Caras e Coroas

E foi mais uma vez, em mais um dia comum, de mais um mês comum, neste tão comum ano, desta tão comum década, desta tão comum época, que uma notícia tão comum se torna a catástrofe do século; mais uma, dentre as já tão comuns catástrofes deste governo onde catástrofes são tão comuns, neste país onde coisas comuns são sempre tratadas como catástrofe e catástrofes são sempre tratadas como coisa comum[1].

A notícia do século – até aparecer a próxima[2] – é a aparente indicação hipotética do filho do Presidente, Eduardo Bolsonaro, para ser o rosto do visivelmente tão importante cargo de Embaixador Brasileiro nos Estados Unidos – um cargo que, conforme pudemos descobrir nessas últimas semanas, já fora ocupado por figuras de destaque como Joaquim Nabuco, Oswaldo Aranha e Roberto Campos – e que, de acordo com os olhos atentos de nossa mídia, deveria ser ocupado por alguém que externalize maiores credenciais – a mais manifesta delas, a de não ser filho do Presidente.

Eu juro que tentei entender, das mais diversas formas possíveis, onde esta notícia – ainda mais no estágio precoce em que está – poderia ser tão importante para o homem comum brasileiro. A maioria dos brasileiros não faz ideia do que faz um Embaixador, não faz ideia de quem foram os anteriores Embaixadores, não faz ideia de quais decisões foram tomadas ou quais resultados foram obtidos pelos últimos Embaixadores; a verdade mesmo é que se a única função de um Embaixador for fritar hamburguer nos churrascos de confraternização da Embaixada, o brasileiro não faria a mínima ideia disso; e, nesse caso, não sei se Joaquim Nabuco e Roberto Campos teriam experiência suficiente para ocupar o cargo – Oswaldo Aranha, no entanto, sabemos fazer um bom filé.

E não digo isso por dizer que o cargo de Embaixador não seja importante; assim como não digo ser o cargo de encanador desimportante, ou ser o cargo de piloto de monomotor desimportante, ou ser o cargo de pintor desimportante, ou ser o cargo de cientista político desimportante – mentira, esse eu digo sim. Digo isso porque, em uma rede complexa de burocracia como a do nosso Estado brasileiro, onde cada decisão isolada é infimamente importante e o conjunto de decisões é devastadoramente importante – e, normalmente, majoritariamente composto por todo tipo de tolice, das mais insensatamente esnobes às mais aristocraticamente famintas –, as decisões de um encanador, ou de um piloto de monomotor ou de um pintor se tornam muito mais importantes para a vida do homem comum do que a decisão de um Embaixador nos Estados Unidos – desde que, claro, o ponto do hamburguer não leve à guerra.

Mas, mais do que isso; da forma como nossos comentaristas políticos, e filósofos de meio-período, e estudiosos avessos à leitura e especialistas-em-tudo-sobre-nada, vêm dizendo, faz a nós muito parecer como se Eduardo Bolsonaro estivesse em casa pintando miniaturas de cobre, comentando política na internet, fazendo vídeos sobre anarcocapitalismo no Youtube ou participando de movimentos  sociais – ou qualquer outro tipo de rotineira desocupação, remunerada ou não, valorizada ou não – e, magicamente, por uma decisão autoritária de seu pai, fosse se tornar político – algo que, ao que me parece, é história de vida da maioria confessa do Congresso Nacional; sonho dourado de alguns que comentam. No entanto, o que nossos doutos comentaristas políticos vêm esquecendo é que a fase de surfista mimado de Eduardo Bolsonaro já se passou faz tempo; Eduardo Bolsonaro atualmente ocupa um cargo político de grande poder. A fase de se preocupar com a irresponsabilidade de Eduardo Bolsonaro, ou com sua burrice, ou com a ideologia que ele segue, também já passou; ela ocorreu antes deste ter se tornado o deputado eleito com mais votos na história do país – sonho dourado de alguns que comentam.

Mas, mais – muito mais – do que isso; se nós brasileiros não fazemos ideia da função de um diplomata, de um embaixador, seja nos Estados Unidos, seja na Líbia, na Jamaica ou no Sudão; nós já temos plena noção do que faz um político nesta cidade tão, tão distante do povo brasileiro e tão, tão diferente culturalmente dos brasileiros – o povoado de Brasília. Enquanto nossos embaixadores e diplomatas podem estar muito bem fritando hamburgueres em terras estrangeiras, mostrando aos estrangeiros a nobre arte brasileira de assar uma carne, o que sabemos muito bem é que nossos embaixadores em Brasilia vem comandando nossas vidas como um adolescente bêbado organizaria um churrasco; mostrando ao brasileiro diariamente e durante todo o dia a nobre arte brasileira de se fazer uma bela pizza.

Neste caso específico, nossos especialistas vem dando chiliques e causando comoção pública – nada mais do que consiste seu trabalho, o que deveríamos respeitar, se fosse ao menos respeitável – por que um homem que pode criar leis irresponsáveis, tolas, desequilibradas e mudar a vida do brasileiro tão gravemente, possivelmente deixará de ter esse poder e se tornará algo que não fazemos ideia do que faz – não fazemos ideia do que faz, seja porque não é importante, seja porque os últimos ocupantes do cargo não vem atuando de forma satisfatória; sonho dourado de alguns que comentam. O que nossos doutos comentaristas vêm reclamando é que o Presidente está tirando poderes que o filho dele antes tinha – o tipo de reclamação que uma mãe exageradamente atenciosa faria. Mas em relação a esse poder todo que Eduardo Bolsonaro já tem, nossos doutos comentaristas não reclamam e não falam de currículos ainda, não analisam suas credenciais, não dizem que já fora ocupado por um palhaço ou por vários jogadores de futebol burros, por analfabetos ou por bandidos – ou pior do que todos esses, por Gleisi Hoffman –, não falam da polêmica que seria elege-lo; talvez porque, ao invés de nepotismo, a palavra por trás de todo este poder seja democracia – e se for democrático, tudo bem. Democraticamente burro, tudo bem, hereditariamente sábio, jamais[3].

Eu assumo que, na atual conjuntura, eu agradeceria se o Presidente nomeasse cada um dos parlamentares como diplomatas em algum país distante; e aproveito para agradecer a Jean Wyllys por ter vindo ser embaixador da burrice brasileira em Berlim para representar tão bem seu eleitorado – tudo isso sem gastar um centavo do dinheiro do pagador de impostos. Deixo consignado que aqui você encontrará gente do seu tipo, apesar de muitos deles estarem dentro do armário desde o fim da Segunda Guerra Mundial – e não falo de sexualidade.

E sim, essa notícia não é relevante o suficiente para que se escreva cinco linhas sobre ela – e é exatamente isto que faz dela tão popular no Brasil, com seus escrupulosamente leves tons de fofoca e nossa quase compulsiva arte de pegar a parte mais importante de assuntos desimportantes e torná-las desimportantes também[4]. E mesmo aqueles que se dizem conservadores e deveriam estar preocupados com coisas mais importantes, uma vez ou outra, ou de uma vez por todas, andam um a um sucumbindo – conscientemente ou inconscientemente – ao poder das opiniões voltadas às massas. Se for da sua intenção ser deixado em paz, recomendo-lhe vivamente que comece a escrever as coisas corretas sobre as coisas erradas – não há melhor forma de morrer ignorado no Brasil do que ter o pensamento correto sobre as coisas.

