O fetichismo da educação e a degradação cultural brasileira

Educar é o ato de transmitir símbolos, crenças e valores já consagrados pela cultura universal, a começar pelo conceito de vida, família, comunidade, conceitos deontológicos, entre outros, definições estas necessárias para que o indivíduo se conscientize de sua própria natureza e possa aprimorá-la através do convívio com os demais membros da sociedade. O fato de termos nascido em um determinado meio não é um fator decisivo e preponderante na formação da nossa personalidade, pois embora uma variedade enorme de símbolos e conceitos sejam incorporados em nossa psique no instante mesmo em que nascemos, a presença de elementos vindos de outras regiões e culturas sempre se manifestou de forma profunda na vida de qualquer pessoa, incluindo os grandes sábios da humanidade como São Tomás de Aquino, que absorveu muito da doutrina de Aristóteles, mesmo estando separado deste por quase dois mil anos, e tantos outros cientistas e filósofos que afirmaram ser o pitagorismo a chave de abóbada de suas teorias.

O intercâmbio entre os símbolos universais e atemporais é basilar na formação educacional de qualquer ser humano e sem eles o esforço que deverá ser feito para compreender a realidade será muito maior, pois não há educação sem o aporte da tradição e das conquistas cognitivas de homens e mulheres de outras eras. A educação não é um meio para se conseguir algo, ela é um fim em si mesma e conquistá-la é acima de tudo um dever. Mas infelizmente o que se apresenta como educação na sociedade brasileira em todas as suas camadas é apenas um arremedo, um Frankenstein iluminista. São em grande número as instituições do país, ditas de ensino, que reúnem todos os seus esforços para aprovarem os seus “clientes” nas mais disputadas Universidades, a fim de que, a posteriori, recebam mais uma dose cavalar de informações técnicas sem nenhuma relação com a realidade circundante, e então se consagrem profissionais diplomados e possam adquirir um papel social contribuindo de forma cabal nas esferas públicas e privadas do país sem jamais ter penetrado a superfície do próprio eu. A educação está totalmente deslocada da realidade, perdeu a sua relação com o Cosmos, com a força mesma geradora de todos os conceitos humanos mais íntimos e preciosos, tornou-se um fetiche. Enquanto na sociedade medieval qualquer aluno do monastério mais longínquo aprendia a arte da oratória, da lógica e da gramática, hoje, nossos mestres e aprendizes se preocupam com as técnicas de chute no Vestibular e os considerados mais inteligentes são aqueles que após uma maratona de exames foram aprovados em três ou quatro provas de múltipla escolha. No passado, eles, os ditos fundamentalistas pré-copernicanos, debruçavam-se sobre os livros de astronomia, música, geometria e aritmética, a fim de que o Criador os infundisse os conhecimentos mais misteriosos do universo e nada inferior a isso era motivo de orgulho. Hoje, o jovem educado nos moldes modernos não consegue compreender, mesmo após anos de ensino, a própria cultura em que está inserido, quiçá poderá desenvolver as camadas mais profundas da alma humana, que permanece a mesma desde a gênese dos tempos.

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Diante da atual situação educacional brasileira a degradação cultural é inevitável, pois a cultura nada mais é do que a criação de símbolos, que por sua vez geram valores que serão transmitidos de um indivíduo para o outro, formando assim os grupos sociais e as diferentes formas de comunicação, que por sua vez gerarão outros símbolos e conceitos, transformando todas as relações por meio do imaginário coletivo, pois aquilo que não pode ser pensado não pode ser dito e muito menos será realizado. Para compreender de forma simplificada o papel da Alta Cultura sugiro a analogia matemática da medida espacial de um ente, qualquer que seja, pois ao medir um objeto o que estamos fazendo de forma sistemática é compará-lo com um outro ente de acordo com um critério de medição já pré-estabelecido, ou seja, dizemos que isto é maior do que aquilo no exato momento em que lançamos mão do parâmetro capaz de nos orientar oferecendo meios de comparação. De forma análoga fundamentamos as medidas espaciais, de tempo e todas as demais grandezas físicas, que nada mais são do que unidades de medidas necessárias para o desenvolvimento da técnica, mas são estéreis de forma absoluta, pois não tem valor em si mesmas. Por esse mesmo raciocínio podemos afirmar que a Alta Cultura faz o papel do parâmetro que poderá ser usado como medida para as demais formas de cultura, sejam as artes plásticas ou de movimento, sejam as línguas, ou qualquer outra manifestação artística. Na ausência de uma Alta Cultura capaz de desenvolver símbolos cada vez mais claros, profundos, cognoscíveis, que possam abarcar a totalidade das coisas trazendo à luz o imperceptível, jamais haverá uma nação capaz de se desenvolver culturalmente, de se refazer, de se autocriticar e encontrar saídas para suas mazelas. Assim como o sol está para a luz do conhecimento que habita o coração dos homens, a Alta Cultura de um país está para a luminosidade da alma de toda uma sociedade, e sem ela continuaremos nas trevas da ignorância.

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Ismael de Oliveira Luz

Ismael de Oliveira Luz

Natural de São José dos Campos; Formado em Engenharia Civil pela Universidade do Vale do Paraíba; Empresário e professor atuante na formação intelectual de crianças e jovens; Estudante de filosofia e humanidades; Cristão pela impossibilidade metafísica de não sê-lo.

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