Imagem: Francisco de Vitória

Por um Liberalismo sem Kantismo – pelo resgate dos Escolásticos Tardios da Escola de Salamanca

Enquanto os liberais, os positivistas, os militares, os empresários, as autoridades estatais constituídas e as demais pessoas com influência na comunidade brasileira continuarem achando que existe essa abstração de sociedade Kantiana (em que todos vivem em harmonia, devendo colocar a forma acima da substância, a troco de um falso e utópico imperativo categórico universal e igualitário, inviável na complexidade do real e dos cenários históricos, espaço-temporais) e persistirem ignorando a guerra cultural (pelo imaginário, costumes, valores e aspectos psicológicos, bem como antropológicos e filosóficos), a ocupação de espaços (típica da infiltração e subversão soviéticas), a intencionalidade dos agentes (relacionados a grupos de poder, com sua própria historicidade, com objetivos estratégicos, com ideologias e com deveres e lealdades grupais) e a assimetria dos meios de ação (caracterizada pelo termo guerra assimétrica, em que a um lado tudo é permitido por desrespeitar as regras impostas e a outro, deve-se cumprir os rigores da Lei, muitas vezes desvinculada da Lei Natural, e de equívocas, porque separadas de uma visão do todo, convenções sociais, caracterizadas por um formalismo das aparências), estaremos condenados, como povo e nação, ao avanço das agendas globalistas, internacionais, artificiais e contrárias à natureza humana e às tradições, construídas por processos inteligentes e milenares de tentativa e erro, os quais erigiram a nossa Civilização Cristã e agora estão sendo bombardeadas de cima a baixo, processo top down, por agentes, conscientes ou inconscientes, do Movimento Revolucionário (conceito criado pelo professor e Filósofo Olavo de Carvalho para caracterizar um processo interdisciplinar com unidade estrutural ao longo dos últimos séculos, embora apresente divergências doutrinárias entre suas inúmeras correntes internas):

O caso recente, que rendeu críticas nas redes sociais, da indicação, pelo Ministro da Justiça e da Segurança Pública Sérgio Moro, de Ilona Szabó, Diretora Executiva e co-fundadora do Instituto Igarapé, relacionado a George Soros e Fernando Henrique Cardoso, notórios globalistas e socialistas fabianos, promotores de ONGs revolucionárias, conforme explicado no parágrafo anterior, para o Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), sendo desarmamentista e contrária às pautas culturais do atual Governo Bolsonaro, as quais são apoiadas pelo povo que o elegeu, demonstra a incapacidade de certas autoridades compreenderem fatores básicos como: ocupação de espaços, guerra cultural, intencionalidade de agentes de poder e guerra assimétrica, para se renderem a um formalismo de aparências kantiano.

Da mesma forma, em idêntica situação, o referido professor Olavo há mais de década critica o Fórum da Liberdade, maior evento liberal da américa latina, realizado anualmente, desde 1988, em Porto Alegre pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE), sendo que já participou do mesmo, e as suas figuras influentes nunca aprendem a lição. Enquanto que a “esquerda” (termo popularmente utilizado para se referir aos revolucionários ideológicos) promove seus imensuráveis fóruns e eventos sem abrir espaço para o contraditório Liberal, Conservador ou “de direita” (quem defende o livre mercado e a Civilização Cristã, contra as hostes de bárbaros em sua invasão vertical), os liberais do IEE ficam felizes e bonitinhos, querendo posar de plurais e democráticos, convidando quem pretende os destruir para seus raros eventos, e por certo tempo único.

O projeto do site Mídia Sem Máscara, de autoria do professor Olavo, contando com apoio de renomados articulistas, tendo como objetivo principal publicar notícias ocultadas pela grande mídia e artigos críticos à desinformação da extrema imprensa, foi justamente construído através dessa ruptura necessária com a imposição cultural Kantiana de dar espaço para a “esquerda”, enquanto que esta sempre empurrou as vozes dissonantes para a espiral do silêncio, sofrendo assassinato de reputação e ataques psicológicos coordenados.