Mas se é da sua intenção ser ouvido, curtido, considerado[5], pouco a pouco você deve começar a submeter as suas reflexões, toda a profundidade de seus argumentos, a uma espécie de máscara. No começo o trabalho é pesado; continuar dizendo o que se quer dizer e parecer dizer o que querem ouvir é um esforço e tanto. O tempo passa, e você continuamente passa a se achar um gênio por dominar a nada nobre arte de sorrateiramente dizer coisas vagamente inteligentes parecendo inocentemente burro – ou soberbamente inteligente, para os burros[6] –; e assim você vai escrevendo, paulatinamente de forma menos trabalhosa, e vagarosamente o esforço em enganar os burros sobre sua burrice acaba se tornando menor – pelo simples motivo de que de uma hora para outra você não precisa fingir mais[7]. Parabéns, você se tornou um especialista.

E o primeiro argumento utilizado por todos aqueles que se consideram especialistas no assunto de escolha de especialistas, é a baixa capacidade técnica do filho do Presidente para exercer o magnânimo, tão importante e tão conhecido cargo de Embaixador – e esse argumento está correto; o que não está correto é o pensamento de que capacidade técnica possa ser parâmetro para alguma coisa que não seja técnica[8].

Quando você é o encarregado de construir uma casa de tijolos, tome cuidado para não comprar tijolos redondos, pois o tijolo que se encaixa perfeitamente na parede é a escolha tecnicamente perfeita para que a casa não desabe; quando você for o encarregado de fazer hamburgueres para uma rede gigante de fast food, faça questão de que o molho especial seja suficientemente ordinário para ser tecnicamente exato – ou os clientes regulares irão reclamar; se for da sua intenção mediocremente seguir a tradição mediana do momento, nada mais tecnicamente adequado do que medianamente seguir os padrões modestos de sua época. E talvez a única coisa mais medíocre do que os tempos em que que vivemos sejam as pessoas que se encaixam perfeitamente neles[9].

Atualmente, um currículo que diz apto para tudo em verdade grita despreparado para qualquer coisa. Num país onde Getúlio Vargas é considerado o melhor Presidente da história do país – sem ser presidente –, numa sociedade onde pode ser gênio aquele que diz que o Nacional Socialismo não é Socialismo – mesmo sendo só o mais nacionalista dos Socialismos –, num mundo onde uma Europa sem fronteiras sob o comando de Angela Merkel é muito diferente de um Terceiro Reich sem fronteiras comandado por Adolf Hitler – a diferença só reside no sucesso que Merkel já teve; no Brasil atual, no mundo atual, um diploma de especialista é um atestado de burrice[10]. E, talvez, aquele que seleciona currículos seja um especialista em burrice – ou o mais burro dentre os especialistas.

De acordo com os físicos da Universidade de Berna, Albert Einstein não possuía conhecimento técnico suficiente para se tornar um deles; segundo os professores da Faculdade de Direito de Leipzig, Goethe não tinha capacidade técnica para se tornar um de seus honoráveis egressos; de acordo com os dirigentes do Botafogo em 1953, Garrincha não possuía pernas anatomicamente adequadas para jogar futebol naquele clube. E todos estavam certos; Einstein, Goethe e Garrincha não foram tecnicamente adequados; eles sempre foram tecnicamente excepcionais.

E quando você pensa que meus argumentos são ridículos por eu estar comparando Eduardo Bolsonaro a Einstein, a Goethe, a Garrincha, por estar comparando o Ordinário ao Extraordinário, você está ordinariamente certo – meus argumentos são extraordinariamente ridículos. Assim como a Universidade Berna, a Faculdade de Direito de Leipzig e o Botafogo também estavam tecnicamente certos, e como ainda estão modestamente corretos em manter bustos, estátuas e placas em suas honras hoje em dia, e como continuam rotineiramente exatos em continuarem ordinariamente negando professores, e alunos, e jogadores utilizando-se de parâmetros técnicos. A diferença é que hoje eles já não mais negam mentes no mundo da lua, espíritos selvagens e pernas tortas; hoje eles negam mentes selvagens, espíritos tortos e pernas no mundo da lua[11]. Se há uma característica na genialidade, essa característica é a de não ser reconhecida pela mente mediana[12] – mesmo pelas mentes medianas que dizem tanto proteger os diferentes.

E dessa fomra, se quando eu falo que pode muito bem existir um Einstein, um Goethe, um Garrincha escondido daquilo que um currículo pode mostrar, e mesmo assim a única coisa que você consegue fazer é procurar algum einsteinismo, alguma goethisse ou alguma garrinchística no currículo de Eduardo Bolsonaro, em verdade nada disso revela nenhum gênio escondido em Eduardo Bolsonaro; no entanto, continue procurando, pois lá no fundo deste e de qualquer currículo, bem lá no fundo, você provavelmente encontrará onde não há gênio nenhum – em você.

E assim, esses homens medianos, montados em seus diplomas, vestidos de suas medalhas, armados com horas de atividades complementares, carregando a bandeira dos cursos do SENAC, e ostentando suas notas máximas na redação do ENEM, e  parecendo muito com tão pouco para mostrar e mostrando tão pouco do que poderiam ser, recorrem àquela máxima que fez Júlio César romper o laço inatacável do matrimônio simplesmente por se ver muito mais César do que Júlio; esses medianos césares das calças grandes e polegares pesados usam como argumento aquela velha máxima de que “não basta à mulher de César ser honesta; ela precisa parecer honesta”; aquela máxima que permite a qualquer homem mediano destruir tudo aquilo que é grandioso em nome daquilo que é pequeno e mesquinho demais para ser importante sem um provérbio romano que o legitime.

E mais uma vez eles estão corretos, e mais uma vez eles não sabem o que dizem. Pois, realmente, não basta a mulher de César só ser honesta, ela tem que parecer honesta; no entanto, basta à mulher de César só parecer honesta e ela poderá pular a cerca quantas vezes ela quiser; pois eles nunca descobrirão se ela é honesta ou não[13]. Se a mulher honesta de César de alguma forma não nos parece honesta, muito provavelmente o problema se encontra em nossos olhos e não na honestidade, na aparência ou na mulher de César[14].

Esses homens, tão acostumados com aquele carimbo, aquela estampa, aquela assinatura, tão acostumados com a legitimação de alguém erroneamente legitimado, espalham aos sete cantos do mundo que não basta ser, precisando também parecer, quando na verdade anunciam a outros tantos cantos desta esfera que se chama Terra que parecer é mais do que suficiente. Daqueles dois lados da moeda, para eles, o mais importante é o lado que mostra a face de César; o que tem atrás desta, no entanto, só César pode dizer.

Conferir legitimidade é algo natural para todos nós, assim como é natural que confiemos nela. É natural que criemos parâmetros logo depois dos parâmetros anteriores terem sido quebrados. É natural que confiemos nestes novos parâmetros, mesmo sabendo que eles são a derrota de nossos parâmetros antigos; é natural que saibamos que essa história se repetirá muitas vezes mais. Isso é feit0 e sempre será feito; talvez seja essa a função da sociedade, criar parâmetros burros para serem pisados por homens comuns com coragem suficiente para enfrentar o mundo.

