso, não é a mesma coisa que “toma-lá-dá-cá”, deixemos isso bem claro. Nunca tivemos um governo com tantos erros de comunicação, com membros que mais atrapalham do que ajudam; nunca antes tivemos um governo em que os filhos do presidente se acham no direito de governar com o pai. Ministros que erram termos essenciais em suas explanações, articuladores que agem como crianças no ensino fundamental, arriscando projetos em prol da nação porque preferem ficar provocando colegas de partido em redes sociais. Patetices dignas de picadeiro. Ora, um governo que constantemente erra na comunicação, unido a comunicadores que odeiam o governo, pronto, a crítica já está feita e nem foi necessário construção mentirosa do inimigo.

No entanto, apesar de tais aporias, o governo está funcionando em pleno vapor, propostas de reais melhorias estão sendo colocadas em pauta e algumas já estão efetivadas. E se me permitem um real apreço da questão, os erros, apesar de muitos, não encobrem os frondosos e vistosos acertos até o momento:

  • O mês de abril, por exemplo, empregou quase 130 mil pessoas com carteira assinada, em plena crise financeira mais cruel dos últimos 20 anos; tudo isso a partir dos rumores das melhorias que virão a partir dos projetos da equipe econômica de Bolsonaro. O melhor resultado desde 2013.
  • Fomos indicados pelos EUA na OCDE após a reunião entre Donald Trump e Bolsonaro em Março; a OCDE é a principal porta de entrada no primeiro-mundo econômico.
  • A equipe de Relações Exteriores está fechando dezenas de embaixadas inúteis ao redor do globo, o que renderá grandes economias aos cofres públicos.
  • O acordo bilateral com os EUA pela concessão do uso da base de Alcântara, acordo esse que renderá bilhões de dólares anualmente ao Brasil.
  • A Fiat-Chrysler anunciou que irá investir R$ 16 bilhões no Brasil até 2024; General Motors investirá 10 bilhões; a OI investirá 7 bilhões; Mercado Livre, 3 bilhões; Scania, 1,4 bilhão de 2021 a 2014; Heiniken, 550 milhões em São Paulo; Hitachi, 300 milhões; KIA Motors, 165 milhões; Hyundai, 125 milhões em Piracicaba.
  • 13º salário ao Bolsa-família.
  • Desburocratização na abertura de micro e pequenas empresas.
  • Corte de mais de 21 mil cargos comissionados.
  • Leilões de 12 aeroportos e 4 terminais portuários.
  • A já pré-anunciada privatização dos correios que deve ocorrer até final do ano.
  • Sem contar os 24% a menos de homicídio no primeiro trimestre.

O que eu quero dizer, já que parece ser pecado afirmar tais coisas em plena luz do dia, é que o governo está acertando sim, e em muitas coisas. Alexandre Garcia, talvez o maior jornalista brasileiro vivo, afirmou recentemente que este é o governo que mais trabalhou nos primeiros 5 meses, que mais apresentou projetos e que mais buscou desconstruir o cancro de eras de descalabros morais e institucionais na república tupiniquim.

Na verdade ― e agora me permitam a liberdade poética ― me parece que por trás de “um governo que não tem como dar certo”, se esconde “um governo que não pode dar certo”. As mídias, através das recentes entrevistas com Rodrigo Maia e Geraldo Alckmin, começam a ventilar suas opções pessoais ― nunca antes confessas ― pelo parlamentarismo, uma maneira gourmet para retirar Bolsonaro e dar a gerência nacional ao “centrão” ― o nome que está acima de todos os nomes, e por isso não deve ser citado, a pedido de Maia.

Um golpe verdadeiramente elegante ao estilo House of cards; uma rasteira com cara de abraço. O presidencialismo não mais satisfaz as sanhas daquele núcleo de deputados e senadores que, até pouco tempo, trabalhavam debaixo de endossos e carinhos eternos do executivo. E já que a regra do jogo favorece aqueles que não endossam as suas causas, então Maia quer mudar de jogo, simples assim. Ou será que estou levantando mais uma teoria da conspiração?

Por fim, é claro que o governo Bolsonaro tem problemas, mas está bem longe de ser um desastre. O fato é que muitos perderam a mão da crítica sensata, alguns, antes mesmo de analisar os pormenores das situações, já decidiram qual lado defender. Sendo assim, muitos comentaristas já estabeleceram que suas agendas serão de oposição ou de situação frente ao governo Bonoro; todavia, isso não é análise, isso é torcida.

Não é que o governo não está dando certo, é que para o mainstream ele definitivamente não pode dar certo ― como o corajoso e excessivamente sincero Paulinho da Força disse recentemente. O sucesso do governo Bolsonaro se trata do evidente fracasso do jornalismo engajado que tentou de todas as formas que ele sequer fosse eleito.

Trump praticamente trouxe o desemprego americano a zero, ergueu a economia estadunidense em 3 anos o que era esperado em quase uma década, reafirmou todos os dispositivos de liberdade constitucional, e mesmo sob uma enxurrada de críticas midiáticas, manteve inconteste a liberdade de expressão. Ainda assim ele é odiado, e sua administração é considerada fascista, anti-humanista e um desastre social; isso porque não importa os fatos, o que importa é a narrativa que preparará o caminho da próxima administração. A questão não é acertar ou errar, ser bom ou ruim, mas ter um governo alinhado ao mainstream.

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Pedro Henrique Alves

Pedro Henrique Alves

Filósofo, colunista do Instituto Liberal, colaborador do Jornal Gazeta do Povo, ensaísta e editor chefe do acervo de artigos do Burke Instituto Conservador.

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