A crítica exposta no presente artigo à visão filosófica Kantiana, a qual resultou no estrago do Estado Moderno, caracterizado pela ruptura com o Direito Natural, a natureza humana e a tradição, não se configura a todo o atual Governo, o qual apresenta uma verdadeira Aliança Liberal e Conservadora na formação de seus quadros, mas a certos setores presos a uma cosmovisão que me permito chamar de Globo News (atrelada a agendas culturais e comportamentais globalistas), além de ser positivista, materialista e pós-moderna; em suma, presa ao Movimento Revolucionário. Por questão de justiça, ressalto que o jedi Onyx Lorenzoni, Ministro Chefe da Casa-Civil e principal articulador político do governo, compreendeu a gravidade da ocupação de espaços por inimigos civilizacionais, quando exonerou funcionários comunistas, regime genocida e propagador de todas as misérias.

O imperativo categórico kantiano, pai do relativismo do Estado Moderno, expresso através de sua Lei Universal determina o seguinte: “Age como se a máxima de tua ação devesse tornar-se, através da tua vontade, uma lei universal.”. Está feita a guerra assimétrica! Se a ação política individual e coletiva só pode ser exercida quando puder se tornar uma norma a ser aplicada por todos, está se colocando uma camisa de força na guerra contra forças maléficas que existem no âmbito do real. As ações humanas não devem estar presas a imperativos categóricos, mas ao contexto em que estão inseridas, tendo como norte a Justiça e o Bem Comum, nos conceitos tomistas e aristotélicos.

De um lado do conflito, inerente a uma sociedade infiltrada pelo Movimento Revolucionário, a subversão pela ocupação de espaços e domínio dos meios de ação, e de outro, a tentativa de se parecer formalmente equilibrado. Está configurado o teatro de aparências! Este jogo, em que os vetores de um lado se impõem sem apreço às normas préestabelecidas e o outro fica passivo, com o intuito de se mostrar como “democrático” e “plural”, tem como vetor resultante o avanço das agendas internacionais globalistas, contra a organicidade dos valores e costumes tradicionais da comunidade local.

Assim sendo, quando pessoalmente critico o perfil e a conduta de certos liberais atuais brasileiros, não estou criticando o Liberalismo, mas o Kantismo que está imbuído em muitos deles, principalmente em grupos de destaque. O mesmo, infelizmente, ocorre no meio militar, dominado pela influência Positivista, a qual também bebe de Kant. Acabo chamando de liberais, no momento da crítica, porque os criticados se autodenominam assim. E muitos são liberais legítimos, diferentemente do Partido Novo… Este último, se me permitem a divagação, adepto do Liberal Stalinismo, centralismo oposto ao princípio da subsidiariedade, o qual libera os costumes e controla a Política a partir de um fundador com relações estranhas com um banco também laranja. Partido este que nas eleições de 2018 mostrou nem ser economicamente liberal, ao ter seu líder defendendo taxação de Igrejas e demais pautas social-democratas, perfazendo a típica imagem do Cavalo de Tróia.

O professor Olavo – ao ser entrevistado pelo cientista político e escritor Bruno Garschagen, em seu podcast no site do Instituto Mises Brasil – embora teça magníficos elogios sobre a importância econômica da obra de Ludwig Heinrich Edler von Mises, ao inclusive demonstrar a impossibilidade de uma economia estatal centralizada; critica negativamente Mises, justamente, por sua a influência filosófica Kantiana. Guardei a informação, mas na época, não havia me dado conta da gravidade e das consequências dessa influência no pensamento Liberal.

Enfim, faço o pedido aos verdadeiros liberais, aqueles Liberais Clássicos e Libertários, atrelados ao Direito Natural, e que compreendem que uma Civilização se faz com instituições sólidas, pelo tripé Língua, Religião e Alta Cultura, que se libertem da prisão mental Kantiana e retornem aos pais do Liberalismo Econômico: os Escolásticos Tardios da Escola de Salamanca[1].

 

Referência:

[1] https://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1694;

http://rothbardbrasil.com/os-pos-escolasticos-e-juan-de-mariana-um-austriaco-politicamente- incorreto/;

https://rothbardbrasil.com/os-fatores-que-levaram-ao-fim-da-escolastica/;

e https://rothbardbrasil.com/catolicismo-protestantismo-e-capitalismo/

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Rodrigo Stedile Sixto

Rodrigo Stedile Sixto

Advogado Empresarial e Consultor Político, com MBA em Gestão Empresarial pela FGV, fundador e Presidente do Instituto Resistência Conservadora, membro-fundador da La Banda Loka Liberal e admirador do Professor Olavo de Carvalho.

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