O problema não é que existam homens que não confiem no desconhecido e prefiram depositar suas fichas em currículos[15]; o problema não é que todos os dias a sociedade tente criar novos modelos de currículos sem entender que as partículas indivisíveis que compõe a própria sociedade são extraordinariamente imprevisíveis e indomáveis, rebeldes e criativas. O problema não reside no fato de a sociedade fazer o que a sociedade tem que fazer – criar parâmetros –, e nem no fato de indivíduos extraordinários fazerem o que extraordinários indivíduos devem fazer – zombar dos parâmetros; o problema é que tanto a sociedade quanto os indivíduos sabem que esses parâmetros não são estáticos, que eles não são cristalizados, e que eles vão mudar um dia – e é ai que se chega a indesejável mas importante pergunta que devemos fazer quando estamos falando de parâmetros mutáveis e melhoráveis: quando os parâmetros atuais serão mudados e quando eles serão usados?

Para alguns dos tolos, Fernando Henrique Cardoso é o supra sumo das opiniões sobre política de drogas por seu currículo ser tecnicamente vultuoso em academicidades e carnavalescas honrarias cientificas; para outros tolos, as opiniões de Luís Inácio da Silva sobre políticas públicas são o que há de mais sábio, exatamente devido ao seu currículo vazio, seu bolso vazio e seu copo cheio. Incrivelmente, esses dos quais falo são os mesmos tolos que, dependendo da situação, subvertem sua tolice em razão da estupidez a qual pretendem argumentar a favor[16]. A capacidade técnica ou a falta dela podem ser usadas como forma de elogiar ou de criticar, de acordo com os interesses escondidos por trás delas; e quais são seus interesses, conservador de ocasião?

Agora, suponhamos que você é um conservador que tem a intenção de ser ouvido, curtido, considerado; para isso, você deverá, pouco a pouco, submeter uma pequena parte de suas opiniões às aparências – e vender todo o resto delas, pouco a pouco, a prazo, para a sub-opinião dominante. Suponhamos que você é um conservador que tem a intenção de ser ouvido, curtido, considerado; para isso, você deverá compreender que toda opinião pode esconder uma sub-opinião; e que essa sub-opinião vive naqueles mesmos pântanos em que reside o desejo irremediável e inevitável de se fazer silêncio e de pertencer à massa: o inconsciente coletivo. Mas, suponhamos que é da sua intenção participar da intelectualidade brasileira; para tanto, você deve ter em mente que a intelectualidade brasileira é uma sub-intelectualidade, que se manifesta muito mais quando as cortinas se fecham do que quando o espetáculo está em andamento. Suponhamos, no entanto, que é da sua intenção fazer parte da intelectualidade brasileira; para tanto você deve saber que se trata muito mais de um submundo do que de um mundo; um submundo que exprime argumentos com a única missão de subverter a ordem natural das coisas através de outros argumentos subliminares, que assim, subentendidos, atuam no subconsciente de forma a torna-lo submisso. Mas tudo isso são suposições; não ousaria afirmá-las…

Sendo assim, continuemos especulando que você conservador queira ser ouvido, curtido, considerado; é fulcral que você entenda que no momento em que você divide a sua opinião em aparência e mensagem, você rompe em sua cabeça o laço inexorável entre forma e conteúdo; e esse laço não pode ser rompido jamais[17]. Assim, continuando com nossas conjecturas, você passaria a se enganar, deixando seu pensamento à deriva de uma tempestade de outros pensamentos ou não pensamentos, de suas emoções, de sua conta bancária, de sua luxúria[18] – até que, finalmente, forma e conteúdo voltem a se tornar um só novamente; o pior possível[19]. Mas como dissera antes, são apenas elucubrações.

Não é especulação, no entanto, que enquanto nossos conservadores vêm dizendo inocentemente por aí todos esses argumentos estruturalmente técnicos, baseando-se naquela palavra mágica que os colocaria do lado correto das coisas – meritocracia –, aquilo que grita por detrás de toda essa fantasiosa versão, toda essa fantasiosa versão de que o que importa é a legitimidade dada por alguns cursos, alguns diplomas e alguns césares, é um ódio reprimido e republicano a todos os tipos de Coroas. Enquanto o envergonhado conservador brada ser um problema de técnica, desavergonhadamente ele sussurra que o problema é a hereditariedade[20].

Enquanto o conservador acredita estar defendendo o certo e destilando só um pouco de mediocridade, no fundo ele serve de instrumento para a mais medíocre de todas as coisas erradas[21]; e não há surpresa nenhuma nisso, pois não há nada mais medíocre do que se usar do que é certo para intuitos pequenos; e foi assim que chegamos onde estamos – com conservadores ajoelhados, mas para as divindades erradas[22].

Há em toda República alguma consideração a ser feita sobre Coroas e Coroados; há para todo Republicano algo a ser falado sobre Coroas e Coroados. Todo Império das Leis vive ou sobrevive de uma zombaria ou de uma reverência a um possível outro Império, a um possível outro Imperador. Toda República é uma não-Monarquia, toda República funciona como uma alternativa a uma Monarquia, uma correção a uma Monarquia, uma Revolução contra os Monarcas, uma zombaria aos Monarcas, uma punição aos Monarcas. Todo Júlio César é um Luís XIV frustrado e todo George Washington é um súdito fiel de um Rei distante.

Há as Repúblicas que reverenciam as Coroas, que tentam se aproximar delas, que as afirmam, que as reconhecem – há Repúblicas que são Repúblicas por serem órfãs; há as repúblicas que se afirmam somente como eterna negação de todos os valores monárquicos, de toda a nobreza, de todas as famílias, de todas as coroas, de todo o cavalheirismo, de todos os valores[23]. Não bastava aos citoyens franceses destronar o Rei e a Rainha, era necessário fazê-los caminhar vergonhosamente perante o povo até seu destino cruel, faze-los menos que humanos, faze-los menos que plebeus, era necessário tirar sua coroa ao mesmo tempo em que tiravam-lhes suas cabeças[24]; não seria suficiente chutar um corcunda solitário e derrotado pelas ruas de Paris, não seria suficiente chutar a solidão, a frustração, a deformação, era necessário antes coroa-lo Rei, para assim, chutar-se o que devia ser chutado: o sentimento de que finalmente se fora aceito, o sentimento de que finalmente se fora amado, o sentimento de que finalmente se poderia sentir-se feliz[25]; não foi e nunca será o bastante negar o Rei dos Judeus, sempre será necessário humilha-lo, despi-lo, flagela-lo, cuspir nele, faze-lo carregar a sua própria punição por seu terrível e inescusável crime, o crime de ser Príncipe, o crime de ser Rei[26]. Todo Rei para esses homens é um Bobo, toda Coroa deve se tornar de Espinhos, toda chave de toda cidade deve ser entregue ao Momo. Toda república mediana, formada por abjetos, medíocres, medianos republicanos, é uma um deboche à condição de Príncipe de todos os Homens e uma reverencia à condição de Bobo de todos os cidadãos[27].

