Com a eleição de Jair Messias Bolsonaro, tudo indica que a partir de janeiro do próximo ano uma nova era terá início no Brasil. Uma era de liberdade na economia, de combate à corrupção na política e de resgate dos valores morais tradicionais, que vêm sofrendo ataques sistemáticos há três décadas, com investidas que se aprofundaram a partir de 2003, quando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, hoje condenado à prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, e sua sucessora, Dilma Rousseff, impedida em 2016 por improbidade administrativa, ocuparam sucessivamente o Palácio do Planalto, durante os treze anos que se tornarão conhecidos como o período mais tenebroso da história brasileira – aquele em que seu partido – o Partido (dito) dos Trabalhadores – esteve no poder.

É irrefutável que o Brasil tem estado sob o domínio de governos esquerdistas há décadas, tanto aquela esquerda mais sofisticada, trajando terno e gravata, representada pela social democracia de Fernando Henrique e seu partido socialista Fabiano (PSDB), que estrategicamente se deixava passar por “direita”, seguindo a conhecida estratégia das tesouras, quanto aquela mais rudimentar, fantasiada de macacão e com a barba por fazer, de Inácio e sua criatura Dilma. Durante esse longo período, a economia brasileira ficou presa em uma armadilha de longo prazo, que a condenou à estagnação. Os ônibus do progresso passavam por nós sucessivamente e nos recusávamos a fazer sinal para que parassem e pudéssemos embarcar. Uma cacofonia catastrófica e extremamente arrogante, sob a batuta dos economistas da Unicamp e assemelhados e sob os aplausos de uma imprensa capturada a peso de ouro, ou melhor, de nossos impostos.

De fato, após o sucesso do Plano Real em 1994, Fernando Henrique, por absoluta falta de convicção (já que sempre foi e continua sendo um socialista), não demonstrou intenção de aprofundar as reformas que já eram muito necessárias nos anos 90. Durante seus dois mandatos consecutivos, o Brasil poderia ter avançado na agenda liberal, mas isso não aconteceu, porque seu partido sempre se deixou apegar à intervenção do Estado na Economia.

E tudo piorou depois dos oito anos do tucanato de Fernando Henrique, quando o PT esteve no poder durante os treze anos do lulopetismo – dois mandatos de Lula e um e meio de Dilma – interrompido pelo processo constitucional de impeachment em 2016. Internamente, o PT aumentou escandalosamente, especialmente a partir de 2007, o intervencionismo na economia; criou dezenas de empresas estatais; equipou o Estado com a máquina partidária; aumentou o déficit orçamentário do governo e a dívida interna; dominou a mídia tradicional (jornais, TVs e alguns blogs) por meio de pagamentos antiéticos; e foi o principal protagonista de dois mega escândalos, o Mensalão e o Petrolão, os maiores casos de corrupção já vistos na história do Brasil. E do mundo. Em todos os tempos.

Em termos culturais, sua agenda era a da esquerda global, com o apoio de todos os movimentos “politicamente corretos” conhecidos: anticristianismo, feminismo, abortismo, ideologia de gênero, racismo, globalismo e coisas desse gênero, sempre jogando uns contra os outros, como a dialética marxista desde cedo ensinou. Houve, em outras palavras, uma ocupação de todos os espaços no estilo de Gramsci e da Escola de Frankfurt.

Na esfera externa, a política adotada desde 2003 foi desastrosa, com sua agenda mundial antiamericana e favorável a toda e qualquer ditadurazinha comunista das que estão espalhadas por toda a América Latina, Oriente Médio e África. O governo brasileiro chegou ao ponto de construir um porto em Cuba e um gasoduto na Bolívia, além de financiar várias obras em Moçambique, Angola e Venezuela. “Sempre ajude as ditaduras comunistas” parecia ser a senha!

As pessoas finalmente acordaram deste pesadelo e elegeram um candidato de direita, um capitão do Exército aposentado e deputado federal por muitos anos. Apesar de ser “de direita” e de tradição estatizante, seu programa econômico, contudo, surpreendentemente, foi o mais liberal dentre todos os demais candidatos, formulado por Paulo Guedes, um conhecido economista da Universidade de Chicago, liderando uma equipe de trabalho formada por economistas reconhecidamente liberais. Esse programa inclui privatização, desregulamentação, eliminação da burocracia, abertura de mercados, cortes de impostos, cortes profundos nos gastos públicos, uma reforma radical das aposentadorias e um aprofundamento da reforma trabalhista iniciada sob o governo de Michel Temer, o sucessor de Dilma Rousseff, talvez o único legado positivo que esse senhor nos deixará.

