Universidade, um sonho muito comum para milhões brasileiros. O desejo de realizar uma graduação, aprender uma profissão, seguir uma carreira de sucesso e obter muito dinheiro seduz e encanta. Devido a dificuldades vividas na infância, não é difícil encontrar muitos pais desejosos de ver seus filhos cursando a universidade, progredindo profissionalmente e atingindo a estabilidade financeira. Há algo de errado nisso? De maneira alguma, todos os pais devem desejar o bem para seus filhos, contribuindo na formação e capacitação, moldando homens e mulheres que contribuam para formação de uma família, sociedade e nação saudável.

Por que não enviar um filho para universidade? Essa é uma boa pergunta e precisa ser respondida. Infelizmente as universidades nos dias atuais não têm por pretensão formar pensadores, pessoas com senso crítico, cientistas ou profissionais capacitados; o intuito das universidades ou melhor, o intuito das pessoas que dirigem as universidades é formar militantes políticos, defensores de pautas distintas, pessoas que depositem a sua esperança em uma ideologia e lutem pela ascensão de um partido, raça ou Estado[1]. A universidade tornou-se uma fábrica de marionetes onde ventríloquos travestidos de professores manipulam seus aprendizes conforme suas crenças materialistas. Não se pode mais negar que as universidades passaram a ser o templo da religião secular, mosteiro de sacerdotes estadistas e o seminário de pastores de sindicatos.

É com pesar no coração que constato essa realidade, talvez ao descrever mesmo que de forma superficial essa realidade das universidades, você tenha lembrado de um amigo, parente ou conhecido, aquela pessoa de boa índole e princípios morais, mas que infelizmente ao entrar em uma universidade abandonou todos seus valores e crenças, substituindo seus princípios por pautas ideológicas, como se elas fossem as verdades absolutas, os padrões ideais para formação de uma sociedade saudável. Família, igreja e tradição, tornaram-se para eles algo obsoleto que exige ser superado e destruído, o novo mundo deve ser concebido pela ótica progressista, onde ética e moralidade são instáveis, podendo ser alteradas conforme a causa defendida.

Por que não enviar um filho para universidade? Porque hoje a universidade não tem por pretensão ser uma instituição de formação profissional, científica e tecnológica. A sua única preocupação das universidades é transformar jovens carentes de juízo em militantes ideológicos, destruindo todos os valores transmitidos pelas instituições anteriores à ideologia; família, igreja e tradição, são pilares a serem derrubados, para que o mastro militante seja fincado e a bandeira da ideologia possa ser hasteada. Enviar um filho para universidade é mandar a ovelha para o meio da alcateia, colocar as galinhas sobre os cuidados da raposa; enviar um filho para universidade é falta de amor paternal, a não ser que o desejo de sucesso e prosperidade profissional dos filhos estejam acima dos valores éticos, morais e transcendentais estabelecidos pela família, igreja e tradição. Envie um filho para universidade e ela vai te devolver um desconhecido, um revolucionário, uma feminista, um militante LGBT, um viciado em drogas, um ateísta.

Por que enviar um missionário para universidade? Visto que a universidade tornou-se um templo de religião secular produtora de cultura pagã, chegou a hora da luz resplandecer em meios as trevas, chegou o tempo do cristianismo voltar ao lugar de onde nunca deveria ter saído – as salas de aulas. Para que a cosmovisão cristã volte ao ambiente universitário e faça-se presente com autenticidade, é necessário que os pais preparem seus filhos, ensinando o evangelho de forma plena, capacitando-os a transmitirem a outros de forma fidedigna, instruindo-os s serem prudentes como as serpentes e simples como as pombas, lembrado que serão odiados e perseguidos pelo evangelho. Se os pais não forem capazes de capacitar seus filhos a testemunharem o evangelho dentro das universidades, fracassarão em sua missão de apontar para seus filhos o verdadeiro e único Deus.

Por que enviar um missionário para universidade? Porque as universidades carecem da glória de Deus! Os únicos capazes de demonstrar a glória de Deus nas universidades são aqueles que foram feitos para refletir essa glória, sem a presença dos filhos de Deus no ambiente acadêmico, não será possível desenvolver uma sociedade e nação saudável; cada cristão foi chamado para sujeitar e dominar, ser mordomo por excelência, trabalhando e produzindo para glória daquele que tudo criou. Não se pode esperar uma regência qualificada dos recursos dessa terra por parte daqueles que desprezam a voz do Criador, enquanto as universidades não produzirem profissionais, cientistas e pensadores, que sejam capazes de perceber a informação que foi inserida na história da humanidade, jamais elas irão produzir bons mordomos para esse mundo. Entretanto, para que as universidades produzam esses profissionais e necessário que os pais preparem seus filhos, os enviando como missionários, homens e mulheres que espelhem Cristo[2].

É chegado a hora! O apóstolo Paulo ouviu o chamado “Passa à Macedônia, e ajuda-nos.” (Atos 16:9). Esse é o clamor que pode-se ouvir das universidades “ajuda-nos”, não deve-se cruzar os braços, não deve-se abandonar as universidades, mesmo sabendo que foram tomadas por inúmeras ideologias. Pais cristãos devem preparar seus filhos, fortalece-los na graça, eles serão flechas nas mãos do arqueiro, não há ideologia, cosmovisão, partido ou Estado, capaz de deter um missionário enviado por Deus. Para mudar a realidade das universidades é necessário haver uma mudança na mentalidade dos pais cristãos, afinal, eles não estão criando filhos para sua própria glória, muito menos para serem homens de sucesso passageiro, eles estão criando filhos para refletirem a glória de Deus, refletir essa glória nas universidades e depois de lá em suas profissões, seja no escritório, consultório, chão de fábrica ou no campo, Deus requer que sua glória seja vista em todos os lugares, de casa para as escolas, das escolas para universidades e das universidades para o mundo.

Referências:

[1] Russel Kirk no primeiro capítulo de sua obra “A Política da Prudência” publicada pela editora É Realizações, aponta a ideologia como sendo religião secular, onde se promete a salvação nesse mundo, negando qualquer outro de tipo de realidade. Os ideólogos negam qualquer tipo de salvação pela graça após a morte, com falsas promessas de felicidades neste reino terreno. (p. 94-95)

[2] Estes dois últimos parágrafos trazem como pressupostos os seguintes textos bíblicos: Gn 1.27-28; Dt 6.3-7; Mt 10.16; 28.19-20; Rm 11.36; Ef 2.10; 2Tm 2.2.