Quando os homens medianamente republicanos dizem que o Presidente deveria se preocupar com a polêmica, que o Presidente deveria escolher alguém que não vá causar revolta na população, que a escolha do Presidente demonstra – mesmo que não juridicamente – traços de nepotismo, esses homens medianamente republicanos não dizem nada. Afinal, tudo o que fora feito no atual governo gerara polêmica, tudo o que fora feito pelo atual governo gerara revolta, gerara fofoca na população; porque, talvez, a população brasileira tenha que arranjar o que fazer de sua vida – talvez, a população brasileira tenha entrado nessa dança proposta pelos medianos republicanos de que a coisa mais importante para o homem comum é participar da política[28]; talvez a população brasileira tenha passado a acreditar que, para existir, ela precisa falar de política – e que meio medíocre de existência[29]!

Mas, há revoltas justas, há polêmicas razoáveis; assim como há revoltas desmedidas promovidas por mimados e polêmicas baseadas em pequenezas promovidas por fofoqueiros; cabe a nós diferenciar. Quando um Presidente escolhe uma pessoa para um cargo, ele pode estar sendo razoável, pode estar sendo justo, pode estar sendo desmedido, pode estar sendo pequeno.

Um Presidente pode escolher uma pessoa baseando-se unicamente na ideologia que ela segue, sendo razoável ou sendo mesquinho – dependendo da ideologia a qual ela segue; um Presidente pode escolher uma pessoa para um cargo baseando-se unicamente em seu currículo, sendo razoável ou sendo mesquinho – dependendo de qual cargo ela tem que exercer e o quão medíocre ela é; um Presidente pode escolher uma pessoa de acordo com a sua ideologia, ou uma outra pessoa de acordo com seu currículo, ou uma outra pessoa de acordo com sua conta bancária, outra por seu time de futebol, outra por sua comida preferida; um Presidente tem mil e uma diferentes formas de desinteressadamente escolher, razoavelmente ou não, pessoas de acordo com valores medíocres; mas um Presidente só tem uma pessoa a escolher quando ele pretende, razoavelmente ou não, se basear em valores que sejam realmente importantes: seu filho.

Quando esses republicanos medianos falam de nepotismo, o que esses homens promovem para todos os lados em verdade é a ideia de que não há nenhuma possibilidade de que um Pai escolha um filho de forma razoável; a ideia de que para que um filho possa preencher algum cargo de forma razoável, este filho deve ter um currículo incrivelmente superior a todos os idiotas disponíveis; e, mesmo assim, sua permanência neste cargo sempre estará sujeita a um escrutínio muito mais rígido do que o de qualquer outro idiota.

Toda vez que um Pai escolhe seu filho, ele escolhe seu filho; toda vez que um Pai escolhe outro que não seja seu filho, ele escolhe outro que não seja seu filho. Toda vez que um Pai pensa, toda vez que um Pai age, toda vez que há um Pai, toda vez; há um filho a se considerar[30]. Quando esses republicanos medianos falam que um Pai que escolhe um filho o faz necessariamente de forma mesquinha, eles não falam que há a possibilidade de um Pai escolher um filho de forma mesquinha; em verdade, eles dizem que só há uma forma de um Pai escolher alguém de forma que não seja mesquinha e essa forma é escolhendo qualquer pessoa que não seja seu próprio filho. Eles não querem impor ao Pai a sensata decisão de negar um filho medíocre; eles querem impor ao Pai a medíocre decisão de negar um filho sensato.

Processos seletivos baseados em amizades em comum e parentescos indiretos; acordos milionários de compras de voto; o quão bonita a mocinha parece e o quão disponível ela aparenta; concursos públicos com perguntas imbecis, cujas respostas são idiotas, que serão avaliadas por estúpidos; a valiosíssima habilidade de manter a boca fechada mesmo diante das maiores ilegalidades; um artilheiro para compor o time do gabinete naquele campeonato do fim do ano; redações corrigidas por professores analfabetos, com citações produzidas por analfabetos, sobre assuntos irrelevantes; vale tudo como parâmetro para tornar uma escolha errada a escolha correta, e vale só um grau de parentesco para que uma escolha, seja correta ou seja errada, covardemente se torne antirrepublicana.

A única coisa que importa aqui, é fazer pouco de toda e qualquer hereditariedade; mesmo que seja a hereditariedade da sabedoria, mesmo que seja a hereditariedade da bondade, a hereditariedade da boa gestão, da compaixão, da genialidade, dos valores. A única coisa que importa aqui é romper qualquer legado, qualquer coisa que remeta à Tradição, qualquer linha, laço, fato, método, que nos ligue aos nossos antepassados; a única coisa que importa aqui é romper com qualquer coisa mais profunda do que uma poça de chorume chamada Igualdade[31].

Ninguém se importaria se o Presidente indicasse um idiota qualquer para o cargo, ninguém se importaria a tal ponto que o cargo de Embaixador nos Estados Unidos permaneceria silenciosamente ignorado pelo grande público – como sempre foi. Tudo isso se o idiota indicado para o cargo fosse um idiota qualquer, mas não um idiota específico.

E esses republicanos acreditam, da superfície de suas almas que qualquer currículo consegue mostrar, que escolher idiotas quaisquer é uma decisão mais respeitável dentre todas as respeitáveis decisões, pelo simples fato de respeitar a Coisa Pública. E eles também estão certos nisso; nada mais público do que ser raso o suficiente para escolher criteriosamente sob critérios rasos. O que eles erram, no entanto, é em acreditar que haverá algum dia o triunfo do copo sobre a água, da luva sobre a mão, da forma sobre o conteúdo. Nunca haverá respeito à Coisa Pública sem respeito às coisas que formam tudo o que é público, pois sequer haverá o que é público se não houver o que é privado[32]. E mais importante, é bom se atentar: haverá copos sem água e haverá água sem copo, mas se é sede que você tem, é bom que você respeite a perfeita comunhão desta tão complicada equação[33].

Quando, no auge de suas superficialidades, os tolos republicanos creem na superficialidade da humanidade, em verdade eles não creem na humanidade.

Quando estes tolos acreditam que há como se decidir por um tolo qualquer para ocupar um cargo específico, o que eles deixam escapar é que se há uma escolha, há alguma especificidade que torna um tolo qualquer um tolo específico. A pergunta é, quais serão as privacidades que comporão a escolha?

E mais do que isso, dentre todas as privacidades que compõe a coisa pública, sempre haverá as privacidades mais privativas, aquelas privacidades escorregadias às mãos ditatoriais que sempre estarão presentes por serem as privacidades que compõe o homem. Para qualquer um que já largou a rasteira arte de analisar currículos faz tempo, não fora surpresa nenhuma que um Presidente que escolhe idiotas quaisquer para beneficiar na publicidade do palco descoberto, escolhera um idiota específico para beneficiar por detrás das cortinas – seu filho. Esforça-te, lute, aplique todos os seus métodos republicanamente cruéis e tecnicamente desenvolvidos; o privado sempre se rebelará e prevalecerá, e deste, sempre florescerá uma família. Quer você concorde ou não, quer você entenda ou não, quer você oprima-o ou não. A família sempre prevalecerá junto do privado; seja de forma nobre e legal, seja de forma nobre e ilegal[34].

No fim das contas, o que podemos perceber é que estes ditos republicanos não entendem muito de Coisa Pública e não entendem muito de Coisa Privada. Eu, no entanto, vou um pouco mais longe e digo acreditar que estes republicanos não entendem de Coisa Alguma. Parecem não entender nem mesmo a coisa mais básica das coisas básicas para a vida humana neste planeta; a paternidade.