Baseado em seu programa econômico e em seu compromisso com os valores da tradição judaico-cristã, anunciei, ainda em agosto, meu voto em Jair Bolsonaro. Alguns me questionaram, pois, segundo sua opinião, aquele programa econômico seria apenas para ganhar a eleição e que, assim que isso acontecesse, o capitão voltaria a ser o mesmo militar estatizante de antes. Quebraram as caras. Assim que terminou o segundo turno, o país soube que aquele programa era para valer. Bolsonaro é inteligente e aprendeu depressa.

As características do pensamento da política econômica liderada por Guedes, que já conta com outros grandes nomes de economistas liberais, que foram convidados e aceitaram fazer parte do novo governo, como Roberto Castello Branco na Petrobras, Joaquim Levy no BNDES e Roberto de Oliveira Campos Neto no Banco Central, além de vários outros que já participam da equipe de transição e que certamente serão convidados no devido tempo para cargos importantes, podem ser assim resumidas:

  • A propriedade privada é uma das bases do progresso, assim como o livre comércio, a mobilidade de trabalho e capital e a globalização;
  • É preciso haver harmonia entre economia de mercado, liberdade e ordem social;
  • O poder do Estado deve ser limitado e o Estado deve cuidar essencialmente de defender a nação, a propriedade privada e algumas outras tarefas;
  • É preciso privatizar, desestatizar, desregulamentar e desburocratizar;
  • Há que se respeitar o princípio da subsidiariedade e o federalismo (descentralização política, econômica e administrativa) é visto como sendo muito superior à centralização (mais Brasil e menos Brasília, mais Mises e Friedman e menos Keynes);
  • As desigualdades naturais são inevitáveis e todos os indivíduos devem ter o máximo possível de igualdades de oportunidades;
  • As soluções de mercado para educação e saúde são superiores às “soluções” do Estado;
  • A inflação é um fenômeno monetário e o Banco Central deve ser blindado de qualquer influência política;
  • As teorias da exploração marxista e do intervencionismo keynesiano são completamente equivocadas, bem como o patrimonialismo, o corporativismo, o welfare state, o nanny state, a concessão de todo e qualquer privilégio, o rent seeking e o privilege seeking;
  • Déficits públicos, endividamento do Estado e tributação progressiva são males e são desnecessários;
  •  O planejamento central socialista e o totalitarismo são inaceitáveis e a democracia não deve ser considerada como fim, mas como meio;
  • Quaisquer controles de preços, seja de bens e serviços, seja da taxa de câmbio, salários, lucros, aluguéis e de toda a legislação sobre o salário mínimo desorganizam a economia e trancam o progresso.

No contexto das relações internacionais, a escolha do conservador Ernesto Araújo para chefiar o Itamaraty permite-nos esperar uma aproximação maior com a globalização econômica e uma rejeição da agenda política globalista, menos ideologia e mais ideias, ou seja, como o próprio Araújo escreveu em seu blog: “Um saudável pragmatismo deve substituir a ideologia. Ser pragmático não significa não ter alma. Ser pragmático não significa não ter coração. Ser pragmático significa estudar a realidade a partir do que somos e buscar os melhores caminhos para o que queremos ser.” (ver aqui)

Além disso, é muito provável que ocorra o esvaziamento da importância que a obtusidade ideológica do lulopetismo atribuiu ao Mercosul, com Celso Amorim e seus “conselheiros” Samuel Pinheiro Guimarães e Marco Aurélio Garcia, seguido por, entre outros, Antonio Patriota, José Serra e Aloysio Nunes. É certo também, que o governo brasileiro colocará ponto final em toda e qualquer a ajuda a ditaduras comunistas (a de Cuba até já contribuiu conosco, ao se antecipar e retirar-se do escandaloso programa ideológico “Mais Médicos”) e a assinatura de muitos acordos bilaterais de comércio e cooperação.

Uma nova era, portanto, já está sendo inaugurada no Brasil, antes mesmo da posse do novo presidente e de seu ministério. A estrada é longa, cheia de dificuldades e a oposição será muito forte por parte da mídia, completamente dominada pelas ideias antiquadas da esquerda, que afundaram o país. Mas nada poderá excluir de sua missão o homem que sobreviveu àquela facada que um fanático de esquerda – sabe-se lá a mando de quem – lhe desferiu, no dia 6 de setembro e que, por alguns milímetros, não tirou sua vida.

Em que consiste essa missão? Depois de muitos anos de estagnação provocada pela mesmice esquerdista da social democracia, em um verdadeiro minueto dançado por PSDB e PT nos salões da velha política, apoiados pela orquestra do MDB, a boa nova é que o lulopetismo perdeu, o PSDB desmilinguiu-se, o MDB levou um direto no queixo e venceu o  candidato que nos surpreendeu com uma proposta realmente liberal para a economia, reformadora na política e conservadora – como é quase toda a população brasileira – em termos morais e de costumes. É tempo de coisas novas na economia, na política e de recuperação de valores morais insubstituíveis.