Sérgio Lima/Poder360

Bolsonaro e a arte da liderança

A politica é um palco onde somente os melhores estrategistas conseguem triunfar. Muito se fala em Antonio Gramsci, jornalista, político e teórico marxista, em mídias conservadoras, a fim de compreender como a esquerda busca dominar as discussões nacionais e o modo como constrói uma imagem acolhedora e segura para com as minorias representativas, embora, factualmente, a esquerda pouco faz de concreto, seja na área social ou econômica. Creio, todavia, que Sun Tzu, general, estrategista e filósofo chinês, ( 545 a.c- 470 a.c) autor do manuscrito celebre que versa sobre estratégias militares, A Arte da Guerra, possui muito a dizer ao novo governo, especialmente, ao Presidente Jair Messias Bolsonaro, como também Nicolau Maquiavel (1469-1527), filósofo e historiador italiano, autor da obra O Príncipe.

E por isso, digo: “Conhece o teu inimigo e conhece-te a ti mesmo, e nunca porás a vitória em dúvida. Conhece o terreno, conhece o tempo (grifo meu), e a tua vitória será total”. (SUN TZU)

Inimigo. Identificar o inimigo a ser vencido demanda inteligência e conhecimento. Não é o Partido dos Trabalhadores ou as militâncias o inimigo a ser vencido, e sim, toda uma ideologia com raízes filosóficas, politicas, sociais e históricas profundas; uma caneta, discursos inflamados e toda uma luta por higienizar ideologicamente os corredores do planalto não serão suficientes. A figura do candidato Jair, com suas frases polêmicas (mitagens), não pode continuar sendo a mesma, sendo ele agora o presidente e líder da nação. O caso onde o presidente define os manifestantes que foram as ruas induzidos e manipulados, a maioria, a crer em cortes na educação como “idiotas úteis” não está errada se compreendemos o que é um “idiota útil”; tal termo surge durante, possivelmente, há outros entendimentos, durante o período de guerra fria para designar ocidentais que colaboravam com o regime soviético por haver sido cativados por uma narrativa utópica, todavia não eram mais que uma massa de manobra a servir interesses escusos. O presidente não definiu errado, mas falhou a tratar uma massa de iludidos dessa forma, pois ele, seguindo o clima da campanha eleitoral, tratou os como oposição e agora, de fato, são todos liderados baixo a sua tutela e devem ser guiados. O ódio que a esquerda já embuti nas massas não há razão de ser alimentado por falas inadequadas.

Conhece-te a ti mesmo. Difícil arte é identificar as próprias limitações e buscar os meios de superá-las. Uma ideologia que conseguiu através da manipulação de fatos e figuras históricas, de um judiciário militante, de um grupo de intelectuais de renome no palco nacional, porém tendenciosos, do aparelhamento ideológico do estado, que o tornou uma maquina propagandista, e, claro, de uma mídia que favorece a ideologia marxista e suas narrativas, seja por convergência de ideias seja por interesses de favorecimento econômico, não será facilmente refutada. A ausência de uma leitura histórica clara e precisa que se contraponha a toda uma narrativa ideológica, sem o estado assegurar e buscar meios para que o judiciário não aja para além de sua alçada (como se fosse um poder legislativo paralelo ao democraticamente estabelecido), sem um grupo de intelectuais sérios e doutos (historiadores, filósofos) que se contraponha aos intelectuais esquerdistas de modo sério e não superficial, sem uma mídia que seja honesta e competente (além de ideologicamente contraria a ideologia marxista), não será possível ao atual governo realizar algo significativo. Economia, obvio, é importante sim, mas como já explicou o escritor Bruno Garschagen na palestra realizada na III semana da liberdade em fortaleza: “Não há política e economia numa sociedade saudável e próspera sem uma cultura anterior que a oriente e defina”. O grande problema do Brasil é predominantemente cultural e social sendo a economia um poderoso alicerce a ser restaurado.

A retórica esquerdista tem um diálogo sedutor com as minorias representativas ao ponto de qualquer ideologia oposta ser demonizada por esses militantes e adeptos. Pouco foi feito de concreto para com essas minorias através de políticas públicas estruturantes, mas o discurso emocionalmente bem construído é sedutor e oferece um conforto e felicidade que cega o público alvo para as falácias apresentadas. Denunciar os engodos da esquerda deve fazer parte da preocupação do governo, levando o debate sério e sem censura para escolas e universidades. O governo precisa de algo que notoriamente lhe falta: comunicabilidade. Atrair a confiança dos que duvidam da capacidade de governar do presente governo e aumentar a confiança da massa que já confia como diz Sun Tzu: “Por influência moral entende-se a harmonia entre o povo e os seus dirigentes”.

Todavia convém ser comedido nas convicções e na ação, sem se deixar tomar pelo medo, procedendo com temperança e humanidade,(grifo meu) de modo que a excessiva confiança não o torne incauto nem a desconfiança em excesso o torne intolerável. (Maquiavel , capitulo XVII)

O medo de perder espaço diante das investidas de adversários ocasiona tomadas de decisões rápidas e repletas de falhas. Cada ação no palco politico deve ser realizada com segurança, equilíbrio e precaução. Melhor avançar a passos lentos, mas com certeza de não retroceder, que realizar um feito simbolicamente importante e grandioso, porém que pode ser derrubado seja por um STF militante, um legislativo embebecido pela velha politica e sua corrupção ou mesmo por disputas internas que devem ser resolvidas no privado e não expostas nas redes sociais. Não adianta ser competente, deve-se parecer competente, pois uma imagem vale mais que palavras publicadas em twitter e instagram.

…que se baseie no povo e que possa comandar e que seja um homem de coração — e não se amedronte nas adversidades nem seja despreparado e mantenha todos animados sob suas ordens e seu ânimo (grifo meu) —, ele nunca será traído pelos seus e verá que seus fundamentos são bons.

Os militares são tecnocratas bem intencionados, em sua maioria, já a ala ideológica influenciada pelo filósofo Olavo de Carvalho possui um norte de como agir diante de um estado ideologicamente aparelhado. Ambas tem importância e valor como também diferenças. Harmonizar ambas em prol de um plano de governo sustentável é um desafio que recai, em grande peso, na figura do presidente. O desafio de cada ministério é enorme e a pressão da velha politica imensurável e por isso precisam acreditar que o presidente estará com eles e os apoiará e se empenhará a cada momento para favorecer o trabalho que vem sendo realizado. O ministro-chefe da casa civil Onyx Dornelles Lorenzoni possui papel fundamental como também os representantes do governo no senado e câmara dos deputados federais, que mostram até agora muito esforço com poucos resultados.

 

O desafio da liderança é ser forte, mas não rude; ser gentil, mas não fraco; ser ousado, mas não um valentão; ser humilde, mas não tímido; ser orgulhoso, mas não arrogante; tenha humor, mas sem loucura

Jim Rohn.

 

É absolutamente necessário para mim, ter pessoas que podem pensar por mim, assim como executar ordens

George Washington.

 

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Carlos Alberto Chaves P. Junior

Carlos Alberto Chaves P. Junior

Graduado pela Universidade Federal de Pernambuco ( UFPE) em letras desde o ano de 2008.

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