Uma vez quando criança, recebi uma pergunta infantil de um menino chamado Pedrinho – que estava em todo o seu direito de ser infantil –, sobre o quanto seria legal ser filho do síndico; já que segundo Pedrinho e toda a sua lógica juvenil, isso me permitiria infringir todas as regras do prédio. Eu, ainda no auge de minha infantilidade, mas já enfrentando a sabedoria trazida pela experiência sobre fatos adversos, respondi a Pedrinho que, muito pelo contrário, se antes eu só deveria pensar na minha imagem perante os vizinhos – o que eu não dava a mínima – e nas escassas punições que o prédio me prescreveria – o que eu não dava a mínima –, sendo filho do síndico recaía sobre meus ombros a responsabilidade da imagem de meu pai perante seus consortes, o bem-estar dos súditos de nossos domínios e a honra de nossa tão respeitosa família. Percebo hoje que Pedrinho, já naquele momento, estava habilitado a se tornar jornalista ou comentador político em nosso país.

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Além disso, não haverá currículos, não haverá teses de doutorado, não haverá cartas de recomendação, não haverá medalhas e diplomas, não haverá concursos públicos e não haverá testes de aptidão ou cartas de apresentação, não haverá nenhum papel, carimbo, ou cara estampada em uma moeda, que consiga demonstrar para aquele que irá tomar a decisão de escolher uma pessoa para fazer parte de sua equipe a mais importante capacidade técnica, pragmaticamente e estrategicamente falando, que o cargo demanda: a capacidade técnica de ser confiável[35].

Júlio Cesar, o republicano ditador e ditatorial republicano, pai de tantos outros desastrosos Césares que estamparam com suas caras tantas outras republicanas moedas, pai da vaidade e esposo das aparências, no intranquilo leito de sua morte aprendeu, da pior forma possível, que aquele que muitas vezes aparenta amigo por tantas outras vezes é inimigo; seu último ato, um tanto quanto ambíguo mas um tanto quanto revelador, fora cobrir seus olhos com seu manto, quando descobrira que seu melhor amigo, Marco Bruto, estaria entre aqueles que conspiraram para sua morte – um ato estupidamente eficiente, para um homem que estupidamente confia mais em seus olhos do que em seu coração. Essa lenda, no entanto, nos é famosa pela célebre frase que nos conta tão bem a história da surpresa de um homem em ser traído por aquele que considera filho: até tu, Brutus, filho meu?

O que os conspiradores republicanos brasileiros querem é o fim de toda traição através do fim de toda confiança; o que eles querem é o desinteresse, é a tranquilidade diante dos golpes de estado, é a indiferença diante de todas as revoluções; o que eles querem não é que Repúblicas caiam ou Ditaduras se levantem, o que eles querem é que isso aconteça da forma mais natural e mais impassível possível, que César no leito de sua morte não precise se surpreender e cobrir seus olhos, não precise diferenciar o rosto de Brutus ou de qualquer outro amigo, ou filho, ou irmão, entre todos os conspiradores, mas sim que ele enxergue todos ali como nada mais do que homens sem face, animais políticos movidos pelo poder – que ele veja todos como Brutus e todos os Brutus como conspiradores[36].

Um Presidente precisa ter confiança em sua equipe, seja para o mais ditatorial dos governos, seja para o mais correto dos governos. Um Presidente precisa, dentre todos os homens tecnicamente adequados que ele inevitavelmente terá que escolher, de um homem confiavelmente adequado para lhe dar o suporte – ou para ser o pior dentre traidores[37]. Um Presidente precisa, necessariamente, de pessoas em que ele confie de tal forma que em caso de traição só lhe reste uma pergunta tecnicamente adequada a ser feita: até tu[38]?

E dentre todos os homens, dentre todos os homens adequadamente técnicos, não há homem mais tecnicamente adequado para receber tal confiança do que aquele que, inevitavelmente, pode olhar para o Presidente com os mesmos olhos com que o Presidente olha para ele; um homem que divide com o Presidente o único laço inquebrável que existirá em qualquer sociedade: a gratidão. A herança, como boa parte de tudo aquilo que é material, representa algo que existe e nos cerca e que não podemos tocar – mas que podemos ver, se assim quisermos. A herança é a forma terrena, incompreensível e atabalhoada, de mostrar que um pouco do que nós somos faz parte daquilo que nós fomos, e aquilo que nós fomos é inevitavelmente aquilo que nossos pais são[39].

Eu não me preocupo aqui em falar com aqueles que inevitavelmente criticarão qualquer decisão do governo Bolsonaro. Esses, em maioria tolos, apesar de ainda poderem entender estas coisas que aqui falei por ainda serem humanos, caminham a passos largos para um lamaçal de onde eles já não poderão mais entender estes pequenos detalhes tão grandiosos[40]. Eu me direciono muito mais àqueles que conseguem entender o valor da Tradição e, mesmo assim, querem a expulsar da política; aqueles que entendem o valor da Família e, mesmo assim, acham que a política pode ser feita sem ela. A única forma de se retirar Família e Tradição de um governo, a única forma de se retirar a Família e a Tradição de uma escola, a única forma de retirar a Família e a Tradição deste mundo, é eliminando deste nosso lar todo e qualquer resquício de humanidade que ainda habita nele – e aí, só nos sobrarão os tolos.

Nada mais triste do que ver  alguns conservadores lutando para retirar a Família e a Tradição da política, pois tenho plena certeza de que é função de todos os homens sensíveis o suficiente para enxergar os sublimes e belos detalhes da vida e suficientemente corajosos para lutar para protege-los, que usem de toda sua sensibilidade e de toda sua coragem para retirar a política da Família e da Tradição. Quando um elefante entra numa loja de cristais, não é o elefante que você cautelosamente embrulha em jornal[41].

Assim como a maioria dos traços incontroláveis e selvagens humanos, o tribalismo e a nostalgia devem ser olhados com olhos mais sensíveis, olhos de contadores de história e de poetas; olhos de humanos[42]. Chimpanzés são tribalistas; só Homens conseguem ver o erro intrínseco de se privilegiar os mais próximos e transformar esta maldição em benção, não pequena, não materialista[43]; Família, a transmissão de privilégios junto da transmissão de responsabilidades. Abelhas são nostálgicas; só Homem consegue olhar para seu erro intrínseco de ter medo do futuro e transformar esta maldição em benção, não pequena, não materialista; Tradição, a transmissão da responsabilidade de se manter tudo de correto que fora construído pelos nossos antepassados, e da responsabilidade de se corrigir tudo o que fora feito de forma errônea em nome dos que virão depois[44]. Família, o socialismo individualista; Tradição, a democracia dos mortos e dos que ainda viverão[45].

A diferença entre a visão materialista e a visão correta é a existência de um pequeno traço, o mais importante dos traços, o mais humano dos traços; a Responsabilidade. Dizer que empossar um filho para um cargo é um ato intrinsicamente errôneo é dizer que isso é feito sem Responsabilidade, pois é exatamente a Responsabilidade que preenche o espaço vazio contido em um ato de nepotismo e torna-o nomeação razoável; ou, talvez, o que todos esses tolos materialistas querem dizer é que a Responsabilidade sequer existe e nem nunca existirá[46]. E, pelo que percebo, há aqueles neste monofônico e monótono monólogo público que assumem ser real a segunda opção e aqueles assumem ser real a segunda opção enquanto fingem estar afirmando a primeira[47] – ao menos há alguns honestamente desonestos.

