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Jesus: Salvador ou sindicalista? – O curioso caso dos cristãos de eleições

Como já é de costume do esquerdismo, tudo aquilo que ele não consegue destruir, como foi o caso do cristianismo no século XVIII, XIX e XX, ele tenta absorver a fim de distorcer ao seu favor. Após anos de perseguições e morticínios de cristãos, o socialismo percebeu que, se o cristianismo fosse mais um militante acéfalo em suas fileiras partidárias, não só isso seria bom, como ajudaria a difundir a mensagem de seu verdadeiro deus: o Estado.

Não é à toa que vários candidatos de esquerda se aproximam de pastores e padres em épocas eleitorais; ir à missa ou ao culto, citar passagens bíblicas e até orar em voz alta, faz parte daquele teatro que é necessário para o voto; algo parecido com os teatros de autocrítica dos soviéticos. No entanto, assim que se apagam as luzes que miram o púlpito, a Bíblia é jogada num canto e O Manifesto novamente figura em suas mãos; assim que o padre desce do altar, sobe no palanque o chefe do partido; assim que a cruz sai de cena, novamente o Martelo e a Foice estarão lá. Tudo isso tem uma causa simples: eles não são cristãos, são políticos que, temporariamente, precisam dos votos dos reais cristãos; e, para tal, não custa nada dizer coisas que para eles nada significam, gesticular e se dirigir a símbolos que são tão somente gessos moldados. Suas orações não passam de palavras desprovidas de sentido e sentimento; suas pregações, tão vazias quantos suas próprias propostas.

Neste socialismo pseudocrístão, Cristo passa a ser tão somente um sindicalista; de salvador da humanidade, passa a ser o revolucionário do proletário ou de alguma minoria qualquer. O que poucas pessoas perceberam até hoje — afinal, houve um largo trabalho da Teologia da Libertação em sacralizar os pressupostos marxistas aqui no Brasil —, é que cristianismo e socialismo são incompatíveis em sua essência; sendo o primeiro a avenida que conduz à terra eterna e, o segundo, a pretensa ideologia arquiteta de uma sociedade perfeita, aqui mesmo no imanente. Desta maneira, ou Jesus deixa de ser a 2ª pessoa da Trindade, a fim de cumprir uma missão política, social e, quiçá, partidária; ou ele é o Deus prometido à Israel através das profecias de Isaias, Jeremias, entre outros. No intuito primevo de tomar para si o espólio dos pecados da humanidade na Cruz, como a reta doutrina bíblica nos ensina, ou Jesus é Deus, remissor da humanidade; ou é ele um sindicalista e ideólogo. Os dois Ele não pode ser!

Cartas de compromissos são escritas, jurando ser aquele mesmo abortistas de dias atrás, um autêntico pró-vida, um suposto homem compromissado e estruturado no dever de salvaguardar os bons costumes. Flertam com discursos mais conservadores, usam palavras mais afeitas ao povo cristão raiz, para ver se surge qualquer efeito e aceitação de suas pautas nada conservadoras.

Aliás, em nenhum outro momento tantos teólogos eruditos são formados, em nenhum outro instante tantos piedosos e misericordiosos cristãos à esquerda são forjados, quanto nas semanas que antecedem as eleições. Em época de votação, o cristianismo deixa de ser patriarcalista, a fé deixa de ser ópio do povo, Jesus para de ser mitologia, e os cristãos mantenedores da sociedade machista; as esquerdas começam então a serem fervorosas defensoras da pureza evangelical, seus discursos passam a ser verdadeiras homilias, trechos bíblicos começam a figurar sem demora em cartazes de passeatas.

Em época de eleição Jesus deixa de ser expressão de engano e manutenção da sociedade patriarcalista, câncer que sustenta a sociedade conservadora, a fim de ser tão somente o militante do PT e eleitor do Haddad.


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Não raro, traçam um sinal da cruz quando as pesquisas só mostram suas quedas vertiginosas; em uma epifania política, chegam a pedir a Deus que o poder de Herodes seja lhes dado. A discussão mais tola que poderia haver na política, seria justamente a de saber se o Cristo era de “direita “, ou “esquerda”. E por favor, poupem-me desse vexame histórico, herético e pseudopolítico; todavia, não é nenhuma tolice para nós conservadores afirmar com uma certeza indissolúvel que Cristo não é petista — assim como não é bolsonarista. Se há uma primazia aqui, essa é a do Senhor Jesus, não a dos políticos; se querem ajustar alguém a algo, que consertem seus caracteres aos mandamentos de Deus, sem filiar Deus às suas militâncias.

Para o espanto de muitos bispos, padres, pastores e fiéis que encontram nos versículos bíblicos as confirmações para os seus dogmas políticos; Cristo está acima de qualquer briga maquiavélica por poder. Usar Cristo como cabo eleitoral é tão absurdo quanto usar Heródes como salvador social; como achar que o PT é capaz de honrar promessas pró-vida — como fez Haddad —, ainda mais quando essas promessas possuem premissas de fé.

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Pedro Henrique Alves

Pedro Henrique Alves

Filósofo, colunista do Instituto Liberal, colaborador do Jornal Gazeta do Povo, ensaísta e editor chefe do acervo de artigos do Burke Instituto Conservador.

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