A tirania dos tolerantes

Imagem: TV Globo

Estamos vivendo na era dos frágeis; confesso, porém, que prefiro o termo “pé-no-saco” para tal situação, no entanto, para não ofender alguma minoria possuidora de problemas no escroto, manterei o “frágil” como palavra padrão. Fato é que estamos criando uma sociedade que é avessa a xingamentos, ofensas e demais regalias da evolução brutal de nossa espécie, e também da nossa costumeira tolice; adotando assim algumas palavras de “marshmallow” e “algodão doce”, pensando que dessa forma mudarão a constituição mais nevrálgica do Homem, isto é: a verdade de que somos falhos e, justamente por sermos falhos, somos idiotas e babacas. A vida é a arte de controlar e evitar idiotices; assim como a política é o árduo ofício de sanar problemas gerados por nossos recorrentes e inevitáveis fiascos.

O problema é que a violência, o destrato, o erro, a pulha, o asco e até mesmo — acreditem se quiser — o fracasso, continuarão a existir independentemente de qual nome daremos a eles no ano 3000. O que nos fará fortes apesar dos idiotas e dos fracassos inevitáveis da espécie, é a maneira como lidaremos com tais problemas: buscaremos denunciar e deixar de ser idiotas, assim como melhoraremos as nossas habilidades e moralidades a fim de que diminuamos os fracassos? Ou apenas vamos chorar, cantar canções bonitinhas, mostrar as tetas nas ruas e chamar a Kéfera para comentar sobre política?

Parece que, quanto mais nos acostumamos às vantagens que a ciência e tecnologia do século XX e XXI nos legaram, mais sensíveis e frágeis nos tornamos. A rigidez nem sempre é sinônimo de culhão e força, é verdade, ser maleável, por vezes, é garantir a subsistência através da esperteza; no entanto, ser inteiramente maleável é o mesmo que não ter espinha e textura própria; é sermos tão insossos e amorfos que nem para ser nada nós servimos. Aliás, caso não saibam, fiquem sabendo: geralmente os insossos se escondem atrás de grupos que amplificam as suas birras, fazendo com que se sintam mais fortes e importantes, ainda que na realidade crua e cruel não sejam.

Esta geração que não chama negro de “preto”, pois a palavra soa preconceituosa, é a mesma que quer legalizar a morte de bebês intrauterinos; afinal, para a Geração Z, a palavra dói mais do que o fórceps esquartejando um bebê em sua natural manjedoura de carne. A geração que quer salvar a humanidade, se esquece do mendicante; a casta social que diz que somente o diálogo resolve, é a mesma que diz que diálogo com “fascistas” é na ponta do fuzil; é a mesmíssima geração, aliás, que chora o AI-5 e aplaude a revolução cubana.

Ps. A revolução cubana matava gays, só por serem gays, e mesmo assim você aplaude ela com louvores e hosanas.

Ou seja, temos uma geração esquizofrênica, que baldeia suas posições entre a luta pela paz mundial e o amor às ditaduras; que quer a igualdade a todo custo, até mesmo sob o custo da mais severa desigualdade. É o apreço público e vistoso por um controle que se faz através do mais alto descontrole e relativismo; é a busca pela retidão que se constrói pela incoerência; é a moralidade através dos devassos; é o ato de lutar pela sociedade, encaixotando a todos nas diretrizes dos grupos minoritários; é defender a democracia através da tirania; é amar através do ódio.

Desta maneira criamos a ditadura dos indulgentes, a tirania dos tolerantes. Aqueles que, para emudecer um oponente de ideias, regurgita um belo de “manterrupting”. Olha só que genial, ao invés de debater e buscar a verdade dos fatos — ou apenas o esclarecimento desses — cria-se um termo para calar a boca de seu oponente a fim de que só um tenha o benefício do discurso; a plateia vai ao delírio com a lacração ao estilo Stálin de debate, o bom e velho padrão Mao Tsé-Tung de liberdade de opinião.

Caso não concordemos que gays e lésbicas possam desfilar seminus na Avenida Paulista, às 15 horas, na frente de velhos e crianças, somos homofóbicos; da mesma forma que sou transfóbico quando não concordo que o ex-João possa usar o mesmo vestiário que a minha filha, só porque ele acha que seu pênis foi um erro de percurso do criador; e, assim, num instante de “lucidez” vomitada pela lacrosfera, me vejo passar de mero crítico do movimento gay e da ideologia de gênero, a caçador e assassino de homossexuais.

O que fazem aqui, no entanto, é tão somente calar a boca daqueles que não pensam como eles. Sem debates, sem porquês ou justificativas; não é mais a vitória dos melhores argumentos, é puramente a histeria das massas que importa, o quão mais alto você pode gritar e lacrar na TV e internet.

Na desculpa de resguardarem a segurança das minorias e dos indefesos, agem como policiais da tolerância alheia, a GESTAPO das Redes Sociais e dos centros universitários. A realidade é que a tirania mudou de cercania, abandonou temporariamente as fardas, coturnos e fuzis — temporariamente, é bom frisar — para abrigar-se sob as línguas de lacradores.

Bem sabem eles que quem controla a linguagem controla tudo; se nesse processo que há entre pensar algo, formular uma cognição segura para explicar o pensado em palavras, e o próprio ato de falar; se entre tudo isso houver um filtro ideológico determinante do que é pecado ou não dizer, esse filtro determinará então o que será dito e, consequentemente, o que será cravado como certo e errado.

Quem controla a linguagem através de uma ideologia consegue ser mil vezes mais tirano que Stálin, por exemplo; pois Stálin matava indivíduos, mas não matava ideias, a prova foi a existência de resistentes como Alexander Soljenítsin e Yevgeny Zamyatin que, apesar de serem ferrenhamente perseguidos, expunham suas verdades. Homens que atuaram como vingadores daqueles que foram emudecidos pelas covas. Mas o que fazer quando as covas passam a ser para os vivos e não mais para cadáveres? Quando trocam o silêncio da morte pela tarja do politicamente correto, fazendo com que vivos tenham tanta liberdade para falar quanto têm os mortos? Uma tática sensacional, confesso; o resultado é o mesmo de outrora, mas agora sem o fedor de carniça e as montanhas de ossos.

As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Facebook
Compartilhar no twitter
Twitter
Compartilhar no google
Google+
Compartilhar no whatsapp
WhatsApp
Compartilhar no email
Email

Comentários

Relacionados

Consumo Mensal
Artigos
1/3
Quer aumentar o seu limite mensal e ainda ter acesso GRATUITO a cursos com emissão de certificado, entrevistas, podcasts, documentários e hangouts exclusivos?
Seja membro do Meu Clube Conservador, a maior plataforma conservadora da América Latina.
CADASTRE-SE GRATUITAMENTE
Categorias