E é a Responsabilidade que tem a capacidade de transformar as sementes que a vida nos traz em florescimento. Sem a Responsabilidade com o que somos – com nossas raízes, com as Responsabilidades de nossos pais –, com o que seremos e com o que deixaremos – com nossos filhos –, não há movimento em direção à completude e a consistência individual – e com diversas buscas de diversas consistências e completudes individuais, o movimento para uma consistência e completude social[48]. É por esse motivo que não encontraremos gênios no fundo de currículos; não é lá que eles brotam. Gênios nascem do fundo das mais inexoravelmente privativas, mais secretamente inalcançáveis, mais incansavelmente extraordinárias almas; e elas não cabem nesse mundo, muito menos em currículos[49].

Talvez um extraordinariamente diplomado, um condecorado acadêmico, um tecnicamente adequado cientista, veja a oportunidade de ir para o país do verdadeiro republicanismo como uma oportunidade de metodologicamente fritar hamburgueres em solos estrangeiros. Talvez cientista político, um comentarista político, um filósofo político, ou qualquer outro espécime de animal político, veja a oportunidade de ir para o país do verdadeiro republicanismo como uma oportunidade de politicamente fritar hamburgueres em solos estrangeiros. Olhos ordinários nunca farão nada mais do que lhes é pedido[50] – seja pelo cargo, seja por seu estômago, seja pela ideologia; o que são a mesma coisa[51].

Mas talvez – este talvez mais coberto de esperança do que de confiança – um Filho veja a oportunidade de fritar hamburgueres no país do verdadeiro republicanismo como a oportunidade de transformar um mimado deputado, um surfista eleito, em um Gênio[52]. Talvez um filho medíocre de um presidente medíocre, tão medíocres quanto todos os outros medíocres brasileiros que por pouco mais de um século vêm se banhando no Rio Estige da mediocridade, veja essa oportunidade como aquela oportunidade única de deixar de ser só um filho de presidente para se tornar um John Quincy Adams[53]. Só consegue ver a genialidade nas coisas e no fundo de suas próprias almas aquele que é banhado até os calcanhares com a Responsabilidade que vem daquele ato ordinário mais extraordinário que existe: o poético ato de ser Filho de alguém e de ser Pai de outro alguém um dia[54].

Então esforça-te, luta contra, republicano; mas torça para que a família prevaleça, pois você é filho dela também.

 

Referências:

[1] “Mas se eu não tiver à mão um amigo apto e disposto a ir comigo? – Não faz mal; tens o valente recurso de mesclar-te aos pasmatórios, em que toda a poeira da solidão se dissipa. As livrarias, ou por causa da atmosfera do lugar, ou por qualquer outra, razão que me escapa, não são propícias ao nosso fim; e, não obstante, há grande conveniência em entrar por elas, de quando em quando, não digo às ocultas, mas às escâncaras. Podes resolver a dificuldade de um modo simples: vai ali falar do boato do dia, da anedota da semana, de um contrabando, de uma calúnia, de um cometa, de qualquer coisa, quando não prefiras interrogar diretamente os leitores habituais das belas crônicas de Mazade; 75 por cento desses estimáveis cavalheiros repetir-te-ão as mesmas opiniões, e uma tal monotonia é grandemente saudável. Com este regime, durante oito, dez, dezoito meses – suponhamos dois anos, – reduzes o intelecto, por mais pródigo que seja, à sobriedade, à disciplina, ao equilíbrio comum. Não trato do vocabulário, porque ele está subentendido no uso das idéias; há de ser naturalmente simples, tíbio, apoucado, sem notas vermelhas, sem cores de clarim… – Isto é o diabo! Não poder adornar o estilo, de quando em quando…” DE ASSIS, Machado. Teoria do Medalhão.

[2] E ela já aconteceu: as palavras do Presidente Bolsonaro sobre o pai do presidente da OAB… Qual será a próxima? (atualizado em 20 de Agosto de 2019). E já aconteceu mais uma, a situação da Amazônia e as palavras de Macron (atualizado em 25 de Agosto de 2019). Mais uma, as palavras do Presidente Bolsonaro em relação à esposa de Macron (atualizado em 1 de Setembro de 2019)

[3] “These old fanatics of single arbitrary power dogmatized as if hereditary royalty was the only lawful government of the world, just as our new fanatics of popular arbitrary power, maintain that a popular election is the sole lawful source of authority” BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 22.

[4] “O jornalismo não é pessoal o bastante. Muito longe de escavar personalidades privadas, não consegue sequer descrever superficialmente as personalidades óbvias”. CHESTERTON, Gilbert Kleith. Tremendas Trivialidades: Um Grande Homem. p 96.

[5] “Mas a alegria de Satanás em subir a um pico não é a alegria pela grandeza, mas a alegria de contemplar a pequenez, pelo fato de que todos os homens parecem insetos a seus pés’. CHESTERTON, Gilbert Kleith. Tremendas Trivialidades: Prefácio. p 11.

[6] “A ignorância dos homens de estado é como a ignorância dos juízes, uma coisa artificial e fingida. Se você tiver a sorte de conversar de fato com um homem de estado, ficará constantemente impressionado porque ele diz coisas muito inteligentes. Em um primeiro momento, isso deixa as pessoas nervosas. E nunca tive intimidade suficiente com um desses homens para perguntar-lhe por que é uma regra do Parlamento que pareça mais tolo do que é.” CHESTERTON, Gilbert Kleith. Tremendas Trivialidades: Um Vislumbre do Meu País. p 139.

[7] “Esta é a maior das decadências modernas: que hoje em dia um homem não se torna mais retórico ao mesmo tempo em que se torna mais sincero.” CHESTERTON, Gilbert Kleith. Tremendas Trivialidades: Um Vislumbre do Meu País. p 141.

[8] “Quando quer catalogar uma biblioteca, descobrir o sistema solar ou qualquer ninharia desse tipo, usa seus especialistas. Mas, quando deseja realizar qualquer coisa que seja realmente séria, recolhe doze dos homens ordinários que estão por aí. O mesmo foi feito, se me lembro corretamente, pelo Fundador do Cristianismo”. CHESTERTON, Gilbert Kleith. Tremendas Trivialidades: Os Doze Homens. p 49.

[9] “So, Mr M’Choakumchild began in his best manner. He and some one hundred forty other schoolmasters, had been lately, turned at the same time, in the same factory, on the same principles, like so many pianoforte legs. He had been put through an immense variety of paces and had answered volumes of head-breaking questions. Ortography, etymology, syntax and prosody, biography, astronomy, geography, and general cosmography, the sciences of compound proportion, algebra, land-surveying and levelling, vocal music, and drawing from models, were all at the ends of his ten chilled fingers. He had worked his stony way Her Majesty’s most Honourable higher branches Privy Council’s Schedule B, and had taken the bloom off the higher branches of mathematics and physical science, French, German, Latin, and Greek. He knew all about all the Water Sheds of all the world (whatever they are), and all the histories of all the peoples, and all the names of all the rivers and mountains, and all the productions, manners, and custom of all the countries, and all their boundaries and bearings on the two-and-thirty points of the compass. Ah, rather overdone, Mr M’Choakumchild. Of he had only learnt a little less, how infinitely better he might have taught much more!” DICKENS, Charles. Hard Times. p 15.

