Educação e personalidade

A construção de toda e qualquer personalidade depende em primeiro lugar do aporte natural e hereditário que cada ser humano carrega consigo mesmo. Em segundo lugar está a família e o vínculo afetivo estabelecido desde os primeiros dias de vida, seguidos pelos ensinamentos morais que são norteados geralmente pela tradição do grupo de nascimento. Pouco a pouco o indivíduo se percebe inserido na sociedade e terá que se adequar às regras de conduta adotadas por seus pares e finalmente toma a consciência de sua própria linguagem como tradução espontânea de seu pensamento e expressão máxima de sua cultura. A síntese de todos estes fatores constitui a matéria base para formação da personalidade do homem.

No começo da vida adulta o sujeito já possui ao menos um traço daquilo que consideramos a sua essência, seu caráter, valores e desejos e seu raio de ação consiste no campo de possibilidades de escolhas e tomadas de decisão. Os caminhos que decidimos trilhar, por sua vez, levam-nos a outros caminhos cada vez mais complexos, em uma espécie de espiral em que cada escolha será uma parte constituinte do nosso ser. Após uma marcha constante e evolutiva, o sujeito ao atingir a maturidade estabiliza suas tendências e consolida cada vez mais a sua verdadeira personalidade, é capaz de recontar a sua própria história e se vê claramente diante do seu próprio destino de forma irrevogável.

A trama cósmica é composta por diversos personagens e cada um deles existirá dentro de um microcosmo com raios de ação distintos e terão experiências terrenas pessoais únicas, profundas e marcantes. Toda experiência humana gera um autoconhecimento, pois ao experienciar uma situação, concluir um fato ou perceber uma verdade o sujeito adquire um novo dado da realidade e já não é mais o mesmo, visto que agora sabe algo que anteriormente lhe era desconhecido e todo conhecimento novo revela algo sobre nós mesmos. Esta autotransformação amplia nossa capacidade cognitiva, modifica o nosso raio de ação e aprimora nosso senso moral, tornando possível novas escolhas cada vez mais conscientes. Portanto toda experiência nos conduz à verdade e a verdade é justificada pela personalidade humana, pois o homem existe para conhecer a si mesmo e este é o verdadeiro papel da educação. Então, ao tomar posse de sua própria existência como um ser único e detentor de uma personalidade cósmica autêntica e inviolável, o homem agora é capaz de conhecer a Deus, porque somente uma persona formada que conhece a si pode reconhecer sua forma de existir em outro ser. Entrementes, o conhecimento de si levará à suprema personalidade cósmica, a Super Alma dos hindus, o Eu Sou dos hebreus.

Os três grandes sábios da antiguidade, Buda, Sócrates e Jesus propunham o enfrentamento da realidade e a confrontação com o sofrimento como um meio para o pleno desenvolvimento da personalidade. Buda, após atingir a iluminação ensina o caminho da mente atenta e da correta compreensão da vida. A máxima socrática, “Conhece-te a ti mesmo”, propõe ao homem uma busca de sua própria essência a fim de evitar um choque desnecessário com a realidade circundante. Cristo afirmou a seus discípulos que não os tiraria do mundo, mas sim pediria ao pai que os livrasse de todo mal. Em todos estes ensinamentos milenares a fuga da realidade jamais foi pensada e a experiência humana é sempre colocada como a chave para se conhecer a verdade e a si mesmo.

A educação moderna é alienante quando propõe um mesmo programa para indivíduos potencialmente diferentes e dessa forma restringe os raios de experiências, desestimula a capacidade cognitiva e o desenvolvimento moral em função da coletividade. O resultado de uma educação totalizante é uma sociedade composta por pessoas desprovidas de personalidades autênticas, e sem a busca pela construção e entendimento do próprio eu não há verdade, o que há são apenas papeis sociais difusos exercidos por pessoas sem a experiência real correspondente e por conseguinte a cultura humana dá lugar a uma crise de valores sem precedentes como vemos no Brasil e no mundo.

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Ismael de Oliveira Luz

Ismael de Oliveira Luz

Natural de São José dos Campos; Formado em Engenharia Civil pela Universidade do Vale do Paraíba; Empresário e professor atuante na formação intelectual de crianças e jovens; Estudante de filosofia e humanidades; Cristão pela impossibilidade metafísica de não sê-lo.

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