A CIÊNCIA MODERNA E O TOTALITARISMO

O desenvolvimento da ciência moderna com seus métodos e protocolos não teria sido possível sem o aporte do pensamento escolástico medieval, que através da confrontação de hipóteses tipicamente teológicas e filosóficas, aos poucos foi se estruturando naquilo que viria a ser o método científico tal qual conhecemos hoje. A ciência moderna, esta conquista prometeica que contribuiu para agonizar o medievo, visa à compreensão dos fenômenos naturais e suas relações internas e externas nos mais variados campos possíveis, e para a realização deste feito faz uso do método indutivo, empírico e probabilístico, opondo-se ao intuitivo-dedutivo filosófico inaugurado por Aristóteles. Por conseguinte, o sonho de Descartes foi levado às últimas consequências, tornando-se o modelo experimental matematizável, culminando na teoria científica e promovendo a sofisticação da técnica.

As tecnologias, devido aos avanços científicos, multiplicaram-se de forma extraordinária, todavia, a técnica visa aumentar o poder de ação do homem sobre o meio natural, o que na prática não significa um grau mais elevado de compreensão do mundo real, visto que a mesma é um conjunto de processos distintos envolvendo diversos campos científicos, que podem ou não, ter uma relação intrínseca.  Portanto uma sociedade com elevado grau de tecnologia não é o mesmo que uma sociedade com profundo conhecimento sobre a realidade circundante e a vida humana. O crescente número de informações sobre o Universo não pode ser considerado conhecimento, pois só há conhecimento humano onde há a entidade humana, ou seja, o conhecer só se torna possível na presença de um cérebro de carne e sangue, tudo o mais é apenas o arquivamento de letras e números e não é conhecimento de forma alguma. Conhecer é tomar a consciência do ser.

Avançando pelos séculos de forma pragmática, moldando a mente das crianças e dos jovens estudantes e consagrando-se como um símbolo supremo da inteligência, a matematização da sociedade foi se tornando implacável, atingindo seu píncaro no século XX com o advento da mecânica quântica, teoria que tem a contribuição de Einstein, Planck, De Broglie e outros e que abala os fundamentos lançados por Newton no século XVII, que desde então eram tidos como leis eternas da natureza e do movimento. A teoria dos Quanta fundamenta-se inexoravelmente nas ciências matemáticas o que faz dela uma teoria moderna por excelência. Para a compreender o movimento e posição dos elétrons foi necessário o desenvolvimento do cálculo probalilístico limitando ainda mais a compreensão da realidade do homem comum, tornando-se acessível apenas para um grupo extremamente seleto de caráter quase divinal.

Portanto estamos diante de uma situação paradoxal, se continuarmos aceitando a autoridade da ciência e a matematização da sociedade para nos dizer o que é a realidade e deixá-la modelar nossos comportamentos, pouco a pouco seguiremos perdendo a sensibilidade intuitiva, artística e transcendental, elementares à vida, substituindo a verdadeira natureza que nos chega à mente por um punhado de fórmulas sofisticadas, herméticas e enigmáticas, que somente os cientistas do Olimpo moderno saberão decifrar. Todavia, se quisermos romper com essa proposta sombria que nos impõe as ciências modernas, precisamos urgentemente rever os cânones científicos e adotar um novo olhar para o mundo, a fim de reverter o totalitarismo cartesiano que já está em curso na sociedade desde o Iluminismo.

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As posições expressas em artigos por nossos colunistas, revelam, a priori, as suas próprias crenças e opiniões; e não necessariamente as opiniões e crenças do Burke Instituto Conservador. Para conhecer as nossas opiniões se atente aos editoriais e vídeos institucionais

Ismael de Oliveira Luz

Ismael de Oliveira Luz

Natural de São José dos Campos; Formado em Engenharia Civil pela Universidade do Vale do Paraíba; Empresário e professor atuante na formação intelectual de crianças e jovens; Estudante de filosofia e humanidades; Cristão pela impossibilidade metafísica de não sê-lo.

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