[10] “Os bobos perdem o emprego Pois os sábios vieram em bando E como não têm juízo Vivem nos macaqueando” SHAKESPEARE, William. Rei Lear. p 36

[11]“Ele tem exatamente a qualidade do argumento do louco; temos simultaneamente a sensação de que ele cobre tudo e a sensação que deixa tudo de fora”. CHESTERTON, G.K  Ortodoxia. p 412-413.

[12] “Herein lay the spring of the mechanical art and mystery of educating the reason without stopping the cultivation of the sentiments and affections. Never wonder. By means of addition, subtraction, multiplication, and division, settle everything somehow, and never wonder, bring to me, says M’Choakumchild, yonder baby just able to walk, and I will engage that it shall never wonder” DICKENS, Charles. Hard Times. p 53.

[13] “O grande perigo de nossa sociedade é que todos os seus mecanismos podem tornar-se cada vez mais fixos, ao passo que seu espírito torna-se cada vez mais volúvel”. CHESTERTON, Gilbert Kleith. Tremendas Trivialidades: Sobre Ficar na Cama. p 45.

[14] “É somente o olho da criança que tem medo do diabo desenhado.” SHAKESPEARE, William. Macbeth. p 498 .

[15] “The degree of estimation in which any profession is held becomes the standard of the estimation in which the professors hold themselves. Whatever the personal merits of many individual lawyers might have been, and in many it was undoubtedly very considerable, in that military kingdom no part of the profession had been much regarded except the highest of all, who often united to their professional offices great family splendor, and were invested with great power and authority. These certainly were highly respected, and even with no small degree of awe. The next rank was not much esteemed; the mechanical part was in a very low degree of repute” BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution on France. p 42.

[16] “Como surgem depressa os motivos para aprovar aquilo que nos agrada!” AUSTEN, Jane. Persuasão. p 35.

[17] “Tudo é perdido, quando o desejo fica repartido”. SHAKESPEARE, William. Macbeth. p 22.

[18] “O que quero dizer é que aqueles que se abstêm de todos os juízos de valor jamais terão como encontrar um fundamento para preferir um impulso aos demais, exceto pela força emocional desse impulso.” LEWIS, C.S. A Abolição do Homem.

[19] “Por que metade de si era sempre tão mais sensata do que a outra metade, e sempre desconfiava que a outra fosse pior do que na realidade era?” AUSTEN, JANE. Persuasão. p 195.

[20] “Este alarmante crescimento de bons hábitos na realidade significa uma ênfase excessiva naquelas virtudes que o mero costume pode adquirir, e muito pouca ênfase naquelas que o costume nunca pode levar a adquirir, repentinas e esplêndidas virtudes de pena ou de candura inspiradas.”

[21] “Mas é estranho; por vezes, para nos perdermos, contam- nos os agentes das trevas alguns fatos verídicos, seduzem- nos com coisas inocentes, porém de pouca monta, para nos arrastar a consequências incalculáveis”. SHAKESPEARE, William. Macbeth. p 221 (ebook).

[22] “A ignorância dos homens de estado é como a ignorância dos juízes, uma coisa artificial e fingida. Se você tiver a sorte de conversar de fato com um homem de estado, ficará constantemente impressionado porque ele diz coisas muito inteligentes. Em um primeiro momento, isso deixa as pessoas nervosas. E nunca tive intimidade suficiente com um desses homens para perguntar-lhe por que é uma regra do Parlamento que pareça mais tolo do que é”. CHESTERTON, G.K. Tremendas Trivialidades: Um Vislumbre do meu País. p 140.

[23] “On the scheme of this barbarous philosophy, which is the offspring of cold hearts and muddy understandings, and which is as void of solid wisdom as it is destitute of all taste and elegance, laws are to be supported only by their own terrors and by the concern which each individual may find in them from his own private speculations or can spare to them from his own private interests”. BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 77.

[24] “The punishment of real tyrants is a noble and awful act of justice; and it has with truth been said to be consolatory to the human mind. But if I were to punish a wicked king, I should regard the dignity in avenging the crime. Justice is grave and decorous, and in its punishments rather seems to submit to a necessity, than to make a choice”. BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 83.

[25] Trato aqui da versão cinematográfica produzida pela Disney que, apesar de ser um desenho infantil, fez uma adaptação digna.

[26] “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas do meu auxílio e das palavras do meu bramido?
Deus meu, eu clamo de dia, e tu não me ouves; de noite, e não tenho sossego.
Porém tu és santo, tu que habitas entre os louvores de Israel.
Em ti confiaram nossos pais; confiaram, e tu os livraste.
A ti clamaram e escaparam; em ti confiaram, e não foram confundidos.
Mas eu sou verme, e não homem, opróbrio dos homens e desprezado do povo.
Todos os que me vêem zombam de mim, estendem os lábios e meneiam a cabeça, dizendo:
Confiou no Senhor, que o livre; livre-o, pois nele tem prazer.
Mas tu és o que me tiraste do ventre; fizeste-me confiar, estando aos seios de minha mãe.
Sobre ti fui lançado desde a madre; tu és o meu Deus desde o ventre de minha mãe.
Não te alongues de mim, pois a angústia está perto, e não há quem ajude”. Salmos 22

[27] “Kings will be tyrants from policy when subjects are rebels from principle”. BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 78.

[28] “A teoria materialista da história, segundo qual todas as políticas e éticas são a expressão da economia, é na verdade uma falácia muito simples. Ela consiste apenas em confundir as condições necessárias da vida com as necessárias preocupações da vida, que são coisas bem diferentes. É como dizer que, pelo fato de o homem poder andar apenas sobre duas pernas, ele nunca anda por aí a não ser para comprar sapatos e meias”. CHESTERTON, G.K. O Homem Eterno. p 147.

[29] “Nossos miseráveis mais miseráveis sempre têm alguma coisa que é supérflua às suas necessidades miseráveis. Se concedermos à natureza humana apenas o que lhe é essencial, a vida do homem vale tão pouco quanto a do animal”. SHAKESPEARE, William. Rei Lear. p 77

[30] “Eles não podem querer; eles mal podem aspirar. E se alguém precisa de uma prova disso, ela pode ser achada muito facilmente no seguinte fato: eles sempre falam da vontade como algo que se expande e se liberta. Mas é exatamente o contrário. Cada ato de vontade é um ato de autolimitação. Desejar uma ação é desejar uma limitação. Nesse sentido todas as ações são ações de sacrifício de si mesmo. Quando você escolhe uma coisa qualquer, você rejeita tudo o mais”. CHESTERTON, G.K. Ortodoxia. p 727-731.

[31] “You began ill, because you began despising everything that belonged to you” BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 38.

[32] “There was a library in Coketown to which general access was easy. Mr Gadgrind greatly tormented his mind about what the people read in this library: a point whereon little rivers of tabular statements periodically flowed into the howling ocean of tabular statements, which no diver ever got to any depth in and came up sane. It was a disheartening circumstance, but a melancholy fact, that even these readers persisted in wondering. They wondered about human nature, human passions, human hopes and fears, the struggles, triumphs, and defeats, the cares and joys and sorrows, the lives and deaths, of common men and women! They sometimes, after fifteen hours’s work, sat down to read mere fables about men and women, more or less like themselves, and about children, more or less like their own”. DICKENS, Charles. Hard Times. p 53

[33] “Como estrelas, títulos brilharão de alta nobreza sobre quem merecer”. SHAKESPEARE, William. Macbeth. p 270 (ebook).

