Aproximações entre a literatura fantástica de J. R. R. Tolkien e a Sagrada Escritura

As magníficas histórias narradas nas obras literárias ficcional de Tolkien são muito próximas ou idênticas às histórias relatadas nas Sagradas Escrituras, principalmente no Antigo Testamento (AT). Neste breve artigo, não pretendo fazer uma análise profunda com as devidas comparações, mas mostrar alguns indicativos e exemplos que aproximam a obra de Tolkien com o Antigo Testamento na Bíblia.

John R. R. Tolkien era um grande Católico e por essa razão os estudos com a Bíblia enriqueceram seu imaginário, ao ponto de criar uma narrativa parecida, e em muitos aspectos idêntica, à das Sagradas Escrituras. Fundamental aqui é deixar claro que, jamais Tolkien quis deixar indicativos que sua obra foi escrito com fundamentos totalmente cristãos, mas que o leitor decidisse por si mesmo.

A obra de Tolkien a que me refiro, é a que compõe o chamado Legendarium, conjunto de várias obras como: O Silmarillion, Os filhos de Húrin, Beren e Lúthien, A Queda de Gondolin, O Hobbit, A Última Canção de Bilbo, O Senhor dos Anéis, As Aventuras de Tom Bombadil e Contos Inacabados.

A narrativa do legendário narra a desde a criação de Arda (O Silmarillion) até a Terceira Era (O Senhor dos Anéis). Nesse sentido, Tolkien faz os relatos de seus personagens, em suas aventuras, de acordo com a Bíblia, muito parecido ao Gênesis e a vida dos profetas do AT. A obra de Tolkien não é tal qual a Sagrada Escritura, mas apenas passagens e relatos que nos remete aos acontecimentos presentes e relatados na Bíblia.

Como não pretendo fazer uma abordagem profunda do tema, pelo meu conhecimento limitado do tema e brevidade do artigo, quero apenas fazer uma comparação, que se encontra no livro A Queda de Gondolin, e as passagens bíblicas semelhantes. A obra A Queda de Gondolin é um capitulo do livro O Silmarillion, que narra com mais profundidade a destruição dessa belíssima e imponente cidade Élfica, pelo exército de Melkor (Morgoth), Senhor das trevas, ou em linguagem bíblica, Satanás.

No relato d’A Queda de Gondolin, acontece um diálogo entre Ulmo, Senhor das águas, e Tuor, o Solitário, em que Ulmo fala a Tuor, referindo-se a sua ida a Gondolin e como deveria falar com o rei Turgon, ao chegar na cidade. Disse Ulmo: “[…] palavras porei em tua boca e lá residirás por um tempo. […] há de conhecer as últimas profundezas, sejam elas do mar ou do firmamento do céu” (pg. 49).

Na bíblia encontram-se várias passagens em que Deus fala aos profetas, vejamos alguns exemplos. No Antigo Testamento, em Êxodo 4: 12: “Vai, portanto, que eu estarei com tua boca e te ensinarei o que deverás dizer”; Isaías 51: 16: “Coloquei minhas palavras em tua boca e à sombra de minha mão te resguardei”; Jeremias 1: 9: “Estou pondo minhas palavras em tua boca” e Novo Testamento Lucas 21: 15: “[…] por que eu darei palavras tão acertadas que nenhum dos inimigos vos poderá resistir ou rebater”.

Podemos ver aqui que, foi mostrada apenas uma citação de Tolkien e, relacionadas a ela, encontramos várias passagens bíblicas idênticas, porém, se analisada toda a obra de Tolkien, muito mais vai aparecer, mas como mencionado no início, cabe aos interessados uma investigação mais profunda.

Ao contrário de Tolkien, C. S. Lewis, por exemplo, escreveu As Crônicas de Nárnia, com um profundo teor teológico, independente da interpretação pessoal. Assim sendo, o leitor pode discordar desse viés interpretativo, afirmando que essas passagens são meras coincidências, mas reitero que J. R. R. Tolkien sendo um escritor Católico, teve uma profunda experiência com os textos bíblicos, enriquecendo muito seu imaginário e, por essa razão, pode ele ter tirado dali suas inspirações.

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