[34] “Your privileges, though discontinued, were not lost to memory. Your constitution, it is true, whilst you were out of possession, suffered waste and dilapidation; but you possessed in some parts the walls, and in all the foundations of the noble and venerable castle” BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 35.

[35] “Antes de qualquer ato cósmico de reforma devemos prestar um juramento cósmico de fidelidade” CHESTERTON, G.K. Ortodoxia. p 1323-1324 (ebook).

[36] “She has sanctified the dark suspicious maxims of tyrannous distrust; and taught kings to tremble at (what will hereafter be called) the delusive plausabilities, of moral politicians” BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 38.

[37] “Quem só serve por ganância, e apenas finge lealdade, se vê chuva faz a trouxa, te deixa na tempestade. Mas eu não partirei. O Bobo fica; o homem sensato é que abdica. O patife que foge vira bobo; nunca é patife, o Bobo que fica”. SHAKESPEARE, William. Rei Lear. p 68.

[38] “Seus soldados não os move o amor; ordens somente cumprem. Começou a notar que a dignidade do título de rei lhe envolve o corpo como faria a roupa de um gigante a um anão que a roubasse” SHAKESPEARE, William. Macbeth. p 286 (ebook).

[39] “Always acting as if in the presence of canonized forefathers, the spirit of freedom, leading in itself to misrule and excess, is tempered with an awful gravity. This idea of liberal descent inspires us with a sense of habitual native dignity, which prevents that upstart insolence almost inevitably adhering to and disgracing those who are the first acquirers of any distinction. By this means our liberty becomes a noble freedom. It carries an imposing and majestic aspect. It has a pedigree and illustrating ancestors. It has its bearing and its ensigns armorial. It has its gallery of portraits; its monumental inscriptions; its records, evidences, and titles. We procure reverence to our civil institutions on the principle upon which nature teaches us to revere individual men; on account of their age; and on account of those from whom they are descended. All your sophisters cannot produce any thing better adapted to preserve a rational and manly freedom than the course that we have pursued, who have chosen our nature rather than our speculations, our breasts rather than our inventions. For the great conservatories and magazines of our rights and privileges” BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 34-35.

[40] “A poesia mantém a sanidade porque flutua facilmente num mar infinito; a razão procura atravessar o mar infinito, e assim torná-lo finito.” CHESTERTON, G.K. Ortodoxia. p 308-309 (ebook).

[41] “No final o resultado é atingido. O homem não diz, como deveria, “Convém que homens casados suportem ser balconistas de lojas?” O homem diz: “Convém que os balconistas de lojas casem?” A imensa ilusão do materialismo triunfou. O escravo não diz “Serão estas correntes dignas de mim?”. Diz, científica e resignadamente, “Serei eu digno destas correntes?”. CHESTERTON, G.K. Tremendas Trivialidades: O País de Pernas para o Ar. p 66.

[42] “Aceitar tudo é um exercício, entender tudo é uma tensão. O poeta apenas deseja a exaltação e a expansão, um mundo em que ele possa se expandir. O poeta apenas pede para pôr a cabeça nos céus. O lógico é que procura pôr os céus dentro de sua cabeça. E é a cabeça que se estilhaça”. CHESTERTON, G.K. Ortodoxia. p 310-313 (ebook)

[43] “Binding up the constitution of our country with our dearest domestic ties; adopting our fundamental laws into the bosom of our family affections; keeping inseparable, and cherishing with the warmth of all their combined and mutually reflected charities, our state, out hearths, our sepulchres, and our altars” BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 34.

[44] “On this scheme of things, a king is but a man, a queen is but a woman; a woman is but an animal, and an animal not of the highest order. All homage paid to the sex in general as such, and without distinct views, is to be regarded as romance and folly. Regicide, and parricide, and sacrilege are but fictions of superstition, corrupting jurisprudence by destroying its simplicity. The murder of a king, or a queen, or a bishop, or a father are only common homicide; and if the people are by any chance or in any way gainers by it, a sort of homicide much the most pardonable, and into which we ought not to make too severe a scrutiny”. BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 77.

[45] Em resumo, a fé democrática é esta: as coisas mais tremendamente importantes devem ser deixadas para os próprios homens ordinários — a união dos sexos, a criação dos filhos, as leis do estado. Isso é democracia; e nisso eu sempre acreditei. Mas há uma coisa que nunca consegui entender desde a minha juventude. Nunca consegui entender onde as pessoas foram buscar a ideia de que a democracia de algum modo se opunha à tradição. É óbvio que tradição é apenas democracia estendida ao longo do tempo. É confiar num consenso de vozes humanas comuns em vez de confiar nalgum registro isolado ou arbitrário. CHESTERTON, G.K. Ortodoxia. p 862-867 (ebook)

[46] ”Some one said: ‘The dead writers are remote from us because we know so much more than they did.’ Precisely, and they are that which we know.” ELIOT, T.S. Tradition and Individual Talent.

[47] “No government could stand a moment, if it could be blown down with any thing so loose and indefinite as an opinion of ‘misconduct’” BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 27.

[48] [48] “Aquilo que é alcançado pela união do passado e futuro com o presente produz-se na sociedade através da cooperação mútua de seus diferentes membros, já que, em todos os estágios de sua vida, cada homem pode atingir apenas uma daquelas perfeições que formam o caráter do conjunto do gênero humano.” HUMBOLDT, Wilhem von. Os Limites da Ação dos Estado. p. 144.

[49] “Não existe arte que ensine a ler no rosto as feições da alma”. SHAKESPEARE, William. Macbeth. p 256 (ebook).

[50] “Seus soldados não os move o amor; ordens somente cumprem. Começou a notar que a dignidade do título de rei lhe envolve o corpo como faria a roupa de um gigante a um anão que a roubasse”. SHAKESPEARE, William. Macbeth. p 1409 (ebook).

[51] “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus’” Mateus 4:4

[52] “Mas o destino não abençoou, nesse mesmo sentido, a tribo das plantas. A flor esmaece, fenece, e o germe da fruta reproduz a haste, tão rude e incompleta quanto a primeira, ascendendo vagarosamente através do mesmos estágios de desenvolvimento, como anteriormente. Mas  quando, no homem, a flor fenece, ocorre apenas para fazer surgir uma outra flor, mais bela ainda, e o charme daquilo que e mais recôndito encontra-se tão-somente escondido de nossa visão numa sucessão infinita de panoramas retrospectivos de uma eternidade inescrutável. Portanto, tudo o que o homem recebe externamente é apenas como a semente. É tão-somente sua energia ativa que pode transformar a semente promissora numa benção plena e preciosa para si mesmo” VON HUMBOLDT, Wilhem. Limites à Ação do Estado. p 147.

[53] “A spirit of innovation is generally the result of a selfish temper and confined views. People will not look forward to posterity, who never look backward to their ancestors”. BURKE, Edmund. Reflections on the Revolution of France. p 33.

[54] “Antes de qualquer ato cósmico de reforma devemos prestar um juramento cósmico de fidelidade”. CHESTERTON, G.K. Ortodoxia. p 1323-1324 (ebook).

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Igor Damous

Igor Damous

Advogado formado pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro.

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